Hoje quem escreve é a Beta!

Ciao!

Para quem não me conhece, sou a Beta do Literatura de Mulherzinha. Além da leitura, uma das minhas grandes paixões é o cinema – em especial, comédias românticas, comédias e filmes de aventura.

O Natal sempre rende histórias (algumas não muito boas, sejamos sinceros) para o cinema. Pelo que me disseram, nos Estados Unidos, é praticamente obrigatória a exibição de “A felicidade não se compra (http://www.youtube.com/watch?v=PmmWqzE1DRA)”. No entanto, o meu “A felicidade não se compra” é um pouco mais recente, de 2003. E veio do outro lado do Atlântico: Simplesmente Amor , de Richard Curtis. Foi a primeira experiência de direção do roteirista, culpado (no ótimo sentido) por Quatro casamentos e um funeral e por Um lugar chamado Notting Hill .

Imagem (retirada do site: http://palavrasecenas.blogspot.com/2010/12/simplesmente-amor.html)

 

Sempre que me entristeço com o mundo, penso nos portões de chegada do Aeroporto de Heathrow. Dizem que vivemos num mundo de ódio e ambição, mas eu não acho. Sinto que há amor em todo lugar. Nem sempre algo que valha alguma manchete, mas está sempre ali. Pais e filhos, mães e filhas, maridos e mulheres, namorados, namoradas, amigos antigos. No atentado às Torres Gêmeas, os recados de quem estava nos aviões não foram de raiva. Eram todos mensagens de amor. Se procurar, creio que descobrirá que o amor, simplesmente, está em toda parte.

(texto falado por Hugh Grant no prólogo do filme)

 

Afinal de contas, todo dezembro é a mesma coisa: somos inundados por uma onda de bondade coletiva. Às vezes, sejamos sinceros, pseudobondade – aquelas pessoas que são o cão chupando manga por 11 meses e tentam virar anjinhos barrocos só porque no último mês do ano se celebra o nascimento de Jesus Cristo. São inúmeras campanhas de solidariedade, gestos carinhosos em profusão até entre quem se vê menos de meia dúzia de vezes no ano. Menos mal que nem todos têm prazo de validade de 30 dias. Pena que todos não sejam mantidos após estourar a champagne no Reveillon.

 

Ah, é fato que o comércio também colabora para a felicidade ou infelicidade alheia com o festival de “você PRECISA ter” ou “DEVERIA comprar”. E sem contar a frustração de que a maioria das coisas na vitrine, por uma série de razões, não aparecerá debaixo da sua árvore de Natal: ou porque não serve, porque não é necessário ou simplesmente porque não cabe no orçamento. E há várias coisas que não tem preço e nem estão à venda…

 

O Natal é uma data para pessoas que têm ao lado alguém que amam.

(fala do roqueiro doidão interpretado por Bill Nighy)

 

A trama de Simplesmente Amor começa a cinco semanas para o Natal, entrelaçando várias histórias que começam em Londres e passam por Provença, na França e também por Wisconsin, nos Estados Unidos. A ideia e o ritmo lembram uma versão resumida de novelas do Manoel Carlos (aquele mundo de gente andando no Leblon – sempre começa com um casamento, um nascimento e uma morte. E o melhor: sem o final a jato e que deixa pontas soltas do novelista). Nesta época, as pessoas estão centradas em si: os presentes que querem, que vão dar, os eventos de família e de trabalho, bla bla bla, que não se dão conta de que o mundo gira para todos, que todos também estão enfrentando esta época com suas alegrias, tristezas, expectativas. E o filme, ao mostrar que o amor está em toda parte, foca em quem está ao redor – o mundo é muito maior que cada umbigo…

 

