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Veja o post original da Suelen AQUI

 

A seguir você lerá na íntegra o trecho retirado do final do capítulo 10. Lembrando que essa é a única parte do livro que veio com corte. Todo o resto do livro foi lançado como no original

 

OBS: A parte retirada é a que está em preto

Créditos da tradução: Camila Guazelli

— Exatamente. E precisamos trabalhar nos casos semelhantes e descobrir a respeito das outras crianças que foram abduzidas e assassinadas. Precisamos descobrir como ele as está escolhendo. A força-tarefa tem trabalhado duro, mas também temos outras atribuições. Todo mundo tem feito hora extra e parecemos estar andando para trás. Precisamos de mais informação.

Os olhos de Marquez estreitaram-se.

— Bem, todas as crianças eram mulheres — ele disse repentinamente — E nenhuma tinha mais do que doze anos.

— Muito bom — Marquez respondeu — Ele também deve ter estudado as crianças antes de matá-las. Isso provavelmente significa que ele tinha acesso a elas. Talvez ele trabalhe com crianças.

— Talvez ele seja um professor ou voluntário em atividades extracurriculares — Marquez murmurou.

— Ou da igreja — Garon acrescentou relutante.

Marquez concordou.

— Ou tirava fotos de crianças para livros do ano.

— Ele é um assassino organizado. Ele levou o instrumento da morte, neste caso a fita vermelha, com ele na cena do crime. Ele tomou cuidado para não deixar nada na cena que pudesse incriminá-lo.

— Exceto pela evidência nas unhas da última criança.

— Ele deve ter esquecido disso.

— Provavelmente ele esteja tão confiante que acabe se tornando descuidado — Garon devolveu — Ele pensa que nós somos estúpidos. Ele não acha que nós pudemos pegá-lo, então ele está relaxando um pouco a técnica. Pena que não restou nenhuma testemunha viva — ele acrescentou — Nós estaríamos na frente do jogo se soubéssemos algo sobre ele.

— As coisas nunca são fáceis — Marquez concordou — Embora a carta dele ao jornal tenha nos dado mais do tínhamos. Agora nós sabemos que ele matou doze crianças — ele hesitou — Posso te perguntar uma coisa?

— Claro. Pergunte.

Ele estudou o companheiro mais velho.

— Você não está mais vendo Grace.

Os olhos de Garon brilharam.

— Isso é pessoal.

— Sim, é — ele concordou — Grace é como uma irmã mais nova para mim. Ele não teve uma vida fácil.

— Grace quer um marido, mas eu não quero uma mulher — Garon disse bruscamente, com gelo espirrando da voz profunda — Continuar vendo-a nessas circunstâncias seria estúpido. E cruel.

Marquez concordou.

— Eu entendo — ele virou-se — Eu vou fazer mais algumas pesquisas sobre as vítimas.

— Nosso maior problema com o VICAP — Garon disse baixo — é que departamentos de polícia freqüentemente não perdem tempo mandando informações sobre casos não resolvidos em suas jurisdições. Podem haver muitos mais casos com assinaturas similares— a idade, cor e as fitas vermelhas — mas nós não saberemos sobre eles porque eles não estão no banco de dados.

Marquez fez uma pausa.

— A maioria dos assassinatos aconteceu no Texas e em Oklahoma. Apenas dois foram encontrados em Louisiana. Todo estado tem organizações para oficiais aposentados, e sites da Internet. Nós podemos mandar a informação e esperar por uma resposta. Algum homem da lei aposentado deve se lembrar de fitas vermelhas em um assassinato.

— Boa idéia. Vamos tentar pelo menos.

Marquez concordou.

— Eu vou voltar ao trabalho.

— Eu vou acrescentar isso na agenda e mandar um e-mail ao resto da força armada.

Garon perguntou-se se Grace havia chorado nos ombros de Marquez. Os dois se conheciam há um longo tempo. Talvez Marquez tivesse outros sentimentos por ela que não quisesse admitir. De qualquer modo, Garon estava ficando impaciente com os encontros “acidentais” recentes na cidade. Ele esperou que ela tivesse chegado ao ponto no lago.

