Daniel Glattauer – @mor


 15 de Janeiro
Assunto: Cancelamento
Gostaria de cancelar minha assinatura. Dá pra fazer por aqui?
Cordialmente,
E. Rothner.

É assim que começa a história desse livro que me pegou pela mão e me acompanhou por alguns dias. Alguns dias porque eu não consegui parar para ler de uma única vez, com as provas de fim de período. E também porque eu queria experimentar a pausa entre uma conversa e outra, entre Leo e Emmi. Mas essa sou eu colocando a carroça na frente dos bois. Deixe-me apresentar à você, querido leitor, Emmi Rothner e Leo Leike.

Eles começaram a conversar justamente por causa do e-mail ali em cima. Leo tem quase o mesmo e-mail que a bendita revista que Emmi está tentando cancelar e, por isso, ela acaba enviando os e-mails à ele, e não ao seu destinatário certo. Depois de receber três e-mails de uma E. Rothner muito irritada, Leo decide responder ao e-mail, explicando o mal entendido. E é aí que a história desses dois começa.

Perceba que, no início desse post, eu não falei que eles se conheceram. Porque eles não se conhecem, eles só conhecem as palavras que mandam um para o outro, com o passar dos dias. Eles conhecem a versão de Emmi/Leo que eles escolhem mostrar para o outro, e isso não precisa ser necessariamente a versão verdadeira. E eles falam sobre isso, um com outro. Sobre isso e sobre muito mais. Começa com Leo respondendo à Emmi sobre o engano de e-mails, e depois com Emmi enviando à Leo um daqueles e-mail genéricos de felicitação pelo Natal e ano Novo, que você envia para todos os seus contatos, sabe? Leo, sarcástico e um tanto infeliz, responde à Emmi.

Cara Emmi Rothner.
nós mal nos conhecemos ou não nos conhecemos absolutamente. Contudo, agradeço pelo seu afetuoso e muitíssimo original e-mail coletivo! É preciso que a senhora saiba: eu amo e-mails coletivos, enviados a um coletivo ao qual não pertenço.
Sds, Leo Leike.

Emmi, que sabe ser sarcástica na mesma medida, responde ao e-mail um tanto amargurado de Leo, ainda mais para aquela época do ano, e depois de uma breve troca de e-mail bastante salgada, eles para de trocar afetuosidades. Só que, 38 dias depois, Emmi envia novamente um e-mail para Leo, errando o destinatário, que seria a revista Like (não Leike, o sobrenome de Leo).

É assim que começamos a conhecer Leo e Emmi, suas vidas, seus humores, seus amores e desamores. Caso você não tenha reparado, o livro é inteiramente narrado em forma de e-mails trocados. E é sensacional descobrir junto com os personagens quem eles são e o que eles vão se tornar um para o outro. Usando os e-mails para um desconhecido – que depois de um tempo não mais parece um desconhecido completo, Emmi e Leo conseguem escapar de suas vidas “reais”, de seus desânimos ou de suas responsabilidades por alguns momentos. Ali, naquela troca de e-mails, eles podem ser quem quiserem, sem precisar se preocupar com a realidade ao redor. Só que, como em qualquer relação, a deles acaba avançando, crescendo, e os sentimentos dos dois, um pelo outro, acabam crescendo também.

O que eu mais gostei no livro foi de me sentir parte da história. Por isso, quando via que um e-mail tinha sido respondido três dias depois, me agoniava como se eu o estivesse esperando. Quando Emmi ou Leo ficavam de mal humor, eu gostava deles tanto quanto eles gostavam um do outro. E é por isso que eu não consegui ler o livro de uma só vez. Eu preferia parar, respirar fundo, ver o lado dos dois na história. Se eles tinham o direito de se ignorarem por tanto tempo, então eu também podia ignorá-los.

O livro pra mim foi uma experiência diferente, porque eu sei bem o que é amar alguém assim, sem nunca nem ter visto. Para quem não experimentou esse tipo de amor, é uma ótima forma de pensar em todos os lados de uma história, de perceber que os nossos limites de certo e errado nem sempre são o mesmos limites para outra pessoa, e que o amor não precisa de muita coisa para existir. Um livro lindo, divertido, com a dose certa de pensamentos filosóficos e companheirismo.

Ah, e você pode ter um mini ataque cardíaco quando terminar o livro, e parar de acreditar na existência de Deus, porque QUE FINAL É ESSE, mas o livro tem continuação, então não precisa se desesperar por muito tempo.

O livro tem duas capas aqui no Brasil. A minha edição é a da primeira capa, mas eu quero a nova edição, para combinar com a continuação da história 🙂

 

CAPA, FICHA TÉCNICA, SINOPSE

@MOR

Gut Gegen Norwind

Daniel Glattauer
ISBN:  9788581051246
Editora: Suma de Letras
Número de páginas: 188
Encadernação: Brochura
Formato: 16 X 23 cm
Ano Edição: 2/2013

SINOPSE

Num e-mail enviado por engano, começa um relacionamento virtual que testa as convicções de Leo Leike e Emmi Rothner. Leo Leike, ainda digerindo o fracasso de seu último relacionamento, responde de forma espirituosa a duas mensagens enviadas por engano por Emmi Rothner, casada. Inicialmente, ela só queria cancelar uma assinatura de revista. Depois, inclui Leo por engano entre os destinatários de um e-mail de boas festas. Na terceira troca de e-mails, o mal-entendido dá lugar à atração mútua, reforçada pelo fato de um nunca ter visto o outro. Nada como a curiosidade instigada por frases bem encadeadas chegando a intervalos regulares numa caixa postal eletrônica para que os dois se esqueçam dos possíveis impedimentos. A cada dia, Leo e Emmi se sentem mais impelidos a marcarem um encontro. Após trocas contínuas de mensagens, está claro para ambos que o marido dela e as feridas emocionais dele não serão obstáculos para que marquem um encontro. O único obstáculo real é a insegurança de ambos quanto à transformação da fantasia em realidade. O austríaco Daniel Glattauer dá nova vida à tradição epistolar em @mor, primeiro de dois romances que exploram um relacionamento sustentado basicamente em trocas de e-mails. Romance de estreia de Glattauer e campeão de vendas na Alemanha e na Espanha, o livro explora, sob roupagem moderna, sentimentos familiares a amantes de todas as gerações.

 

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Saraiva

em eBook:

Iba

 

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3 Comments

  1. 24/08/2013

    Sim, com certeza! amei essa capa nova, vou investir assim que a grana permitir! beijos 🙂

  2. Larissa, sei bem como é amar virtualmente, por isso acho que ler @amor seria algo tão lindo, tão tocante. Ai, eu quero esse livro!
    Eu prefiro a segunda capa, essa lançada por último. Muito mais bonita, não acha?

    Sacudindo Palavras

  3. Mônica Oliveira
    22/08/2013

    Ahhh minha amiga leu esse livro e ficou totalmente APAIXONADA e desde então me enche para ler ele..mais até então nunca tinha dito interesse no livro..quando a Suma relançou com essa CAPA mais que DEMAIS kkk e vi os comentários nas redes sociais acabei ficando curiosa com a história…mais sua resenha me convenceu , pq os personagens são sarcásticos e engraçados meus tipos prediletos.. Darei uma oportunidade assim que possível a leitura.

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