Por Gianpaolo Celli, consultor do Aliteração Serviços Editoriais

 

Essa semana uma das coisas que fiz, e que para variar achei interessante e dividirei com vocês, foi uma seção de Coaching cujo assunto foi Bloqueio Criativo ou Bloqueio Literário. O escritor, no caso, estava com problemas para continuar sua história. Via-se, como muitos antes dele desesperado frente ao papel (ou tela) branco o qual ele era incapaz de escrever.

O engraçado a respeito do assunto é que apesar de existirem inúmeros casos na história, como o do poeta inglês Samuel Taylor Coleridge (1772-1834) e do brasileiro Aluísio Azevedo (1857-1913), várias pessoas afirmam que bloqueio é um mito. Ledo engano.

Inclusive, um dos maiores erros que se diz sobre o bloqueio é que um dos segredos para quebrá-lo e liberar a imaginação é a “obrigação de trabalhar” e de viver da escrita. FALA SÉRIO! Inúmeros autores com contratos assinados e prazos apertados se viram, como você pode estar se vendo ou já ter se visto, sem ideias.

Uma das causas disso pode ser exatamente o stress causado pela pressão. Em todas as áreas, afinal de contas, existem profissionais que não conseguem lidar com isso. Assim, dizer que a necessidade de escrever pode acabar com o bloqueio é uma enorme besteira. Sem contar que muitos escritores estão começando, de modo que não tiram seu sustento de seus textos.

Outro erro é aquela dica de que você deve romper o bloqueio escrevendo. É a famosa “escrita livre”: você coloca no papel (ou tela) o que lhe vier na cabeça, sem pensar no que vier.

Se eu estou num ponto de minha história em que não sei o que vai acontecer, como escrever qualquer coisa irá me ajudar? FALA SÉRIO! Não irá!

Um ponto importante, apesar de as vezes parecer aqueles discursos pseudo-motivacionais que não levam a nada é que você deve se impor uma rotina. Tenha uma parte do dia dedicada só para escrever e se foque só nisso, sem internet (a não ser para pesquisas) nem nada. É como dizem: “escrever é 90% transpiração e só 10% inspiração”. Até porque a rotina vai condicionar sua mente a trabalhar uma dada hora do dia.

Agora FALA SÉRIO! Seja no papel ou no computador, seu tempo de escrever é para escrever. Você até pode usá-lo eventualmente para uma pesquisa, mas não para checar e-mails ou acessar as redes sociais.

Aqui sim cabe a questão da obrigação, mas de outra forma. Se você quer se tornar um escritor profissional deve ter uma disciplina, metas e objetivos, o que inclusive ajudará você em sua tarefa de escrever um pouco por dia.

Ah, sim! Para aqueles para quem a musa inspiradora vem nas horas mais inusitadas, como no transito, no ônibus ou à noite quando estão dormindo, a dica é ter sempre consigo um bloco e caneta, ou um celular, tablet ou mesmo um gravadorzinho digital, onde poderão escrever ou ditar suas ideias para depois, com tempo, ordená-las no papel ou computador.

Outro problema que muitos escritores têm é que, por escreverem sem um guia, rascunho, esqueleto ou estrutura da história, deixando a história, assim como a reação dos personagens à mesmo o levarem para onde quiserem, eles podem terminar num beco sem saída. Num ponto da história onde não sabem como continuar.

Se este é o caso, ao invés de seguir qualquer dica e escrever livremente o que lhe vem na cabeça, que não o levará a lugar nenhum, pare de escrever e estruture sua história. Determine o que cada personagem fez, coloque quando e onde cada coisa aconteceu até o momento. Com isso você conseguirá uma visão clara da trama de uma maneira geral e conseguirá antever as ações e reações de cada uma das partes (protagonistas e adversários) em relação a cada acontecimento da história, inclusive do ponto em que você está empacado, clareando assim suas ideias e dando foco a seu trabalho.

De uma maneira geral, discorri aqui a respeito deste “fantasma” que pode assombrar a carreira de qualquer escritor e apresentei algumas dicas de como resolver o problema. Todas as colocações aqui foram ligadas a aspectos mais gerais da história. Semana que vem falarei mais a respeito do assunto, discorrendo sobre bloqueios mais específicos.