Alguns segredos só conseguimos contar aos nossos maiores ídolos.

Olá!

A resenha de hoje é do livro Cartas de amor aos mortos, de Ava Dellaira.

Eu adorei a história. Laurel perdeu a inseparável irmã mais velha, a mão está na Califórnia, tudo isso e ainda ter de lidar com as dúvidas e transições da adolescência. Não tem nada de mórbido, nem banal.

O livro é narrado por Laurel, através de cartas escritas por ela, para pessoas que já morreram, mas que de alguma forma tem alguma coisa a ver com seu cotidiano e o que passou nos últimos tempos. Por exemplo Kurt Cobain, vocalista da banda Nirvana. Ela escreve para ele, fala do que pensa sobre a carta que ele deixou e foi encontrada depois que ele se suicidou, como ele pode deixar a filha, etc. Ela ouve direto o álbum In Utero do Nirvana e no quarto de sua irmã o poster dele é sempre citado. Ela fala de como a maneira dele cantar é impressionante e de como ela e a irmã sempre gostaram de Nirvana.

Às vezes suas músicas dão a impressão de que existia muita coisa dentro de você. Talvez você nem tenha conseguido colocar tudo para fora. Talvez tenha sido por isso que morreu. Como se tivesse implodido. Acho que não estou fazendo a tarefa direito. Talvez eu tente de novo mais tarde. — na carta para Kurt Cobain

O interessante é que conforme as experiências que Laurel vai passando, as cartas vão ficando mais intensas e mais do que aconteceu antes da morte da irmã, nos é apresentado.

Na verdade, era para ser uma carta, para alguém que ela perdeu, somente um trabalho da escola. Mas ela não entrega durante o ano letivo.

As duas irmãs sempre brincavam que May era fada e que seus feitiços afastavam as bruxas, mas May sempre achou que era a “cola”que mantinha unida a família, e como se sentiu mal pela separação.

Após a morte de May, Laurel continua sua vida, mas seguindo de certa forma os passos da irmã. Vai descobrindo que ela estava meio perdida. E, Laurel, também está meio  perdida e destrutiva. Ela sente muita culpa e guarda um segredo que a consome.

Agora é sua entrada no ensino médio e ela muda de escola para não ficar perto dos antigos amigos e de quem conhecia May, para não ter aquele olhar de piedade. E, nessa escola nova, ninguém a conhece. É perto da casa de sua tia, irmã de sua mãe. Por conta da separação dos pais, uma semana seria com o pai e a outra com a mãe, mas a mãe foi para Califórnia, para se “encontrar” e Laurel vai passar essas semanas revesadas na casa da tia, que tem um apego bem grande com religião.

Ela faz amigos, os “estranhos normais” Hannah e Natalie,  com quem se sente bem. Depois, são Tristan e Kristen em seu círculo de amigos. Apaixona-se por Sky, um garoto que foi expulso da antiga escola e meio misterioso, e até o fim do livro, vai descobrindo o quanto eles tem em comum e uma ligação que ela não imaginaria.

Dúvidas, amadurecimento, ritos de passagem da adolescência, tudo muito bem abordado e sempre através das narrações. A autora fez de uma maneira que nos envolvemos na história e nos surpreendemos a cada carta. São conversas íntimas , segredos divididos com um amigo próximo.

São cartas para Amelia Earhart , pioneira na aviação, Janis Jopplin, Jim Morisson e outros músicos, Judy Garland , escritores, poetas como Byron, Keats. Laurel sempre traça um paralelo com as experiências dela e da irmã e a vida dessas pessoas e também conta um pouquinho da história de quem a carta se destina.

Todo mundo conhece sua voz. Mas nem todo mundo sabe de onde você realmente é, a não ser dos ?lmes.Penso em você pequena, em dezembro, na cidade onde cresceu, perto do deserto de Mojave, sapateando no palco do cinema do seu pai. Cantando músicas de Natal. Você aprendeu logo que os aplausos fazem alguém se sentir amado.Penso em você nas noites de verão, quando todo mundo ia ao teatro para aproveitar o ar-condicionado. No palco, você fazia a plateia esquecer por um momento as mazelas da vida. Sua mãe e seu pai sorriam. A maior emoção deles era ver você cantar.Depois, o ?lme passava como um borrão preto e branco, e de repente você tinha sono. Seu pai a levava para fora, e era hora de voltar para casa naquele carro enorme, como um barco navegando na superfície de asfalto escuro. — na carta para Juddy Garland

Um livro adorável, que vai surpreender .

Capa é linda. Como recebi a prova do livro, não é a versão final, então não falarei nada da revisão, mas a tradução está ótima.

Capa, ficha técnica, sinopse

cartas de amor aos mortos

CARTAS DE AMOR AOS MORTOS

Love letters to the dead

Ava Dellaira
ISBN:9788565765411
Editora: Seguinte
Número de páginas: 344
Encadernação: Brochura
Formato: 14 X 21 cm
Ano Edição: 2014
Tradução: Alyne Azuma


Leia as primeiras páginas: http://pt.scribd.com/doc/228371305/Cartas-de-amor-aos-mortos-Ava-Dellaira

 

Sinopse

Prestes a começar o ensino médio, Laurel decide mudar de escola para não ter que encarar as pessoas comentando sobre a morte de sua irmã mais velha, May. A rotina no novo colégio não está fácil, e, para completar, a professora de inglês passa uma tarefa nada usual: escrever uma carta para alguém que já morreu. Laurel começa a escrever em seu caderno várias mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Elizabeth Bishop… sem nunca entregá-las à professora.
Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky.
Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era – encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um – é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho.

“Uma história brilhante sobre a coragem necessária para continuar vivendo depois que nosso mundo desmorona. Uma celebração comovente do amor, da amizade e da família.” – Laurie Halse Anderson, autora de Fale!

“Assim como Kurt, Janis, Amelia e outros que já se foram mas de algum jeito permanecem aqui, Cartas de amor aos mortos deixa uma marca indelével.” – Gayle Forman, autora de Se eu ficar

 

AVA DELLAIRA é formada pela Universidade de Chicago e mestre pela Iowa Writers’ Workshop. Atualmente vive em Santa Monica, na Califórnia, onde trabalha na indústria cinematográfica e escreve seu segundo romance.

www.avadellaira.com

Boa leitura

See ya!

Rosana Gutierrez

 

 

 

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