Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Já há muito tempo comento a respeito, mas há algum tempo duas coisas aconteceram que me fizeram voltar à questão das livrarias e sua função da equação que é o mercado editorial.

A primeira foi o desabafo de um editor cuja empresa acabara de fechar criticando a posição das livrarias, especialmente das grandes redes, de praticamente ignorar as editoras de médio e pequeno porte. Olha, isso eu posso dizer com certeza que sei bem o que é! Compreendo que a livraria é uma empresa e que, portanto, precisa lucrar. Entendo que dar ênfase aos best-sellers seja necessário, mas FALA SÉRIO!, isso, não quer dizer ignorar as médias e pequenas editoras, ou os livros nacionais que também chegam ao mercado.

Não vou nem argumentar a respeito do fato de que as livrarias ficam mais da metade do valor de capa do livro. Ou que cobrem em dinheiro os locais de mais destaque da loja. É sim, isso existe! Porque mesmo que sejamos só leitores e pensemos que isso não tem nada a ver conosco, este também é um dos fatores que encarece o preço do livro nacional.

Ou seja, quando vejo escritores criticando a “pobreza” que são os 10% de direitos autorais ou os leitores reclamando dos altos preços dos livros, às vezes a impressão que dá é que a culpa é da editora, que fica com todo o preço de capa, o que definitivamente não acontece. FALA SÉRIO! Caso você não saiba, praticamente 50% do preço do livro vai para a livraria!

A outra, que foi o que me fez conectar todos os pontos para escrever esse texto, foi uma situação constrangedora que já presenciei numa grande livraria, em que uma cliente foi tratada com muito descaso. FALA SÉRIO! Isso me fez lembrar uma situação da mesma rede de livrarias em que, devido a um problema entre a equipe de vendas e a administração da rede relativa à comissão, quase dez vendedores pediram as contas no meio de uma reunião. Como administrador, posso dizer que um funcionário motivado, bem treinado e que tenha uma remuneração à altura é um dos bens mais importantes de uma empresa. Especialmente se estamos falando de uma loja, cujo foco é exatamente o atendimento ao cliente.

Lembro de quando o foco de algumas livrarias era a qualidade. Ter, senão na loja no sistema, um acervo para todos os tipos de leitor, é o mínimo se tal negócio quer se manter no mercado. Porque FALA SÉRIO!, ouvir, como já aconteceu comigo, que um livro que já tive em mãos “não existe”, ao invés de “não consta em nosso sistema”; ou que, como aconteceu à cliente, uma versão importada do livro não existe na loja (quando existia), só para tentar empurrar a versão nacional, que é mais cara na maioria das vezes, não é só querer perder a venda, mas desrespeitar o cliente, e isso é impensável.

FALA SÉRIO! Para que o mercado cresça efetivamente, todas as partes devem agir em parceria, com a editora E a livraria trabalhando em conjunto PARA o cliente! O que estamos vendo ultimamente é a parte mais forte do sistema tentando esmagar as partes mais fracas ao invés de dar suporte. E quando isso acontece, não é só a parte mais fraca que termina sendo prejudicada, mas o cliente final também, e isso é totalmente contraproducente.