Ruth Warburton – Uma bruxa na cidade


Olá!

Uma bruxa na cidade é um livro gostoso de ler. Adorei.

A autora cria atmosfera e personagens ricos com uma trama bem escrita em Uma bruxa na cidade, primeiro livro da Trilogia Winter.

Trilogia Winter

  1. Uma bruxa na cidade
  2. A witch in Love
  3. A witch alone

No fim do post, há uma entrevista com a autora.

Anna, uma adolescente londrina, tem sua rotina modificada, ao ter que mudar-se para Winter, uma cidadezinha litorânea, devido a problemas financeiros de seu pai. A casa que seu pai comprou, é antiga, cheia de reparos para serem feitos, e com uma fama ruim , de ser mal assombrada. E chama Casa Wicker.

Ela sempre morou com seu pai, nunca conheceu sua mãe e seu pai demonstra muita tristeza em relação a esse assunto.

– Conseguimos um lugar bem barato, considerando tudo. E eu mesmo farei a maior parte do trabalho, o que vai reduzir os custos.

– Ah, Deus! – eu disse, involuntariamente, com uma voz horrorizada. Então vi o olhar de meu pai e comecei a rir. Meu pai mal conseguia trocar uma lâmpada, muito menos fazer grandes reformas na casa. Ele pareceu ofendido por um instante, mas então começou a rir também.

Agora é se adaptar. Ela vai à escola e faz amizade com três garotas, já conhece Seth , o bad boy bonito da escola, mas que tem namorada, e tudo está normal. Até seu pai precisar viajar e ea convidar essas amigas para passar a noite com ela. Topam, afinal é a Casa Wicker, com fama de assombrada.

Mas essa noite é o ponto de mudança em tudo. O pai de Anna, que nunca foi bom como faz tudo  e está empenhado em fazer os reparos da casa, e encontra na enorme lareira, escondido, um livro meio queimado. E na noite que as garotas passam juntas, elas pegam esse velho livro, que na verdade possui feitiços. As adolescentes resolvem fazer um feitiço de amor, achando tudo muito divertido e que não é sério.

No dia seguinte, na escola, quando tudo parecia normal para as amigas, Seth termina com sua namorada e faz uma declaração à Anna, e fica atrás dela o tempo todo.

E agora? O feitiço funcionou. E Anna tenta vários outros feitiços para quebrar o que fez Seth se apaixonar por ela e isso só piora tudo, cada vez mais, e com proporções catastróficas, inclusive para a cidade.

“Meu retorno para a escola, completando com minha charmosa cicatriz estilo Harry Potter, causou um alvoroço, mas todo mundo ainda estava fervilhando com as notícias sobre a estranha tempestade, então, felizmente, atraí menos atenção do que de outra maneira teria ocorrido.”

Emmaline que estuda com Anna , vai com sua mãe Maya alertá-la e descobrem que Anna não sabe o que é ou o que está fazendo. Ela é uma bruxa, também. E assim, fica sabendo que há mais bruxas e bruxos em Winter e que está no meio de uma sociedade que os monitora e extremamente perigosa, os Ealdwitan.

“Imagine um parlamento misturado com uma sociedade secreta…isso faz algum sentido?”

Acabamos entendendo como Seth é um garoto legal e não um bad boy, que passou por situações ruins e que apesar do feitiço, ele e Anna podem mesmo estar se apaixonando.

A família de Emmaline ajuda Anna a entender o que ela é, e como seus poderes são mais fortes do se imagina. E com uma batalha por vir.

Não é só um livro de adolescentes, de bruxas e bruxos com um feitiço de amor que deu errado, é uma história de fantasia, agradável  de ler, com aventura, sobrenatural, descobertas e que por ser uma trilogia, esse primeiro livro foi só um aperitivo. Bem escrito . Recomendo.

Li em ebook, recebido pela Leya. A capa é linda, a tradução e revisão bem feitas.

