Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Esta semana tive algumas reuniões em editoras e diversas vezes a questão levantada foi relativa às coletâneas.

FALA SÉRIO! Já há muito elas existem no mercado editorial internacional e há algum tempo elas vem surgindo no brasileiro, mesmo assim a situação das coletâneas é complicada, pois apesar de vermos um ou outra nas livrarias, sua entrada não é garantida. Isso, pois se temos casos de extremo sucesso, também existem fracassos para balancear, o que acaba nos deixando com duas dúvidas:

Será que coletâneas funcionam mesmo? E caso funcionem, para que elas servem?

O interessante destas duas perguntas é que em diversos aspectos elas se fundem. Isso sem contar que a questão também se divide em três aspectos: Autor, Editora e Leitor. E FALA SÉRIO! Como eu mesmo já comentei a respeito, para que qualquer coletânea dê certo, ao menos uma, senão duas ou mesmo as três devem ser respondidas de maneira positiva.

Para o Autor, em especial para aquele que quer começar no mercado, as coletâneas servem de porta de entrada. Uma maneira de apresentarem seu trabalho num livro que, devido à presença de outros autores, poderá ser mais facilmente lido,

Não é só para o iniciante, contudo, que a coletânea pode ser interessante. Muitas vezes um autor já com nome quer tentar uma linha diferente de trabalho e não está disposto a gastar seu tempo num romance. A resposta? FALA SÉRIO!  Participar de uma coletânea temática, onde ele poderá não somente verificar como é escrever sobre outro assunto, como ter uma resposta do público.

Para a Editora, a coletânea também tem mais de um objetivo. Como diversos autores conseguem chamar mais leitores do que um só (vamos imaginar autores desconhecidos, não best-sellers), uma coletânea normalmente terá um retorno mais rápido, especialmente em seu lançamento, do que o livro solo de um autor desconhecido do grande público.

Outra opção é apresentar ao leitor, inclusive aquele que já conhece um ou dois, mas não todos, os demais autores da casa. E ao invés de usar seus romances, pois a maioria dos leitores tem medo de arriscar com um livro ou autor desconhecido, em especial se ele não escreve um gênero que o leitor gosta. Assim, FALA SÉRIO! Um livro com histórias mais curtas e com diversos autores é a chance de chamar a atenção de novos leitores com um “test-drive”.

Finalmente, e deixado para ser analisado por último por ser o ponto mais importante, para que serve a coletânea para o Leitor! Bom, é aqui que entram a maioria das grandes coletâneas internacionais. FALA SÉRIO!  O que chama a atenção nelas?

Muitas vezes os editores misturam nomes desconhecidos com best-sellers, de modo que o livro possua nomes interessantes ao leitor, fã de um ou dois autores presentes no livro.

Outro ponto: em sua maioria as grandes coletâneas são temáticas, trabalhando em cima de um local, fato, data ou evento histórico (como por exemplo a Segunda Grande Guerra, a cidade de Nova York, a Copa do Mundo) ou mesmo gênero literário (Steampunk, Cyberpunk, Western, Vampiros, Lobisomens, Piratas)…

O problema, contudo, em especial neste último aspecto, mas que cobre os demais, é que o tema da coletânea, para que a mesma seja bem sucedida, deve ser do interesse do leitor. FALA SÉRIO!  Por não tem maior “furo n’água” do que uma coletânea escrita com um assunto que não chame a atenção do leitor. É encalhe na certa!