Olá! A resenha de hoje é de A Escolha, da Kiera Cass feita pela Samantha do blog Biblioteca empoeirada.

 

E de repente a história muda e se transforma em um livro do Nicholas Sparks…
Eu gostaria de dizer que li o livro inteiro, mas não consegui. Apesar de gostar muito da história criada pela autora, o último livro me causou uma decepção tão grande que não consegui engolir mais da metade.

Eu não tenho nada contra os livros do Nicholas Sparks, mas os livros que ele escreve funcionam bem para as histórias que ele cria e, principalmente, funcionam bem para livros únicos.

Vou contar desde o começo, quem sabe assim as pessoas entendam a minha decepção. Em A Seleção, encontramos America e Aspen, por ser de uma casta inferior Aspen termina o namoro secreto e diz que ela merece coisa melhor, que ela deveria se inscrever para a seleção.

Nesse momento fiquei com ódio do Aspen, acredito que todo mundo tenha ficado, pensamos que ele era egoísta, orgulhoso e que não amava America. Passado algum tempo eu me coloquei no lugar dele. Pobre, com uma família para cuidar e sem conseguir alimentar, sabendo que caso se casasse com America, esse seria o futuro dela, passar fome, sem poder cantar e tocar, que são coisas que ela ama.

Vocês conhecem aquele ditado que diz: “Quando a dificuldade entra pela porta, o amor sai pela janela”? Pois é, por quanto tempo esse amor duraria diante de provações tão grandes, passar fome não é fácil e a ninguém vive só de amor. Foi aí que eu me apaixonei pela história, Aspen foi o primeiro personagem altruísta o suficiente para deixar o seu amor ir, porque ele acreditava que não era bom o suficiente e não queria vê-la sofrer com privações. Num mundo de livros onde o rapaz cai no poço e puxa a amada junto para não se separaram, achei isso uma verdadeira prova de amor, pela primeira vez vi uma atitude mais mundo real e menos mundo da fantasia. Ele foi orgulhoso? Foi, mas ele não tem nada, permitam que tenha pelo menos orgulho.

Essa fase passou e America foi para a seleção, lá conheceu o príncipe Maxon e eles se tornaram amigos, ela estava se curando de um amor perdido e ele entendeu, pensei que seria uma possibilidade de America curar seu coração partido. Por mais que não conhecesse a vida lá fora, Maxon aprendeu coisas com a America e tentou fazer mudanças. Foi aí que me apaixonei pela história novamente. Era a primeira vez que uma distopia trazia a diplomacia para resolver os problemas, uma tentativa de resolver coisas, mesmo que pequenas, conversando, entendendo, discutindo.

Talvez para quem esteja do lado de fora pareça bobagem, mas tudo isso junto tornou a história, por mais boba que fosse, realmente maravilhosa para mim. Eu vi uma luzinha no final do túnel, aquele raiozinho de esperança das coisas mudarem um pouco.

Entretanto, o Aspen volta como soldado e as coisas realmente começam a complicar. Atentem para o fato de que essas situações não tem uma diferença de tempo muito gigantesca, são dois, no máximo três meses. Nesse momento America fica extremamente confusa, tem Maxon que mostrou ter sentimentos por ela e tem Aspen que foi seu grande amor (ou ainda é!).

Muitos criticaram essa dúvida, mas eu achei totalmente compreensível. Afinal, não se muda de ideia tão rapidamente, ela ia se casar com Aspen e Maxon apareceu em seu momento mais carente. Se America não ficasse em dúvida seria a garota mais volúvel da face da Terra.

Em um primeiro momento Aspen tentou ter America de volta, mas após perceber que as coisas não se resolveriam assim, ele muda. Sim, em A Elite eu conheci um Aspen que realmente ama America, todas as vezes que ela faz alguma coisa errada (e não são poucas) ele está lá. É ele que dá colo quando ela briga com alguém, é ele que mostra para ela os motivos pelos quais ela não deve desistir. Ele mostra que além do homem que a ama, ele a conhece profundamente, acima de tudo é seu amigo.

Nesse momento eu percebi uma mudança em Maxon, e vi algo que eu não gostei. Nós sabemos que a seleção tem 35 garotas e que ele tem que escolher uma, mas precisava apalpar todas como se fossem mamão na feira? Sim, durante A Elite eu pude perceber que Maxon usa as garotas. É agora que todo mundo corre justificar dizendo que as garotas deixaram.

Pode até ser, mas primeiro de tudo a grande maioria daquelas garotas está ali por um propósito além de casar. Algumas são de castas inferiores, quanto mais tempo ficarem na seleção mais dinheiro suas famílias recebem e tem a possibilidade de se alimentar melhor e ajudar os amigos. Outras estão lá por política, são de famílias com situação melhor, mas que desejam contatos e ser da realeza é um senhor contato. E não, as atitudes do príncipe não se justificam, ele sabia de tudo isso e poderia manter uma distância respeitosa das garotas para fazer a seleção, porém prefere tirar uma casquinha de todas.

Até admito que no início não fazia muita diferença, mas em certo momento ele diz para America que se ela quiser ele acaba com a seleção e fica com ela. Minutos depois está em um corredor escuro com a Celeste.

