Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS.

Como normalmente tem acontecido, estava fazendo um Coaching esta semana e, durante o bate-papo, uma questão abordada foi tão relevante que FALA SÉRIO!, resolvi comenta-lá aqui. Muito se fala no mercado sobre a questão: ‘seguir tendências de mercado ou criar algo seu’, o que, se analisarmos a cerne da questão seria algo como ‘escrever para si mesmo ou para os outros’?

E FALA SÉRIO! Em ambos os casos (na realidade como a maioria das coisas nesta vida), o ponto médio é sempre a solução. Isso, porque mesmo as editoras vão lidar com a questão de uma maneira estranha. ‘Estranha’, você pode perguntar. Mas ‘por que’?

Bom, porque ao mesmo tempo em que, se você aparecer com um original e falar, por exemplo ‘é tipo um Harry Potter’, poderá ouvir como já aconteceu na época áurea das vendas da série: ‘se já existe um Harry Potter, porque o público vai querer outro?’ FALA SÉRIO!  Tenho que concordar. Mas também, assim que surge um best-seller, todas as editoras buscam cópias, seja O Código da Vinci, 50 Tons de Cinza ou mais recentemente, Jogos Vorazes, criando assim as famosas ‘tendências literárias’, sobre as quais já comentei inúmeras vezes para clientes, em palestras e cursos que ministrei.

Até sei o que está passando na sua cabeça agora: ‘Por que então não aceitam meu original’? Bom, não aceitam porque não conhecem você, porque não acham que você efetivamente consiga fazer algo como os originais que estão fazendo sucesso (e tem medo de terminar com algo semelhante a uma fanfic ao invés de um livro profissional), e porque não têm nem tempo, nem pessoal para ler seu material (quanto mais analisá-lo), de modo que nem perderão tempo com isso…

O que fazer então? Como na maioria das situações da vida, seguir o caminho do meio! Fazer algo no seu estilo, sem tentar copiar tipos de personagem ou estilos de trama, mas de repente usando a ideia ou o gênero por trás da história. Por exemplo, uma fantasia urbana com magos vivendo entre pessoas normais não precisa necessariamente ser Harry Potter, do mesmo modo que uma história de Distopia (e também já falei a respeito) não necessariamente é Jogos Vorazes ou Divergente, ou muitas outras. FALA SÉRIO! É só você usar o cerne da história, não a trama da mesma, como base.

Na verdade é ai que entra a questão do ‘escrever para si mesmo ou para os outros’. Você deve sim escrever para si mesmo no sentido que deve botar a alma em cada coisa que escrever, e só fará isso se gostar do que estiver fazendo. Mas FALA SÉRIO! Deve sim pensar que para quer sua obra seja interessante para o leitor (e por consequência para a editora). Este deve sentir empatia para com o gênero, os personagens e a história, e você só conseguirá fazer isso se escrever pensando nele.

O segredo então (e cada profissional bem sucedido tem o seu) é descobrir como ‘andar nesta corda bamba’ que é fazer algo só seu e mesmo assim seguir o que está acontecendo no mercado, escrever sobre o que você gosta e mesmo assim pensar no leitor…