Novidades Companhia das Letras

Frank: a voz, de James Kaplan (Trad. Pedro Maia Soares)

Muito antes de Elvis Presley e dos Beatles sonharem com os primeiros acordes, ele provocava histeria em multidões de adolescentes enlouquecidas que dormiam na porta do teatro para ver, rever e desmaiar diante do ídolo. Fenômeno da nascente cultura de massa nos anos 1930 e 1940, Frank Sinatra sabia como rechear de paixão as baladas que cantava, enquanto seus assessores de imprensa produziam o clima na plateia. Mas ele era muito mais que isso: músico de ouvido requintado, estudava minuciosamente as letras, aprimorava a dicção e a musicalidade de modo a transmitir todo o sentido das canções; perfeccionista, nenhum detalhe de uma gravação lhe escapava. Neste livro, que acompanha os primeiros quarenta anos da vida de Sinatra, James Kaplan narra em cinco atos dramáticos a ascensão, a queda e o renascimento de uma figura contraditória, com qualidades e muitos defeitos — os próprios amigos o chamavam pelas costas de “Monstro” —, mas de inegável (e impressionante) talento musical, que deu forma definitiva ao cancioneiro norte-americano. Com mão de romancista, o autor utiliza de forma ousada técnicas da ficção para penetrar na alma e na mente de seu biografado e recriar sua personalidade. O resultado é uma narrativa pontuada pela emoção genuína e pelo drama real de um homem que cresceu ao lado da máfia, não mediu esforços para construir sua carreira, cobiçou e foi cobiçado por muitas mulheres, viveu uma tempestuosa história de amor com o furacão Ava Gardner, teve sua morte artística anunciada e renasceu para a glória no cinema e na música.

 

Nada a invejar, de Barbara Demick (Trad. José Geraldo Couto)

A vida na Coreia do Norte, sob um dos regimes mais fechados do mundo, parecia impenetrável aos olhos estrangeiros até o surgimento deste livro. Nele, a jornalista americana Barbara Demick traça um painel vívido da sociedade norte-coreana a partir de uma extensa pesquisa e, principalmente, dos depoimentos de refugiados dissidentes que ela entrevistou durante o período em que trabalhou como correspondente do Los Angeles Times em Seul, na Coreia do Sul. Nas dramáticas trajetórias pessoais narradas aqui, o culto obrigatório à personalidade dos ditadores, as crises de escassez e o controle do cotidiano dos cidadãos configuram uma realidade sufocante; porém, mesmo num universo tão autoritário, é possível perceber as brechas para o humor, os atos de heroísmo e a solidariedade.

 

A morte do pai, de Karl Ove Knausgård (Trad. Leonardo Pinto Silva)

Uma noite de ano-novo e rebeldia, regada a cervejas vedadas aos menores, um amasso nauseante na primeira namorada, um show fracassado com a banda de punk no shopping center — em A morte do pai, primeiro romance da série autobiográfica Minha Luta, Karl Ove Knausgård se concentra em narrar os anos de sua juventude. Ao embarcar numa investigação proustiana e incansável do próprio passado, o narrador busca reconstruir, sobretudo, a trajetória do pai, figura distante e insondável que entra em declínio e leva o núcleo familiar à ruína. Honesto e sensível, Knausgård investiga também o próprio presente: aos 39 anos, pai de três filhos, ele deve se ajustar à rotina em família, trocar fraldas e apartar brigas, tudo isso enquanto tenta escrever seu novo romance, numa luta diária. Com A morte do pai, Knausgård inaugura um projeto monumental e ambicioso, que logo se tornou best-seller na Noruega e fenômeno literário internacional. São seis volumes híbridos entre a ficção e a memória, em que o autor explora, com pleno domínio da atividade narrativa, as possibilidades da ficção contemporânea.

Boa leitura!

Rosana Gutierrez