Tenho mania de ler um livro munida de post-it’s, porque sabe se lá quando uma boa citação pode aparecer. Adoro citações. Gosto de abrir um livro nas páginas marcadas e sentir de novo aquela emoção que senti ao descobrir aquela frase dentre tantas outras. Comecei Todo Dia em um dia comum, indo pra faculdade, e percebi que tinha esquecido meu bloquinho. Fiquei anotando as referências de todas as citações que encontrava pela trajetória da leitura, e a primeira coisa que fiz ao chegar na faculdade foi comprar um bloquinho novo. Mas conforme ia lendo, fui percebendo que, na verdade, o livro era todo uma grande citação, daquelas que você quer reler sempre, dividir com os amigos, tatuar no corpo. Como eu poderia selecionar algumas frases quando toda a história era uma grande lição, que nem mesmo era disfarçada na poesia que é a narrativa de Levithan. Foi amor à primeira, à segunda, à terceira vista. Me apaixonei 280 vezes até que, triste e felizmente, o livro terminou.

 

“Todos nós temos mistérios, principalmente quando vistos pelo lado de dentro”

 

Nessa história, A, o personagem principal, acorda todos os dias em um corpo diferente. A cada dia, A habita um novo corpo. Homem, mulher, homossexual, heterossexual. A é simplesmente A. A única certeza que ele tem é que ele vai acordar em um corpo que tenha a mesma idade que ele acha que tem. Nesse caso, 17 anos. A tenta não interferir na vida de seu “hospedeiro” enquanto vive 24h em seu corpo. Se o corpo em que ele está tem aulas, ele vai às aulas e tenta se esforçar. Se ele esbarra com alguém que o cumprimenta, A acessa as memórias de seu corpo para saber se eles realmente se conhecem. Mas durante essas 24h ele tenta se manter neutro. Isso porque ele não tem acesso às memórias do corpo em que habita. E sem querer alterar o curso da vida de quem realmente possui aquele corpo, A acaba passando seus dias numa invisibilidade inevitável.

 

“Todo dia sou uma pessoa diferente. Eu sou eu, sei que sou, mas também sou outra pessoa.

E sempre foi assim.”

“Nunca vou compreender, não mais do que qualquer pessoa normal entenderá a própria existência. Depois de algum tempo é preciso aceitar o fato de que você simplesmente existe. Não há meio de saber o porquê.”

 

Só que, um dia, A acorda no corpo de Justin, um garoto que não tinha o melhor dos comportamentos. Com uma péssima relação com seus pais e um péssimo hábito de fumar, acessar à suas memórias faz com que A perceba que seu dia não vai ser fácil. Só que ele nem imagina que naquele dia seu jeito de viver iria mudar completamente. Quando chega na escola de Justin, ele segue o dia a dia de seu corpo até que algo lhe chama a atenção. Na verdade, alguém chama a sua atenção. E essa pessoa era Rihannon, a namorada de Justin.

Lembra que A não gosta de interferir na vida de quem habita? Ele também não se permite ter apego. Afinal, qual o sentido de se apegar a algo que ele vai ter por apenas um dia? Só que, dessa vez, ele não teve opção.

 

” Me flagro sorrindo quando ela se aproxima, e ela retribui. Simples assim. Simples e complicado, como a maior parte das coisas verdadeiras”

 

Nesse dia especificamente, A quebra todas as suas regras e acaba fazendo com que seu dia, e o de Rihannon, seja memorável. Tão memorável que ele não consegue esquecer a menina no dia seguinte e, apaixonado, ele começa a passar seus dias buscando Rihannon da maneira que pudesse. E toda a precaução e os artifícios que A usavam para se manter ileso e manter aos outros intactos acabam indo por terra quando A finalmente se apaixona.

 

“Apaixonar-se por alguém não significa que você saiba como a pessoa se sente. Significa apenas que você sabe como você se sente.”

Todo Dia é uma forma genial de ver o amor. É instigante até dizer chega, e te faz transbordar com a forma que David expõe as situações em que A se encontra. É cheio de pequenos detalhes que fazem com que a narrativa seja cada vez mais atraente, e faz o leitor ver os sentimentos de uma outra perspectiva. Será que o que sentimos é o que pensamos ser? O que será o amor verdadeiro? E ele é pautado só no que sentimos, ou também é influenciado pelo que vemos?”Se tem uma coisa que aprendi é isso: todos nós queremos que tudo fique bem. Nem mesmo desejamos que as coisas sejam fantásticas, maravilhosas ou extraordinárias. Satisfeitos, aceitamos o bem, porque, na maior parte do tempo, bem é o suficiente”

É uma forma doce de ver questões dificeis pelas quais todas passamos algum dia. Os questionamentos de A são, muitas vezes, parecidos com o da maior parte das pessoas. Te faz pensar na sua visão para sentimentos rotineiros como a amizade e o amor. É desconcertante em muitas partes, mas não é assim que nos sentimos, muitas vezes? A linguagem do livro é tão leve que você nem sente como ele fala de coisas complexas. Sem contar que o final foi tão, mas tão surpreendente! Levithan fez meus olhos encherem de água, meu coração se encher de amor e minha mente se encher de uma alegria um pouco desesperada. Um dos livros que foram pro meu top 10 desse ano, e um dos melhores livros que já li na vida. Uma experiência que todos devem aproveitar.

“Essa é a armadilha de ter algo para o qual se viver:

Todo o resto parece sem vida.”

Boa leitura.

Capa, ficha técnica, sinopse

Todo Dia

David Levithan
ISBN:  9788501099518
Editora:  Galera Record
Número de páginas: 280
Encadernação: Brochura
Formato: 14 X 21 cm
Ano Edição: 2013
Tradução: Ana Resende

Sinopse

Neste novo romance, David Levithan leva a criatividade a outro patamar. Seu protagonista, A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.

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