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Confira a resenha do livro As portas da percepção e Céu e inferno de Aldous Huxley, publicado pelo selo Biblioteca azul da Globo Livros

Trata-se de um ensaio de 1954 em que Huxley elucida os efeitos da ingestão da mescalina, um alcaloide extraído de um cacto mexicano – o peiote – muito utilizado pelos xamãs.

Ele descreve sua experiência (com a ingestão da mescalina) assistida por médicos e, a partir daí, foi realizada a coleta e análise dos dados.

O autor conclui que o cérebro e o sistema nervoso filtram a realidade (com todo o aparato de imagens e percepções sensoriais) possibilitando-nos maior chance de sobrevivência biológica e nos protegendo da onisciência, pois o processo da realidade em sua plenitude seria insuportável pela sobrecarga de informações, deixando-nos malucos.

“Assim eles excluem a maioria das coisas que poderíamos perceber ou lembrar a cada momento e deixam passar somente uma seleção muito pequena e especial que terá utilidade prática.”

A ingestão de drogas, também o autoflagelo, jejuns prolongados, isolamentos, doenças, fadiga, atenuam a eficiência do filtro do cérebro ampliando a percepção sensorial. O mundo toma novas cores, significados e brilhos sob o efeito dos modificadores de consciência, e o indivíduo pode vivenciá-lo em sua plenitude.

Ele começa a vivenciar experiências mais profundas porque “transcende o aspecto comum de sobrevivência”.

Em Céu e inferno, Huxley fala das implicações mentais e éticas dessas experiências.

Ele discorre sobre o uso da mescalina como meio de conhecer os antípodas da mente.

Faz uma possível comparação entre o efeito da mescalina e os sintomas da esquizofrenia por conta dos transtornos bioquímicos semelhantes. Cita também a hipnose: “Cada experiência com mescalina, cada visão que surge sob hipnose, é única; mas todas reconhecidamente pertencem à mesma espécie.”

O posfácio do livro (de Sidarta Ribeiro) conecta os pontos apresentados por Huxley, nos anos 50, com a realidade em que vivemos hoje. Como será o futuro trilhando esse caminho?

CAPA, FICHA TÉCNICA, SINOPSE

 aldous huxley

As portas da percepção e Céu e inferno

Aldous Huxley

ISBN: 9788525060211
Editora: Globo
Número de páginas: 146
Encadernação: Brochura
Formato: 14 X 21 cm
Ano Edição: 2015
Tradução: Marcelo Brandão Cipolla e Thiago Blumenthal

SINOPSE

Um dos livros mais conhecidos de Aldous Huxley, ‘As portas da percepção’ influenciou gerações ao detalhar o efeito das drogas sobre os sentidos do escritor. Publicado pela primeira vez em 1954, o livro antecipou as experiências psicodélicas que marcaram os escritores da geração Beat e o rock n’ roll na década de 1960. A edição da Biblioteca Azul traz ‘As portas da percepção e Céu e inferno’ em novas traduções e posfácio do neurocientista Sidarta Ribeiro sobre a morte de Huxley.

Com a inteligência característica de sua prosa, Huxley fala sobre suas expectativas ao usar mescalina e descreve suas sensações e pensamentos ao observar objetos cotidianos e ao ouvir música. O escritor conclui que os sentidos servem como um filtro, de forma que as pessoas percebam o necessário para garantir sua sobrevivência, sem contemplar nuances e detalhes da realidade.

Huxley também divaga sobre o tempo, as religiões e sobre como a alteração da consciência é usada como uma maneira de alcançar a transcendência. O texto continua provocativo e relevante, o que faz de ‘As portas da percepção’ uma das obras que marcaram o século XX.

Boa leitura

See ya!

Rosana Gutierrez

 

*esta resenha foi publicada originalmente em dez/2015