 

Capa, ficha técnica, sinopse

Uma bruxa na cidade

A Witch in Winter

Ruth Warburton
ISBN: 9788580448566
Editora: Leya
Número de páginas: 344
Encadernação: Brochura
Ano Edição: 2013

Disponível em eBook

Sinopse

Quando o amor e a magia se misturam, quem poderá distinguir a fantasia da realidade?Anna Winterson não sabe que é uma bruxa, e provavelmente zombaria de quem insinuasse algo parecido. Quando ela se muda para a cidade de Winter, começa a descobrir do que é capaz quando usa seus poderes. A confusão começa quando ela conhece Seth, o garoto mais bonito e cobiçado da escola. Numa brincadeira aparentemente inofensiva, Anna o enfeitiça para que ele se apaixone. E, sem querer, acaba deflagrando uma guerra entre dois clãs de bruxos rivais. A bruxinha quer apenas viver seu amor, mas se sua mágica é capaz de controlar a paixão de Seth, ela poderia ser tão monstruosa quanto os seres que estão tentando usar seus poderes em benefício próprio?

Boa leitura.

See ya!

Rosana Gutierrez

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UMA ENTREVISTA COM RUTH WARBURTON

O que levou você a escrever Uma bruxa na cidade?

Sempre escrevi histórias; a primeira que me lembro de escrever foi quando tinha sete anos e era sobre… bruxas! Surpresa, surpresa. Não me lembro do título, mas recordo que era sobre um zelador de fábrica chamado Cardy. Ele estava varrendo a fábrica uma noite e foi surpreendido por uma mãe e sua filha que apareciam em uma das passarelas no alto, acima do chão da fábrica. Coisas estranhas começam a acontecer, e ele percebe que é Halloween… A história era contada do ponto de vista de Cardy, um homem de sessenta anos, o que, em retrospecto, era uma escolha estranha para uma garota de sete anos de idade, mas lembro que meu professor gostou.

Escrevi várias outras histórias depois disso, e elas ficaram mais e mais compridas, mas levei bastante tempo para voltar ao tema das bruxas. Um dia, estava ouvindo um programa na rádio sobre o romance na literatura, e um dos entrevistados disse que o desafio era encontrar motivos originais para manter o herói e a heroína separados – porque não havia história se eles simplesmente caíssem nos braços um do outro e vivessem felizes para sempre logo na primeira página. Escutei isso, pensando que, para mim, a razão mais razoável para um não cair nos braços do outro era não saberem se realmente se gostavam ou não. E, de repente, a ideia para este livro surgiu em minha mente – uma garota que encanta o garoto de seus sonhos para que ele se apaixone por ela, mas então tem de viver com o fato de que nunca terá certeza se ele realmente a ama.

 

Pode nos falar um pouco mais sobre os feitiços no livro – como você os pesquisou?

Muitos deles são baseados em crenças reais, por exemplo, a ideia de colocar uma vassoura na porta para impedir que o mal entre é encontrada em várias culturas. E a parte que Liz lê em voz alta sobre a esposa colocar sangue no vinho do marido é realmente um feitiço vodu antigo (embora, na tradição vodu, você acrescente sangue ao café).

O feitiço redutor é baseado em um antigo feitiço hebraico para banir espíritos e demônios. Você pega o nome do demônio e o diminui, letra por letra, até que o demônio seja vencido.

Logo, há muitas sementes de tradições populares e de diferentes práticas de bruxaria, mas eu as adaptei aos meus propósitos, e nenhum dos feitiços que Anna faz é verdadeiro.

 

Parece que os encantamentos são escritos em língua estrangeira – são?

Mais ou menos, sim. Estão, em grande parte, escritos em anglo-saxão (também conhecido como inglês arcaico – o inglês de Beowulf, de Dream of the Rood e da Crônica Anglo-Saxônica). Esse era o idioma falado na Inglaterra antes do ano 1000 d.C. Mais tarde, misturou-se com o norueguês, com o francês e com outras línguas, e se tornou o inglês da Idade Média (o inglês de Chaucer e Malory) e, finalmente, o inglês moderno (que é o inglês de Shakespeare e também o que falamos hoje).

