Cidades de Papel é o último livro lançado nas nossas terras tupiniquins de John Green. Como grande fã do autor, precisei me segurar muito pra não comprar assim que saiu, porque era fim de período na faculdade, e eu não queria me enrolar. Minha irmã acabou ganhando o livro de aniversário, e eu o li em um dia! Ainda me espanto com a facilidade de Green de escrever livros com temáticas tão diferentes. O que é ótimo, porque abro meu livro sem saber o que esperar e sempre me surpreendo.

Nesse livro, temos a história de Quentin, um garoto que está no último ano de ensino médio (High School nos EUA). Sempre atrasado, sempre centrado em seus estudos, e sempre na mesma rotina. Ele nutre uma paixão platônica por sua vizinha, a incrível e popular Margo Roth Spiegelman. Ela fora sua amiga na infância, mas em algum ponto de suas vidas os dois se afastaram, e agora Quentin suspira por ela à distância, até porque ela é o oposto de Quentin: displicente e misteriosa, Margo Roth Spiegelman é segura de si e faz o que passar pela cabeça.

Só que um dia, sua vizinha enigmática aparece em sua janela, e o convida para ajudá-la em uma missão. Só que ela aparece no meio da noite, pintada de preto e pedindo a Quentin para pegar o carro dos pais dele emprestado por uns tempos. E a missão nada mais é que um plano de vingança, divido em onze nada simples etapas. Assim, Quentin e seu lado organizado é sugado para o mundo de Margo Roth Spiegelman por uma noite. E, posso te dizer, foi uma noite inesquecível.

– Meu coração está acelerado – falei.
-É assim que a gente sabe que está se divertindo – disse Margo.

Mas, no dia seguinte, Margo Roth Spiegelman desaparece do mapa.

D-e-s-a-p-a-r-e-c-e, assim, sem mais nem menos.

Só que, ao contrário do que você possa achar, as pessoas que a conheciam não se preocuparam tanto assim com o seu sumiço. Ela já havia fugido de casa outras duas vezes, e agora, com 18 anos, ela poderia fazer o que quisesse – ou pelo menos era isso que a lei dizia. Sem contar que os pais de Margo Roth Spiegelman – quando vocês lerem o livro vão entender a necessidade de falar o nome inteiro dela – já estavam cansados das peripécias irresponsáveis de sua filha mais velha. Não se importavam mais. Ela sempre deixava uma trilha de migalhas de pão, como dizia a polícia local. Acabou sobrando pra Quentin a tentativa de desvendar as pistas que ela deixara para trás.

“É muito difícil ir embora- até você ir embora de fato. E então ir embora se torna simplesmente a coisa mais fácil do mundo.”

Margo Roth Spiegelman é uma personagem, no mínimo, intrigante. Com uma personalidade forte. Um tanto perturbada, se eu posso dizer isso. Ela é quase que a personagem mais presente no livro, e olha que ela fica desaparecida por boa parte do livro. As lembranças de Quentin e seu ímpeto de buscar a garota, por quem tem estado apaixonado a maior parte de sua vida, são a forma em que a presença dela fica viva por tanto tempo. Ele acredita conhecer bem a sua vizinha/ex-melhor amiga de infância/atual paixão. Só que, enquanto procura as pistas que Margo supostamente deixou para trás, ele percebe que ninguém conhece Margo. A menina que todos parecem conhecer é completamente diferente da menina que os pais dela conhecem, e essa, por sua vez, é completamente diferente da Margo que o quarto dela faz ela parecer. Nem mesmo sua (ex?) melhor amiga conhecia a Margo que parecia ser a verdadeira.

No fundo, nem a própria Margo sabia quem era.

“Que coisa traiçoeira é acreditar que uma pessoa é mais que uma pessoa”

O livro é marcado por um sentimento nostálgico, porque os personagens estão naquela idade em que tem que decidir o que vão fazer da vida, vão deixar uma fase para trás e começar uma outra completamente diferente. Além disso, é uma dessas metáforas que a gente encontra em todos os livros do John. Claro que cada um enxerga um ponto específico, mais que outros, uma vez que nós temos uma leve tendência a prestar mais atenção naquilo que é parecido com a nossa experiência. Por isso, para mim, foi um livro que me fez lembrar de anos maravilhosos que passei com meus amigos no ensino médio. Me fez pensar nas minhas amizades daquela época, e nas minhas amizades de agora, e se eu realmente conheço todos eles. Se a nossa relação é uma relação de papel, dessas substituíveis e superficiais, ou se é uma daquelas que realmente vale a pena manter. Me fez até mesmo agradecer por ter uma relação são boa com a minha irmã mais nova, que de longe é a minha melhor amiga. É uma viagem maravilhosa, e vale a pena se aventurar com Quentin e Margo e descobrir o que são as Cidades de Papel.

“- Você não está preocupada com o… para sempre?
– O para sempre é composto de agoras.”

capa, ficha técnica e sinopse

CIDADES DE PAPEL

Paper Towns
John Green
ISBN: 9788580573749
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 368
Encadernação: Brochura
Formato: 14 X 21 cm
Ano Edição: 2013

Sinopse

Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que em um cinco de maio que poderia ter sido outro dia qualquer, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita.
Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que o paradeiro da sempre enigmática Margo é agora um mistério. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele achava que conhecia.

Boa leitura!

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