Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS LITERÁRIOS

Parece que de tempos em tempos o assunto “situação do Brasil no exterior” volta às manchetes. Na verdade sempre que se começa a falar de alguma grande feira internacional, seja de Frankfurt, Bolonha ou Nova York, isso acontece, e FALA SÉRIO!, está acontecendo novamente.

Uma vez mais profissionais do mercado editorial tem comentado a respeito de nosso mercado, dizendo que, apesar do recente interesse a respeito do Brasil nas grandes feiras internacionais da França Alemanha ou Itália, houve uma diminuição sensível do interesse internacional na literatura de nosso país.

Isso aconteceu, segundo eles, porque além da crise econômica, nosso mercado sofre com problemas como o das bolsas da Biblioteca Nacional de apoio à tradução e também devido à falta de empreendedorismo por parte das editoras (FALA SÉRIO! Eu já venho falando a respeito à algum tempo) e com isso o Brasil perdeu uma grande oportunidade de estabelecer-se no mercado literário/editorial internacional como um criador de talentos, um vendedor de direitos, ao invés de simples e somente um comprador, como há muito somos conhecidos.

E se parte desta culpa é do governo, a outra parte é do mercado nacional. Porque se muitos editais mudam de data fazendo com que as editoras estrangeiras desistam ou se arrependam de tentar investir no país, nosso mercado de uma maneira geral que, além de não investir no escritor nacional, quando o mesmo consegue despontar ao invés de usar seu sucesso comercial, prefere criticá-lo, como há muito acontece com Paulo Coelho ou outros nomes menores de nossa literatura.

Agora FALA SÉRIO! Não existe uma entidade “mercado”!

Quando, por exemplo, o autor sueco Stieg Larsson ganhou renome internacional com a literatura policial o que as editoras escandinavas fizeram? Criaram o fenômeno “Scandi Crime” apresentando seus autores como “o próximo Stieg Larsson”.

Do mesmo modo que quando a autora finlandesa Sofi Oksanen conseguiu sucesso internacional, as editoras finlandesas usaram seu sucesso para vender títulos de outros autores finlandeses.

Aqui no Brasil, como aconteceu com Paulo Coelho, que por muitos escritores nem é considerado literatura, quando o livro de algum autor começa a despontar, ao invés de usá-lo “como trampolim”, algo que eu mesmo já venho comentando há algum tempo, o que os profissionais do meio fazem? Falam mal! Não percebendo que na verdade estão quebrando suas próprias pernas.

Já as editoras, devido a falta de empreendedorismo, quando vão aos eventos internacionais, ao invés de tentarem vender seus autores, preferem sair em busca de best-sellers. Estes, afinal de contas, não precisam de trabalho de marketing ou propaganda para serem vendidos.

E o mercado internacional, que sem pensar de onde vem o autor está sim procurando literatura de qualidade e com potencial comercial, atualmente aposta mais no México do que no Brasil. E com isso aquela primeira venda internacional, que FALA SÉRIO!, abre as portas para um novo mercado, está cada vez mais distante dos autores nacionais, a quem só resta chorar o leite derramado.