Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Bem-vindos de volta à versão 2016 dos BASTIDORES LITERÁRIOS, coluna mantida pelo ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS. Novo ano, novo artigo. E FALA SÉRIO! Dizer que aconteceu novamente é chover no molhado, pois de tempos em tempos o assunto volta à mídia, sempre!

Não me recordo quantas vezes em palestras e cursos eu não dei exemplos de copias, as quais apesar dos escritores acharem que criariam empatia com o público, poderiam “queimar seu filme”, afastando os leitores que, num primeiro momento, poderiam ser atraído pelas obras, diminuindo com isso as possibilidades de compra das mesmas por uma editora. E ai o que uma grande editora faz? FALA SÉRIO! Exatamente a mesma coisa. Copia!

E o pior é que quando isso acontece, especialmente com alguém grande ou conhecido, ainda temos de ver algum suposto profissional de mercado (que desceria a lenha se fosse um escritor iniciante) tentando justificar a ação com o velho ditado de que “nada se cria, tudo se copia”. E FALA SÉRIO!

Isso quando, como eu já vi acontecer, a pessoa ainda não se utiliza de uma comparação errada. Porque quando você lê que alguém que dá cursos, palestras e coachings literários disse que “Harry Potter também é copia, pois é semelhante ao Senhor dos Anéis”, quando o personagem e algo de sua história são semelhantes à Graphic Novel, sucesso da década de 1990, Livros da Magia, a qual conta a história de Timothy Hunter, um garoto inglês magro, que usa óculos e possui uma coruja e que pode se tornar o maior mago do mundo, e cujo autor não é ninguém menos do que Neil Gaiman, você não só passa a ter medo de ler algo que esta pessoa escreveu como também tomar aulas com ela.

Porque FALA SÉRIO! Não se pode comparar a ação de alguém (e não vou falar é que um profissional) que faz montagens para o book trailer para um escritor amador usando personagens e cenas de uma série televisiva baseada num best-seller de fantasia; ou um escritor amador criando para seu livro, e para um dos personagens do mesmo, um nome que é cópia do nome de um personagem de uma série cinematográfica que é sucesso desde a década de setenta…

Ruim?

Sim! Mas algo feito por amadores, que podem desconhecer os resultados que tais ações podem ter em suas obras. Agora, um profissional de uma grande editora, que traz em seu catálogo livros de peso nacionais e internacionais, e que, portanto, não precisa de algo assim para vender uma obra, nem pode alegar ignorância, copiar, num livro de literatura fantástica, a capa e os cartazes de uma série literária e cinematográfica praticamente do mesmo tema, a qual é best-seller e sucesso de público… FALA SÉRIO! Não tem desculpa.

São níveis completamente diferentes com resultados totalmente dispares. E se ações como essas podem ser negativas ao escritor amador, elas podem trazer resultados péssimos, tanto para a editora – o livro encalhar devido a uma campanha difamatória dos fãs – como para a pessoa ou pessoas responsáveis pela capa copiada.

Já houve caso no mercado nacional de um profissional que foi sumariamente desligado do quadro de uma editora devido a um simples comentário errado que causou desagrado no meio literário/editorial.