Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS LITERÁRIOS.

Apesar do padre Marcelo haver recentemente batido a Kefera em vendas, parece que o assunto do mercado ainda são os best-sellers dos blogueiros e vlogeiros… ou pelo menos isso é o que dizem revistas e sites especializados. Agora, FALA SÉRIO! A ideia está longe de ser nova. Para quem não se lembra já há algum tempo uma editora achou (ou seria um editor que conhecia?) o blog de uma prostituta contava seus casos e, após passar o texto pelas competentes mãos de um ghost writer (como acontece com os vlogers atuais), lançou o livro que também se tornou um best-seller instantâneo (atualmente esquecido, bem como sua autora).

O que mudou de quando isso aconteceu? Bom, me recordo que quando o livro foi lançado, há uma década, uma enorme campanha de marketing foi montada. Durante um bom tempo todos os programas de auditório da TV aberta, matutinos e noturnos, mostraram o livro e entrevistaram sua autora, criando assim uma enorme demanda por parte do público. E o que antes era uma pequena muda, agora se tornou uma frondosa arvore, pois os casos atuais, contudo, nem isso foi necessário. Com inúmeros seguidores e toda uma legião de fãs, todos jovens, já determinada e o marketing feito pelo próprio autor, coube à editora somente transformar o blog ou vlog em livro, só precisando para isso de um ghost-writer… ou será que eu poderia dizer de um escritor de verdade?! E FALA SÉRIO! Depois fazer o que praticamente qualquer gráfica ou editora por demanda também poderia.

Eu, inclusive, me questiono: tendo em vista que os vlogueiros já possuem o público, assim como, segundo a matéria coloca, o dinheiro para lançar o livro por conta própria, será que eles realmente precisam da editora? Porque diversas vezes vi escritores colocando que ganham mais publicando independentes do que por editoras, que só pagam de 5 a 10% do preço de capa ao autor!

Agora, lembro que há algum tempo li a respeito de como as vendas de autores nacionais de não ficção eram superiores às dos de ficção, que dava como razão para isso que os primeiros estão mais conectados às necessidades de seus leitores. FALA SÉRIO! Vamos analisar o argumento tomando como base o exemplo destes novos “best-sellers”: Isso acontece não porque o autor de não ficção “fale a língua de seu público”, ou esteja mais conectado a suas necessidades, mas porque ao contrário dos autores de ficção, além do tema precisar de menos propaganda e marketing, muitas vezes devido a suas carreiras, os autores de não ficção, mesmo blogueiros ou vlogueiros, já tem nome, já sendo conhecidos por seu público em potencial. O que no caso da literatura de ficção não acontece.

Na verdade é o mesmo caso dos livros importados. Para que ter de suar para fazer o nome de um autor nacional desconhecido quando se tem garantias com o livro importado, que já está fazendo sucesso e tem nome? Inclusive, ainda bem que as editoras lá fora não pensam assim. Já pensou o que seria das nacionais se seus editores tivessem de trabalhar de verdade para vender seus livros?!

Porque se analisarmos, um dos únicos blogues de “literatura” que efetivamente se transformou em livro foi um cuja autora era uma vendedora que contava casos inusitados que aconteceram direta ou indiretamente com ela nas livrarias em que trabalhou, o que efetivamente não é literatura. Os demais, em sua maioria são leitores que só sabem falar bem ou mal dos livros que leram. Isso quando leram, pois já vi “análise” que nada mais era do que uma simples cópia da quarta capa e das orelhas do livro, coisa que qualquer leitor com um mínimo de interesse na obra faz sozinho.

E o pior, em sua maioria os livros (e FALA SÉRIO! Isso eu falo com certo know-how, pois recebi e analisei centenas de pedidos de blogs quando era editor) eram encalhes doados pelas editoras, o que tira a lógica do blog, o qual deveria discorrer a respeito do que está sendo lançado no mercado nacional E INTERNACIONAL, o que está bombando, ou mesmo livros curiosos, obscuros e desconhecidos do público, e não simplesmente de encalhes.

Porque vamos FALAR SÉRIO! Nem criticar efetivamente; que é comentar a respeitos dos pontos positivos e negativos do livro, desde a ideia que o originou, sua trama, seus personagens, até como é o decorrer da história, o começo, meio e o final; a maioria dele tem ideia de como fazer.

Assim, FALA SÉRIO! No fundo estamos remoendo a respeito de um assunto já há muito debatido: a diferença de vendas dos livros de ficção e não ficção (ou literatura e não literatura) devido à falta de empreendedorismo (e de vontade de fazer propaganda e marketing para fazer o livro vender) das editoras nacionais. Triste, mas verdade.