 

MAS NA SEXTA-FEIRA seguinte, houve uma performance da orquestra sinfônica de San Antonio no auditório da escola secundária de Jacobsville. Garon convidou Jaqui. Ela vestiu-se com um pequeno vestido preto que enfatizava a figura esguia, e ela colou-se a ele como cola. Ele não estava realmente interessado nela, mas não queria ser visto sem uma compania. Especialmente em Jacobsville.

No momento em que eles sentaram-se, Grace entrou, sozinha, no vestido azul que ela usara da última vez que saíra com Garon.

Ela o viu e parou, parecendo surpresa.

Garon sabia muito bem que ele não estava surpresa. Ela havia o seguido. Ele caminhou na direção dela com fúria aparente.

— De novo? — ele perguntou brusco — Por que diabos você não pode parar de me seguir? — ele ordenou — O que você precisa para convencer-se de que eu não estou interessado?

Grace respirou fundo. Ela sentiu as pessoas a olhando. Ela havia economizado para comprar seu ingresso, e agora a noite estava perdida. Ela corou, afastando-se de Garon. Ele era intimidador quando estava daquele jeito.

— Tocaias são contra a lei, Grace, caso você não saiba — ele disse friamente — Eu poderia processar você!

Ela estava muito envergonhada para dizer algo. Ela virou-se e deixou o auditório. O coração em pedaços dentro do peito. Quando ela saiu, teve que parar por um minuto para respirar. Ela estava tremendo, e não havia percebido até agora.

Com lagrimas escorrendo pelas bochechas, ela caminhou rapidamente até o carro, entrou, e foi para casa. Era a noite mais longa de sua vida. Ela não dormiu quase nada.

 

ELA NÃO ESTAVA caçando Garon. Ela desejou saber o que fazer para que ele pudesse entender, e parar de acusá-la de coisas que não estava fazendo. Mas ela não sabia como. Obviamente ela não podia ligar ou escrever, porque ele teria uma prova contra ela. Ela não sabia como vencer. Isso foi a gota d’água.

Ela ficou mais pálida e magra. O estresse da rejeição dele estava lhe causando noites insones e outros problemas de saúde. Mas ela não faltava ao trabalho, apesar do medo de encontrá-lo e causar problemas de novo.

Ela entrou na cozinha do Café da Barbara na segunda-feira seguinte e começou a limpar e preparar tudo que estava no cardápio.

Ela adorava cozinhar. Era uma das poucas coisas em que ela era boa. Esse emprego havia caído do céu. Barbara pagava bem, e mesmo que fosse apenas por meio período, pagava quase todas as contas. Junto com o que ela ganhava na floricultura, podia viver.

— Eu estou abrindo as portas — Barbara disse à ela — Pronta?

— Pronta! — Grace disse sorrindo.

 

FOI UM DIA ocupado. A corte superior estava em sessão, e Jacobsville era o banco do distrito de Jacobs, então haviam muitas pessoas na cidade para casos que estavam almoçando lá. O café tinha um movimento atordoante quando a corte estava em sessão. Barbara anotava os pedidos e os entregava a Grace, que os preparava e trazia a comida. Geralmente havia também outra garota, mas ela estava doente.

Havia um pedido sem nome, sanduíche e fritas. Ela preparou os dois e os embalou, então saiu ao salão, onde Barbara estava preparando as contas.

— Não tem nome — Grace começou.

— Oh, é para Garon Grier — veio a resposta inesperada.

Grace sentiu o coração afundar. Antes que conseguisse falar, ele estava lá, entrando pela porta, com Jaqui pendurada em seu braço.

Grace caminhou na direção dele com a sacola, o coração tremendo.

Os olhos dele pareceram explodir de fúria.

— Bom Deus, de novo não! — ele exclamou — Você tem radar? Em todo maldito lugar que eu vou, você aparece! Como você soube que eu viria aqui? Você tem alguém me espionando, para ter certeza de que você não perca uma oportunidade de arruinar meu dia? — ele exigiu.

— Você não entende — Grace começou lentamente, tentando falar com ele apesar do medo que a assolava.

— Não, você não entende! — ele zombou, aproximando-se — Você é grossa como uma planta, Grace. Eu não quero você em minha vida! Quantas vezes eu terei de dizer até você acreditar?!

Grace afastou-se, rápido, o rosto lívido, as mãos tremendo no papel que carregava. Ela estava assustada com a autoridade e a fúria. Violência a apavorava.

Barbara apareceu a seu lado de repente. Ela deslizou um braço pelos ombros de Grace.

