Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Com a facilidade que atualmente existe de se publicar, o velho ditado “ter um filho, plantar uma árvore, escrever um livro” está cada vez mais simples. O problema é que se o processo de publicação tornou-se mais simples e acessível, construir uma carreira de escritor, por sua vez, tornou-se mais complicado.

FALA SÉRIO! A colocação acima, apesar de parecer controversa, está longe de ser uma mentira. Isso, pois o crescimento de autores e editoras não é equiparado nem por livrarias, o que faz com que cada vez mais livros lutem pelo mesmo espaço nas prateleiras, e nem por leitores. Isso, pois apesar do crescimento populacional, com o surgimento de novos entretenimentos, que vão desde a TV por assinatura, internet, até jogos virtuais, a relação de leitores em relação à população tem caído vertiginosamente. Aqui no Brasil, por exemplo, segundo um estudo recente no ano passado 70% da população sequer abriu um livro.

Evidente que é natural para o escritor amador antes de pensar numa carreira começar a escrever. E feito isso pensar em publicar histórias menores, como contos e noveletas, em coletâneas, para só depois considerar um romance. Afinal de contas, não só é mais fácil escrever histórias mais curtas, como ser aceito numa coletânea, e isso fará com que você consiga algum nome no mercado. Mesmo assim muita coisa deve ser pensada mesmo antes dessa primeira parte (qual gênero escrever, por exemplo).

Pode parecer um exagero no inicio da carreira, ou enquanto você está escrevendo contos, pois esta é uma parte do processo onde exatamente se está testando os diversos gêneros, mas é algo que já se deve ter pensado. Afinal, muitos escritores terminam presos ao gênero a qual lançaram seu primeiro romance. Assim, considere algo que você goste antes de tomar a decisão. Até porque se escrever é um hobby e mesmo uma terapia antes de um trabalho, se você escolher errado, pode se ver preso a um estilo que não gosta. E FALA SÉRIO! Isso seria como trabalhar com algo, ou num local desagradável. E disso basta seu suado ganha-pão, não é verdade?

Outro ponto é quando mudar do conto e noveleta para o romance. Evidente que, por ser um texto maior, com mais personagens e uma trama mais complexa, se deve estudar, assim como planejar muito antes de se considerar num romance. Mesmo assim esta é uma mudança necessária na carreira do escritor: uma obra com seu nome. A primeira de muitas é se espera.

Para que isso aconteça, contudo, não se pode parar de estudar e praticar escrita. FALA SÉRIO! Isso sem contar ler.

Para que a leitura seja mais efetiva, entretanto, o processo deve ser consciente, com você notando elementos que goste ou não numa história, assim poderá usá-los ou evitá-los: da trama a detalhes de descrição de cena, de diálogos a apresentação de personagens, reviravoltas na história ou finais que lhe agradaram ou que lhe desagradaram… E então você deve descobrir porque isso aconteceu para poder levar a lição para suas próprias histórias.

E FALA SÉRIO! Isso não só com livros, mas também com filmes, jogos, desenhos animados e quadrinhos. Tirando que ler também ensina a escrever, tudo efetivamente pode ser usado com aprendizado, como fonte de ideias… pense nisso antes de ler seu próximo livro ou assistir seu próximo filme. Pois o escritor consegue tirar ideias e lições mesmo de seu cotidiano. E acredite, o processo de aprendizagem não acaba nunca!