Por Gianpaolo Celli, consultor do Aliteração Serviços Editoriais

Há algum tempo atrás escrevi num post: “Tenha uma ideia original, crie uma trama interessante e escreva uma boa história, e você venderá um livro; faça isso e crie um personagem carismático e você venderá quantos livros escrever sobre ele”. A respeito da questão: o que vem a ser ‘uma ideia original’ ou ‘uma trama interessante’ e ‘uma boa história’? Comentarei outro dia, até porque o assunto retornou à baila num Coaching, ou Aconselhamento Literário, que ministrei esta semana, e cujo tópico era PERSONAGENS.

Um dos pontos que levantei (e que acho muito importante)  é a respeito das séries televisivas com uma história padrão completa por episódio. Digo isso pois, já há muito tempo, uma amiga uma vez questionou a respeito delas, questionando o porquê das pessoas assistirem, tendo em vista que as tramas eram sempre as mesmas. FALA SÉRIO! Respondi: “Não é obvio? Elas continuam assistindo porque sentem empatia com um ou mais personagens”.

“Então qual a diferença de uma série? De uma minissérie (ou série cuja trama trabalha como uma novela de TV), e de um filme cinematográfico?”, você pode perguntar. FALA SÉRIO! A diferença é simples:

Enquanto num filme, ou numa minissérie/novela televisiva existe o desenvolvimento do personagem dentro de uma dada situação, na série televisiva o personagem sempre mantém o mesmo arquétipo, de modo a manter a empatia do público. Ou seja, no filme, como no livro, o personagem gera um arquétipo e a trama uma situação arquetípica, ambos gerando empatia do público.

E se empatia é uma resposta afetiva criada quando o público é capaz de se colocar no lugar de, no caso, um ou mais personagens, arquétipos são segundo a psicologia analítica (criada por Jung) imagens primitivas do inconsciente coletivo. Moldes padrão que temos desde o princípio da humanidade e cuja função é atuar como base em nosso amadurecimento pessoal.

Esses símbolos, como a figura da donzela em perigo, da mãe protetora, do mentor sábio, ou do herói valente – ou a guerreira independente, a mãe castradora, o líder rabugento, mas protetor, e o anti-herói, são figuras/situações que a maioria da humanidade vivenciou, vivencia ou vivenciará em seu desenvolvimento como pessoa, tanto que são encontrados em todos os mitos das mais variadas religiões… E é exatamente por esse motivo que, quando usados na criação de personagens/tramas, geram uma empatia (resposta afetiva quando a pessoa consegue se ver no personagem) no público, que o faz voltar sempre ao personagem.

Como fazer para conhecer esses arquétipos? Poderia dizer “estude psicologia”, ou mesmo “leia mitologia”, mas FALA SÉRIO! Existe um modo mais simples. Se você gosta de ler (FALA SÉRIO! Para se tornar escritor gostar de ler é uma condição sine qua non), ou mesmo de ir ao cinema ou assistir séries, simplesmente verifique os personagens e/ou as situações com as quais você sente empatia e procure descobrir o porquê isso acontece. Anote que sentimentos tal cena, sequência ou personagem geram em você, e busque o porquê disso acontecer. E depois, quando você for criar, seja um personagem, cena ou a trama de história, tente imitar não o simplesmente o personagem, a cena ou a história, que geraram a resposta afetiva em você, mas os elementos que você descobriu este personagem, cena ou história e que geraram essa empatia.

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