Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS.

Sei que pode parecer complexo, mas algo que comentei num coaching que ocorreu esta semana, na verdade a repetição do que já havia ocorrido durante um curso que ministrei na Viriato Correa, terminou se ligando a um filme que assisti, eu resolvi falar um pouco a respeito da analise de plot, ou trama, das histórias.

Vamos ao coaching então. Como no curso, comentava a respeito da necessidade da leitura para o autor. E FALA SÉRIO! Não só de uma simples leitura, que dá cultura assim como vocabulário, mas senão a crítica, a analítica. Pois ao ler deste modo você não só estará prestando atenção à história, mas também em elementos como a estrutura, detalhes de apresentação, estilo, até pontos que você pode achar interessantes e ruins. Enfim, tudo o que você, como alguém que quer crescer como escritor, pode aprender e até usar em suas criações.

O problema, como já havia dito no curso, é que até você acostumar, isso fará com que a maioria das leituras fique sem graça, afinal de contas você não estará simplesmente lendo, mas também olhando além do texto, através dele, e até você se acostumar a este processo de desconstrução, o processo de leitura em si poderá perder um pouco da graça. Mas relaxa, você termina por acostumar.

Então, acontece que depois de um tempo você começa a fazer o mesmo também com séries e filmes. Roteiros, afinal de contas, nada mais são do que histórias escritas adaptadas para uma mídia diferente. E é ai que entra a questão da trama ou plot da mesma que terminou me levando a escrever esse texto.

Agora, apesar da tradução de ‘plot’ ser efetivamente ‘trama’, na realidade quando eu uso o termo aqui está mais para a ideia original que move a história, seja o livro, a série ou o filme. Então, por exemplo, apesar de toda a adaptação, se olharmos a motivação original por trás da série cinematográfica Star Wars, vermos na realidade a história mitológica de Zeus e Cronos, em que o pai (Cronos), deve matar os filhos, pois há uma profecia de que o filho (Zeus) matará e tomará seu lugar.

Outro exemplo é o filme Click, que mostra um executivo dando mais ênfase à sua carreira do que a sua família e mesmo assim se sentindo infeliz. Depois de conseguir um controle remoto “mágico” e ver seu presente, passado e futuro, ele percebe seu erro, que foi tudo um sonho, e que agora pode viver sua vida como deveria. Este plot nada mais é do que uma releitura de Um Conto de Natal, de Charles Dickens, em que os Fantasmas do Natal Passado, Presente e Futuro visitam Ebenezer Scrooge para que ele possa se arrepender e viver a vida de uma maneira mais humana.

Mais um exemplo de plots idênticos, que FALA SÉRIO!, foi o que me levou a ligar todos os pontos e apresentar esse texto, aconteceu nos filmes Thor e Star Trek – Além da Escuridão.

Vamos analisar?

No filme do Thor, temos o dito deus nórdico, arrogante e achando que as regras não servem para ele, sendo banido para Terra por Odin para aprender e ser um líder como deveria. Ele então percebe seus erros e, em sua busca pela redenção percebe que deve, para salvar os amigos, ser responsável por seus atos.  Este processo o leva a morte e, ao voltar à vida (e aqui já temos um elemento importante em diversas mitologias, o da vida, morte e renascimento), volta a ser um Deus. Exatamente, sem tirar nem por, o plot por trás do segundo filme da nova série cinematográfica de Star Trek, trocando Deus por Capitão e Odin por Comandante.

Ambos, na realidade, como acontece com a história de Luke em Star Wars, de Neo em Matrix ou mesmo de John McLane nos filmes da série Duro de Matar, são facetas da Jornada do Herói, apresentada por Joseph Campbell como o monomito, ou o plot por trás de toda e qualquer histórias (FALA SÉRIO! Na realidade, são três: a Jornada do Herói, o Rapto da Donzela e o Trickster, mas isso é para uma próxima análise), afinal, se é uma excelente maneira de se falar com o público, por que não usar?

A questão então é que a importância de se aprender a ver isso para então trabalhar usando plots assim no ato de escrever, é porque será ele que, entre outras coisas, fará a ligação da história com o inconsciente de cada pessoa, que é o que efetivamente faz com que sintamos uma ligação pessoal com a história ou o protagonista.

Sei que é um conceito complicado, especialmente porque não basta só usar o plot mitológico para que o leitor crie empatia para com sua história, assim como que um simples texto muitas vezes será mais confuso do que efetivamente elucidador, mesmo assim é algo que, como já ocorreu mais de uma vez, eu vi acontecer num de nossos serviços literários e, imaginando que poderia ser a dúvida de mais escritores, resolvi desenvolver aqui. Espero ter ajudado.