Oi gente!

 

Quando a Rô me convidou pra participar do Especial do Mês da Mulher, topei na hora. Gosto realmente de participar dos especiais dela. Mas, curiosamente, desta vez o texto não fluía, a história não saía (geralmente gosto de escrever minicontos, ou crônicas).

Então, desta vez decidi falar eu mesma sobre esse mês da mulher… e tecer algumas considerações aleatórias (ou não).

Causa-me um certo espanto que o Dia Internacional da Mulher tenha meio que perdido o sentido. Vejo os homens rendendo homenagens às mulheres de suas vidas, rosas sendo oferecidas no comércio, manifestações melosas venerando o gênero feminino. E isso me levou a lembrar a origem provável desse dia – um incêndio nos Estados Unidos, em uma fábrica exclusivamente de empregadas (mulheres), que foram impedidas de sair do prédio em chamas. Muitas morreram ao se jogar das janelas. Outras intoxicadas e tantas outras ainda, evidentemente, queimadas.

Não quero fazer deste texto um tratado feminista, mas promover uma reflexão sobre a posição da mulher em nossa sociedade. Pessoalmente, creio que avançamos muito no que tange a direitos, independência. Sonho com uma sociedade que veja os seres humanos como iguais em suas diferenças (sei que isso parece estranho), e que todos recebam o mesmo tratamento pela única condição que de fato nos une: nossa humanidade.

Em vez de comemorações melosas, penso que devíamos lembrar o quanto temos a progredir ainda. O quanto as mulheres sofrem violência pela única razão de serem mulheres, ou como mulheres que ocupam as mesmas posições de trabalho que um homem recebem menos que ele. Há ainda a questão da jornada dupla, ou tripla, que uma mulher faz quando decide trabalhar fora e ser independente: muitas vezes trabalha em mais de um emprego e ainda precisa cuidar da casa e dos filhos. Ou o preconceito que ainda sofre por decidir não formar uma família e não ter filhos. Ou o machismo que carregamos tod@s dentro de nós, até sem perceber.

Quando penso na quantidade de coisas que não devemos fazer porque ‘mulher não pode’… sei que talvez não seja o pensamento da maioria, digo por mim. Estamos, as mulheres, sempre desafiando o mundo, sempre lutando por algo que nos é caro, sejam nossos ideais, sejam nossas famílias… e sempre com bravura.

Pode parecer um tanto desconexo, mas é por isso que, na ficção, não suporto mocinha ‘banana’. Aquelas que aceitam tudo, que não reagem quando podem – até porque suportar algumas coisas sem reclamar também exige certa forma de coragem. Se tem algo que me tira do sério, é mocinha sonsa!

Na literatura recente, a personagem que melhor encarna meu tipo de mocinha preferida é Lisbeth Salander. Complexa demais para ser reduzida a um aspecto só, o jeito dela de enfrentar o mundo, seja lá de que jeito for, me ganhou de pronto, pois guardadas as devidas proporções, é isso que fazemos todos os dias. Cada um tem suas armas e as dela eram nada convencionais, mas ela simplesmente era. E o mundo que lidasse com isso.

Penso que nós, mulheres, devemos ser. Para além das limitações de gênero impostas pelas sociedades mundo afora, para além das dificuldades de toda ordem que nos aparecem.

E para além das rosinhas ofeceridas por obrigação em um único dia do ano…

Lilian

 

 Lilian – Blog Lá no cafofo @Lanocafofo