Estudei anglo-saxão como parte da minha graduação em língua inglesa, e achei realmente difícil! É basicamente um idioma totalmente estrangeiro e quase impossível de ler sem um dicionário e uma gramática, embora algumas palavras soem como suas equivalentes modernas, quando lidas em voz alta. Por exemplo, o “sc” é normalmente pronunciado “sh”, então a palavra em inglês arcaico “Sceadu” é pronunciada de modo bem similar ao que significa em inglês moderno: “shadow” (sombra).

Muitas das palavras dos encantamentos foram emprestadas da poesia anglo-saxã, particularmente de Beowulf, que é belo e cheio de palavras e frases evocativas: o mar é um “hronráde”, o que significa “estrada de baleias”, por exemplo. Várias das frases usadas para descrever e convocar o demônio da tempestade são tiradas de Beowulf, incluindo a palavra “Hwat!”, que introduz o feitiço. Essa é uma palavra usada na poesia anglo-saxã para começar um poema e significa algo como “ei” ou “escute”. É completamente inadequada para se usar em um feitiço, mas amei a ideia de um poeta jogando um feitiço sobre seus ouvintes, levando-os ao transe, como Anna ao evocar o demônio.

 

Winter é uma cidade real?

Não, mas foi inspirada em vários lugares reais. A beira-mar vem de feriados na Cornuália, em Devon e em Brittany, mas a cidade de Winter, em si, foi influenciada por Lewes, onde cresci. Lewes não é exatamente como Winter – é maior, para começar, e está a oito ou nove quilômetros no interior do continente – mas tem muitas similaridades. Tem uma história muito extensa, incluindo um forte da Idade do Ferro em Monte Caburn, sobre a cidade, e um castelo em ruínas assustador com quase mil anos, que inspirou parcialmente o Castelo de Winter (embora o Castelo de Lewes esteja no meio da cidade, não com vista para o mar). Lewes também foi seriamente inundada no ano 2000, enquanto eu ainda vivia na cidade. A casa do meu pai, que dá para o rio, ficou com quase um metro de água, e um pouco dessa experiência está no livro.

 

Quem é seu personagem favorito?

Ah, isso é realmente difícil! Não tenho certeza se posso escolher um – o que eu tenho é uma queda por Emmaline. Em parte, porque ela tem as mesmas falhas que eu – posso ser igualmente sarcástica e impaciente –, e, em parte, porque para ela o mais importante é a irmandade. Amo uma mulher assumidamente forte que está aí para seus amigos.

Mas também amo Anna – ela se esforça tanto para fazer a coisa certa, mesmo quando é dolorosa. E é corajosa, mesmo quando está cheia de dúvidas a respeito de si mesma, que é a maior forma de coragem, na verdade.

E, é claro, adoro Seth – por amar Anna de um jeito tão verdadeiro, sem querer mudá-la ou limitá-la, ou torná-la menos do que ela pode ser, e por não se perturbar com a perspectiva de uma namorada que pode chutar seu traseiro quantas vezes quiser. Nunca poderia escrever um livro no qual apenas os garotos tivessem os poderes bacanas e fizessem coisas divertidas, e as garotas só ficassem por aí para serem salvas – neste livro, Anna é quem tem os poderes legais, e ela e Seth salvam um ao outro de diferentes maneiras.

Na verdade, gosto de todas as garotas do livro – até mesmo de Caroline, que era uma coisa bem rude, na minha opinião.

 

Vai haver uma sequência?

Sim! A Witch in Love (ainda sem título oficial no Brasil). Fiquem ligados…

Os leitores podem entrar em contato para fazer suas próprias perguntas?

Sim! Adoro ouvir os leitores. Vocês podem me encontrar online em www.ruthwarburton.com (site em inglês). Por favor, venham dizer oi!

 

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4 Comments

  1. 22/12/2014

    Olá! Ainda não saiu aqui.
    😉

  2. Ieda
    21/12/2014

    Alguém sabe qual é o terceiro livro dessa série? Já foi publicado no Brasil?

  3. 28/10/2013

    Gostei muito da sua resenha é muito bom saber que é uma história diferenciada e surpreendente muito legal eu quero ler e também gostei da entrevista a autora é uma graça.

    Bjus

  4. Cris Silveira
    23/10/2013

    Adoro livros sobre bruxas. Mesmo sendo YA, me interessei.
    Bjs

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