— Está tudo bem, querida — ela disse gentil — Eu cuidarei disso. Volte para a cozinha, ok?

Grace estava chocada.

— Ok — ela entregou o pacote para Barbara e foi em direção a cozinha, lágrimas escorrendo dos olhos.

— Isto — Barbara disse friamente, com todos os olhos do lugar plantados nela — É seu pedido. Grace estava trazendo para você porque é o emprego dela. Ela trabalha aqui! Ela é minha cozinheira!

Garon sentiu o chão desaparecer sobre seus pés. Ele não sabia que Grace era uma funcionária, que ela trabalhava para Barbara. Ela nunca dissera a ele.

Barbara atirou o pacote nas mãos dele. Ela olhou-o friamente.

— Aqui. Está na casa. Não é segredo na cidade que você está fazendo um inferno da vida dela por apenas olhar para você. Bem, você não vai ser cruel em meu restaurante! Eu tenho o direito de recusar um cliente, e estou fazendo isso. Você é um doravante barrado desse restaurante, senhor Grier. Eu gostaria que você saísse. Agora!

Os consumidores começaram a bater palmas entusiasmados. Garon olhou ao seu redor e percebeu que não haviam rostos familiares na multidão. Ele fizera inimigos em toda a cidade porque não queria casar com a solteirona deles.

Mas argumentar não ia resolver nada. Ele deu de ombros, colocou o pedido em uma mesa, pegou Jaqui pelo braço e saiu.

— Não é perdido, a comida aqui é uma porcaria mesmo — Jaqui disse por sobre o ombro.

— Eu tenho certeza de que a comida não é a única porcaria por aqui — Barbara disse a outra mulher com um sorriso sarcástico.

Jaqui começou a falar. Barbara fechou a porta na cara dela. Os consumidores foram ao delírio. Ela deu um sorriso largo e voltou à cozinha para confortar Grace.

— Tudo bem, tudo bem — ela disse suavemente, secando as lágrimas de Grace com uma toalha de papel — Ele já foi. Você está segura, querida. Ninguém vai machucar você aqui.

Grace encostou a cabeça no ombro reconfortante. Durante anos, Barbara havia sido uma mãe para ela. Hoje, como uma tigresa defendendo sua cria, ela expulsara o inimigo pela porta arrancando aplausos da multidão. Era trágico, mas engraçado, também. Grace sempre via humor nas coisas. Involuntariamente ela começou a sorrir.

— Viu? — Barbara perguntou com um sorriso — Não é tão ruim. Você tem que ser forte, Grace. Você não pode deixar as pessoas montarem em você. Especialmente pessoas como aquele agente do FBI arrogante. Você vai passar o resto da sua vida chorando se não criar coragem.

Grace pegou a toalha de papel e secou os olhos.

— Eu acho que sim. Eu não sou uma folgada. Mas estou muito cansada ultimamente e não me sinto bem — ela tocou o estômago — Essas semanas foram duras.

— Você precisa de um tempo livre. Eu sei que você tem um pouco de dinheiro guardado, Grace, e eu posso ajudar — ela acrescentou séria — Vá e fique fora por alguns dias com seu primo em Victoria. Nós conseguiremos sobreviver sem você por alguns dias.

— Isso é covarde, fugir do inimigo — Grace choramingou.

— Não quando o inimigo está perseguindo você pela cidade e acusando você de fazer isso — ela respondeu, concordando quando Grace pareceu chocada — Nós sabemos de tudo em Jacobsville. Ele está transformando sua vida em um inferno. Ele vai parar. Ele só não sabe disso ainda — a mulher disse com um fogo gelado em seus olhos — Ele vai desejar nunca ter se mudado para cá.

— O irmão dele é muito legal.

— Sim, mas o irmão dele não está perseguindo você — ela lembrou Grace — Eu vou mandar Rick vir buscá-la.

Grace sorriu.

— Ele é gentil.

— Ele é meu bebê, mesmo não tendo lhe dado a luz. Ele gosta de você.

Grace não respondeu. Ela sabia que Marquez gostava dela. Ela gostava dele, também, mas não o amava.

— Talvez, algum dia — Barbara disse nebulosamente — Mas por enquanto, vá para casa e faça as malas. Ok?

Grace abraçou-a.

— Ok.

**** fim do capítulo 10 e fim do corte ****