Em cerca de um mês a sua vida pode mudar? Sim. O filme mostra isso: o roqueiro decadente lança uma single para competir na parada de Natal, de olho em retomar a carreira. O escritor descobre a traição da namorada, parte para outro país onde se aproxima de uma garota – e eles nem falam a mesma língua! O luto do marido que perdeu a esposa e agora tem a missão de criar o enteado, que está às voltas com as alegrias e as tristezas do primeiro amor. A esposa que suspeita que o marido a trai com uma funcionária. O rapaz que cansado de ser desprezado pelas inglesas sonha em ir para os Estados Unidos e pegar geral. O casal que se conhece enquanto trabalhava como dublê das cenas de sexo em um filme. Os recém-casados felizes e o infeliz melhor amigo do noivo. A mulher que está apaixonada pelo companheiro de trabalho e não tem coragem de se declarar. E o recém-eleito primeiro ministro da Inglaterra que se encanta por uma funcionária novata e atrapalhada.

 

Por amor, assumidamente ou não, qualquer pessoa faz maluquices: seja desafiar um antigo aliado; correr atrás de quem se ama, não importando os obstáculos; aprende o que não sabe; está sempre por perto e cuida com carinho. Também se sofre por amor, quando cai a ficha de que não será correspondido ou quando uma expectativa é brutalmente frustrada ou quando a responsabilidade fala mais alto que a própria vontade. E, claro, o fato de que corações partidos podem se regenerar, se a pessoa estiver disposta a isso.

 

Ah, e para quem pensa que comédias românticas são bobas, pode prestar atenção no tom crítico sobre a política britânica. As alfinetadas estão na trama do primeiro-ministro, mas os recados eram todos para o então titular do cargo Tony Blair. “Será melhor que com o grupo anterior. Sem adolescentes e esposa assustadora” (o primeiro-ministro diz ao se apresentar à governanta), “Pegarei as minhas coisas e consertaremos o país. Vamos?” (fala da assistente para o primeiro ministro) e o discurso surpreendente da coletiva de imprensa com o presidente dos Estados Unidos. Se eu, que nem britânica sou, tive vontade de aplaudir, imagina quem estava sem paciência com o fato da Inglaterra ter virado capacho do Bush…

 

E a gente paga mico mesmo – nem precisa ser por amor. Atire a primeira pedra quem nunca deu chilique quando estava com pressa e viu o táxi ir embora com outro passageiro. Ou quem tentou se comunicar em outra língua, falou o que não devia e não entendeu nada. E aqueles que foram atrás do grande amor da sua vida, que está escapando entre os dedos, mas sem saber onde começar a procurar… Ah, claro, vai dizer que, após uma boa notícia, nunca fez uma dancinha da vitória (sem testemunhas, óbvio). E nunca fez uma aposta idiota, mas que, no fim das contas, ficou feliz de pagar pra todo mundo ver.

 

Mas é Natal e eu só queria saber…

(quase uma frase-lema do filme)

 

Eu gosto de Simplesmente Amor porque canaliza este “espírito natalino” para histórias de fácil identificação. E é uma reunião de grandes atores (a maioria britânicos – como Colin Firth, Hugh Grant, Liam Neeson, Emma Thompson, Alan Rickman, Keira Knightely – e as participações de Laura Linney, de Rodrigo Santoro e da atriz/cantora portuguesa Lucia Moniz) que garante a diversão de quem assiste. Você não vê o tempo passar. E mesmo sem todos os finais felizes (afinal de contas, a vida é assim), termina sorrindo. Afinal de contas, “all you need is love”.

 

Para encerrar, duas recomendações. Primeiro: quem assistir no DVD, vale reservar um tempo para ver o filme com os comentários – gravaram o diretor Richard Curtis, Bill Nighy, Thomas Sangster e Hugh Grant. O diretor conta sobre cenas que ele teve que cortar e a surpresa que teve com as reações do público a uma história do filme. Os atores passam suas impressões de uma forma geral. E quem rouba a cena é Hugh Grant, que não perde uma chance de implicar com a presença de Colin Firth no filme. Segundo: a trilha sonora é muito boa, além das músicas mais famosas citadas no filme, conta com as composições instrumentais (lindas, na minha opinião de tiete não entendida) do escocês Craig Armstrong (que também trabalhou em Moulin Rouge!).

Bacci!!!

Beta

 

Beta do blog Literatura de Mulherzinha