Agora vamos falar com você garota da vida real, como você se sentiria?

O rapaz diz que quer ficar com você, mas em nome do “dever” vai se atracar com outra. Eu não sei você, mas eu me sentiria um lixo, traída e ainda por cima saberia que não poderia confiar na palavra dessa pessoa. E, por favor, não culpem a America, é chato ver a mulher sempre levar a culpa e o homem é sempre o inocente, ele tinha duas opções: não falar isso para America e continuar do jeito que estava ou aceitar a necessidade de tempo da America e manter uma distância das meninas. Ele não precisava deixar de sair ou conhecer as meninas, mas poderia evitar o contato mais íntimo. Maxon, minhas colegas, aqui fora seria um cafajeste. Acredito que ele tenha sido baseado no Príncipe Charles e só nos restava saber se America ia ser a sempre triste Lady Di.

O que mais me causou estranheza nesses dois primeiros livros foi o fato de Maxon sempre merecer uma segunda, terceira, quarta e quinta chances, independente do que tenha feito. E Aspen, que cometeu um erro por amor, nunca ter direito a uma segunda chance. Parece que o ato que ele cometeu é considerado tão terrível que não merece perdão, talvez um amor que pense na pessoa que se ama não seja atraente.

Mesmo assim, eu adorei A Elite, achei um livro com conflitos, não dava para se ter ideia de com quem America ia ficar, ela estava tão confusa que nós ficamos confusas. Isso é um ponto muito positivo para o livro. Ela poderia ficar com o Aspen, ficar com o Maxon ou então dar um chute nos dois.

Um ano se passou e todo mundo estava esperando ansioso por A Escolha, pois é, mas na primeira página já dava para saber como a história ia terminar.

Tudo mudou demais, eu encontrei uma America que de confusa foi para mais decidida do que Joana D’Arc, chegando até a tomar atitudes que nem a Celeste (sem escrúpulos) tinha cogitado. As criadas da America estavam diferentes, as garotas da elite estavam diferentes. Na verdade, com uma delas a mudança foi tão brusca e injustificada que me perguntei se tinha perdido alguma coisa entre as linhas. Um dos personagens principais de uma hora para outra virou mais um, até os coadjuvantes apareciam mais do que ele. E a mudança de sentimentos pareceu tão artificial e abrupta que me fez pensar se eu estava lendo a continuação da mesma história.

America virou uma deslumbrada, até em momentos onde suas concorrentes estavam preocupadas, ela estava tomando banho de chuva. E depois, em alguns momentos voltamos a ter a America que conhecíamos. Na verdade, acho que os únicos personagens que continuam iguais são o rei e Maxon. E o pior é que Maxon continua a agir daquela forma reprovável, sinceramente, nem Travis Madoxx fez algo desse tipo.

Dizer que a série é uma distopia seria um erro. O início é uma tentativa de distopia, mas a autora se perdeu, A Escolha é mais um namoro na TV. Foi esse o grande motivo de eu ter abandonado o livro. Não é uma questão de concordar ou não com o final, e sim de saber que o final poderia ter sido o mesmo sem que ela se perdesse completamente na história que criou. Eu me senti perdendo os personagens que eu conhecia e, além de tudo, perdi a America que eu conhecia e admirava.

Eu ainda amo A Seleção e A Elite, mas essa é a primeira vez que me sinto tão decepcionada com uma história e é muito provável que não vá ler mais Kiera Cass.

Eu sei que muita gente não vai concordar com essa resenha, mas é sempre importante lembrar que todos têm o direito de gostar ou não de um livro. Em nenhum momento julgo quem gostou. Mas gostaria de ter o direito de me sentir decepcionada com a história que eu tanto amei.

Samantha

 

Capa, ficha técnica, Sinopse

a escolha

A escolha

The One

Kiera Cass
ISBN:9788565765374
Editora: Seguinte
Número de páginas: 352
Encadernação: Brochura
Formato: 14 X 21 cm
Ano Edição: 2014
Tradução: Cristian Clemente

Sinopse

America era a candidata mais improvável da Seleção: se inscreveu por insistência da mãe e aceitou participar da competição só para se afastar de Aspen, um garoto que partira seu coração. Ao conhecer melhor o príncipe, porém, surgiu uma amizade que logo se transformou em algo mais…

No entanto, toda vez que Maxon parecia estar certo de que escolheria America, algum obstáculo fazia os dois se afastarem.

Um desses obstáculos era Aspen, que passou a ocupar o posto de guarda no palácio e estava decidido a reconquistar a namorada. Em encontros proibidos, ele a reconfortava em meio àquele mundo de luxos e rivalidades. Com essas idas e vindas, America perdeu um pouco de espaço no coração do príncipe, lugar que foi prontamente ocupado por outra concorrente. Para completar, o rei odiava America e a considerava a pior opção para o filho. Assim, tentava sabotar a relação dos dois, inventando mentiras e colocando a garota em prova a todo instante.

Agora, para conseguir o que deseja, America precisa cortar os laços com Aspen, conquistar o povo de Illéa e conseguir novos aliados políticos. Mas tudo pode sair do controle quando ela começa a questionar o sistema de castas e a estratégia usada para lidar com os ataques rebeldes.

Boa leitura!

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