Por Bruna Britti

Em Um Perfeito Cavalheiro, posso dizer que finalmente fiz as pazes com o texto da autora. Longe de Julia Quinn ser ruim, ela apenas tem um estilo que não me agradou tanto quanto eu imaginava. Nos primeiros dois livros, a autora permeia uma narrativa mais voltada a sátira dos costumes sociais da alta nobreza, trazendo situações embaraçosas e cômicas aos seus personagens. Embora esse tom jocoso seja agradável, eu sempre acabava sentindo falta de algo mais nas histórias dela.

Um Perfeito Cavalheiro, portanto, foi esse toque que faltava. A história é uma releitura do conto “Cinderela”, mas soube, ao mesmo tempo, trabalhar características que deram à história sua própria identidade. Um Perfeito Cavalheiro fala sobre Sophie e sua vida como bastarda na casa de seu pai. Relegada aos cuidados da criadagem, Sophie cresceu sem amigos e sem a atenção do dono da casa, mas tinha uma vida razoavelmente confortável. Então, de repente, seu pai volta de uma viagem com uma madrasta e duas meninas que mudariam a vida dela para sempre.

O pai de Sophie morre, deixando Araminta livre para praticar suas maldades com a menina que ela sempre odiara. A garota passa, então, a ser uma empregada na casa onde mora – ou melhor, uma escrava, já que não recebia pagamento pelos incontáveis serviços que prestava à Araminta.

Em uma noite, Sophie está costurando os vestidos que sua madrasta e as filhas desta usariam em um baile de máscaras dado pelos Bridgertons. A menina apenas sonha em silêncio em ir a um baile daqueles – ao menos uma vez na sua vida –, e seu pedido acaba sendo atendido por uma das empregadas. A filha bastarda do conde vai ao evento e, lá, encontra Benedict Bridgerton. Em uma noite perfeita – porém curta –, Sophie se apaixona pelo rapaz e leva a lembrança de uma noite mágica durante dois anos, até que o reencontra em uma situação inesperada. Seria possível que ele se lembrasse dela?

A história transborda situações fofas e engraçadas. Desta vez, o obstáculo que os personagens precisam superar está na diferença de classe social entre eles – um argumento que rende ótimos momentos entre o casal. Benedict está sempre provocando-a e perseguindo-a na casa da mãe dele, onde Sophie trabalha como camareira. Já esta tenta lutar contra os próprios sentimentos, embora não resista, vez ou outra, ao charme e a simpatia – e, devo acrescentar, muita insistência –, do rapaz. Sophie não nega o que sente por Benedict, mas, ao mesmo tempo, mantém certa prudência devido a sua classe social. Aos poucos, a diferença entre eles é deixada de lado.

No melhor estilo conto de fadas, Um Perfeito Cavalheiro trouxe um enredo divertido, engraçado e muito romântico. A autora cede suas páginas para uma interação maior entre os personagens secundários – o que, talvez, tenha sido este o diferencial do livro. Victoria, a mãe de Benedict, é um dos grandes destaques da história, e uma figura alegre e encantadora. Aliás, toda a família Bridgerton está mais presente, promovendo as melhores passagens quando se reúnem. Em diversos momentos me peguei com aquele sorrisinho bobo no rosto, pois é impossível não cair de amores pelos diálogos descontraídos entre a família.

Um Perfeito Cavalheiro foi uma dos livros mais fofos que li em meses. Terminei a leitura com dó de fechar o livro, tamanha foi minha afinidade com a história. Julia Quinn não deixou de tecer sua crítica costumeira a algum aspecto dos costumes sociais da época – o que, neste caso, serial a diferença de classes sociais e as regras impostas a eles, mas, dessa vez, senti que o romance ganhou um destaque mais aprofundado. Benedict e Sophie formaram o melhor casal da série, sem sombra de dúvida. Adorei!

Série Os Bridgertons

  1. O duque e eu
  2. O visconde que me amava
  3. Um perfeito cavalheiro
  4. Os segredos de Mr. Bridgerton
  5. Para Sir Philip, com amor
  6. O conde enfeitiçado
  7. Um beijo inesquecível
  8. A caminho do altar

Capa, ficha técnica, Sinopse

perfeito-cavalheiro

Um Perfeito Cavalheiro

Familia Bridgerton – Livro 03

Julia Quinn
ISBN: 9788580411973
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 304
Encadernação: Brochura
Formato: 16 X 23 cm
Ano Edição: 2013
Tradução Ana Resende

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Sinopse

A temporada de bailes e festas de 1814 acaba de começar em Londres. Como de costume, as mães ambiciosas já estão ávidas por encontrar um marido adequado para suas filhas. Ao que tudo indica, o solteiro mais cobiçado do ano será Anthony Bridgerton, um visconde charmoso, elegante e muito rico que, contrariando as probabilidades, resolve dar um basta na rotina de libertino e arranjar uma noiva.

Logo ele decide que Edwina Sheffield, a debutante mais linda da estação, é a candidata ideal. Mas, para levá-la ao altar, primeiro terá que convencer Kate, a irmã mais velha da jovem, de que merece se casar com ela.

Não será uma tarefa fácil, porque Kate não acredita que ex-libertinos possam se transformar em bons maridos e não deixará Edwina cair nas garras dele.

Enquanto faz de tudo para afastá-lo da irmã, Kate descobre que o visconde devasso é também um homem honesto e gentil. Ao mesmo tempo, Anthony começa a sonhar com ela, apesar de achá-la a criatura mais intrometida e irritante que já pisou nos salões de Londres. Aos poucos, os dois percebem que essa centelha de desejo pode ser mais do que uma simples atração.

Considerada a Jane Austen contemporânea, Julia Quinn mantém, neste segundo livro da série Os Bridgertons, o senso de humor e a capacidade de despertar emoções que lhe permitem construir personagens carismáticos e histórias inesquecíveis.

Boa leitura!

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