Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Muito se fala a respeito das novas tendências na literatura e de como elas influenciam o mercado. Estas podem ser estilos, gêneros, etc. E FALA SÉRIO! Só neste século já tivemos inúmeros, de vampiros a eróticos, passando por thrillers de mistério. Mas o que faz um livro se tornar uma tendência? E quem pode predizer quem se tornará?

Afinal, se algumas vezes as predições aconteceram, outras não ocorram como se havia imaginado. Por exemplo, analistas retornando da Feira de Frankfurt em 2012 comentaram que 2013 seria o ano do Terror. Segundo eles nenhum dos grandes escritores do gênero lançaria nada e seu público, portanto, estaria ávido novidades, dando chances para algum desconhecido surgir.

FALA SÉRIO! Não foi. Assim como o próprio ano de 2012 não foi nem o Ano do Fim do Mundo, nem, apesar dos cem anos do naufrágio do Titanic, o ano do Titanic na literatura, nem seguindo o horóscopo chinês, o Ano do Dragão na literatura, coisa que muitos haviam imaginado que aconteceria tendo em vista o sucesso de Game of Thrones. Se os exemplos acima foram de tendências que não se concretizaram, houve sim um ‘boom’ da literatura Erótica, assim como o de Fantasia, e mais um de Vampiros, iniciado há alguns anos.

Mas e agora? Qual a onda atual?

Se formos às livrarias veremos que as editoras estão apostando forte no Futuro Distópico. Não aquele mostrado nos clássicos cyberpunk Neuromancer, Blade Runner ou Os Piratas de Dados, como acontecia no início de 1990, em que existe um crescimento da tecnologia e uma queda na qualidade de vida, tendência contrária a utopia futurista da Ficção Científica de 1950, mas uma releitura da queda de Roma e de outros impérios antigos refletida na atual perda da hegemonia estadounidense.

Exemplos? Dois que além de se tornarem best-sellers chegaram a sair no cinema foram as séries Jogos Vorazes da autora Suzanne Collins e Divergente de Verônica Roth, e para não dizer que é só isso, outros títulos que tratam do tema de maneira semelhante também lançados aqui no Brasil foram Maze Runner – Correr ou Morrer, do autor James Dashner, que também sairá no cinema, O Teste, da autora Joelle Charbonneau, e a saga Partials, de Dan Wells.

Você até pode dizer que ninguém mais comentou a respeito, e que o movimento é fraco para uma tendência literária, mas três filmes do gênero saindo no cinema e cinco livros nas listas de Best-sellers… Pode ser até que o assunto não tenha sido comentado pela massa, como aconteceu com o sucesso Cinquenta Tons de Cinza, mas FALA SÉRIO!, se considerarmos a quantidade de adaptações, ele está bem mais forte do que a tendência da literatura erótica, que não lançou praticamente nenhum outro grande nome no mercado.

“Tudo bem” – você pode concordar – “Mas por que você está falando isso?”. FALA SÉRIO! Simplesmente porque conhecer quais as tendências que podem estar por vir pode ajudá-lo a publicar. Como fazer isso? Antecipando tendências. Mas se mesmo os profissionais da área erram como um simples autor poderá fazer isso? Muito simples. Na realidade o próprio texto acima contém algumas dicas.

Game of Thrones, apesar de não fazer de dragões uma tendência, fez, junto com outros autores mais adultos do gênero de baixa fantasia medieval, como Bernard Cornwell, uma tendência que, apesar de difícil de trabalhar, de longa duração, inclusive com um seriado de aclamação mundial.

É aqui que fica a dica: Séries e cinema!

Veja bem, tendências se retroalimentam. Um livro que faz sucesso vira um filme, uma serie de cinema ou de TV, cujo sucesso alimenta o sucesso do próprio livro, formando o ouroboros, a serpente ou dragão que devora a própria cauda e cujo significado é a ‘eternidade’.

O que fazer então?

Dê uma olhada nos filmes que estão em pré-produção, nas séries que estão saindo lá fora e que podem se tornar sucesso. Isso dará, inclusive, o tempo necessário para que você se programe para escrever seu original. E mesmo que a tendência não se confirme, a simples lógica dita que seria mais simples vender seu original de piratas, por exemplo, no lançamento do primeiro ou segundo filme da franquia Piratas do Caribe, quando o público estaria ligado no tema, do que neste momento, em que FALA SÉRIO!, nada do gênero está na mídia.