por Milena Cherubim

Olá pessoal, como vocês estão? Essa é a minha primeira vez aqui no Livrólogos e estou muito feliz pelo convite, obrigada Rosana! Para quem não me conhece, sou a Milena Cherubim do Memories of the Angel, jornalista, mãe e devoradora de livros, de filmes, de séries e de chocolate!!!

O que falar desse livro que ao ver a capa você pode pensar que não é seu estilo de leitura? A Rosana me ganhou quando falou que ele era uma distopia. E eu imaginei “Com essa capa? Deve ser um livro muito, mas muito chato!” Às vezes podemos nos surpreender com relação a isso.

O livro realmente tem um ritmo mais lento, o que, para quem me conhece sabe que não gosto, mas neste caso o ritmo não me irritou, pois como a água, o livro consegue fluir em vários ritmos. Ora calmamente, ora um turbilhão.

Eu nunca tinha ouvido falar no Philip K. Dick Award, um prêmio conferido ao melhor livro feito em paperback (capa mole – brochura) na categoria de ficção científica. Não sou nerd, acredito nunca ter lido nenhum livro de ficção científica, mas tenho alguns em minha estante para leituras próximas, por isso acredito que esse livro mesmo sendo finalista não seria colocado nesta categoria e sim como distopia mesmo. Pois tudo acontece quando o nosso maior bem acaba.

Emmi Itäranta nos mostra como o poder, a corrupção, as mentiras, as traições afetam o ser humano mesmo no tempo de calamidade. No mundo não existe mais água potável, as nascentes secaram, água agora só dessalinizadas, mas alguns possuem segredos.

O livro traz a história de Noria Kaitio, a filha do Mestre do Chá. Uma profissão há muito esquecida. Mas em alguns vilarejos ainda se faziam presentes. Ai você fica pensando, “hum ok, falta água e existe ainda uma profissão de chá?”, pois é existe e ainda por cima existe um segredo. O mestre do chá cuida de uma nascente e sempre possui uma fonte de água fresca para o ritual do chá. Estranho? Não. Como os militares pegaram todas as nascentes e chamaram de sua, a única coisa que um verdadeiro mestre do chá pode fazer é cuidar para que a nascente sobreviva e que o ritual seja cumprido.

O livro mostra a relação de Noria com os pais, com a melhor e única amiga Sanja, com os militares, com a água e o que eu vejo como principal, a relação dela para com ela. Pode parecer estranho, mas quem nunca se pegou falando com você mesmo, pensando no que faria, no que poderia fazer, o que mudaria ou mesmo na dicotomia do que é certo e do que é fácil.

Aprendi muito com essa personagem. A dar valor às pequenas coisas como, por exemplo, um dia de chá, uma coisa que para nós parece banal, para eles era o ápice. Quem fosse convidado para o ritual ou era um militar poderoso ou tinha muito dinheiro. Aqui tomamos chá como se fosse uma caneca de café, só ingerimos. Você já pensou no sabor que a era produz enquanto está no bule? Ou o momento certo para se colocar a erva na água? Ou mesmo o que servir e o que falar quando se está com pessoas em sua mesa?

Sou uma pessoa que gosta muito de reunir amigos para bater papo em volta da mesa, seja apenas um chá da tarde ou mesmo um jantar. O comprometimento que temos é grande e fazer o outro se sentir especial traz uma paz e alegria que a autora conseguiu colocar nas páginas deste livro. Memória da água está na minha lista de livros que será eternamente indicado aos leitores. Por isso não espere não, vá ler logo e veja o porquê esse livro mexeu comigo.

Capa, ficha técnica, sinopse

Memória da Água

 

Memória da Água

Memory of Water: A Novel

Emmi Itaranta

ISBN: 9788501103116
Editora: Galera Record
Número de páginas: 288
Encadernação: Brochura
Formato: 16 X 23 cm
Ano Edição: 2015

Sinopse

Num futuro distante, depois de muitas guerras, a Europa foi dominada pela China, e o bem mais precioso dos tempos antigos se tornou tão escasso quanto a liberdade. A água passou a ser controlada e distribuída em cotas pelos militares. Noria é filha de um mestre do chá, uma profissão muito antiga que tem conhecimento sobre a localização das nascentes de água. Ela está sendo treinada para substituir o pai, e dentre todos os ensinamentos, ele revela à filha seu maior segredo: uma fonte natural escondida que fornece água para a família.

Desamparada em um mundo destruído, ela começa a questionar o significado de tamanho privilégio. Guardar esse segredo é negar ajuda ao restante de população, e ajudá-los é colocar em risco a própria vida: os militares punem severamente quem for descoberto desfrutando de alguma fonte ilegal de água. Como o pai a ensinou, é preciso ter sabedoria para compreender o verdadeiro poder da água. Mas Noria também aprendeu que a sabedoria representa, acima de tudo, o poder de decidir seu próprio destino, a escolha entre lutar e se entregar.

Boa leitura

Milena Cherubim

 

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