Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Novamente percebo nas perguntas que nossos clientes uma sintonia com o que está acontecendo no mercado e nas redes sociais. A questão desta semana é o que o escritor deve, ou deveria ler (e aqui eu agrego fazer) para melhorar suas chances de ser publicado.

Na realidade, tendo em vista que já há algum tempo vejo algumas pessoas tentando criar uma “receita de bolo” com regras e ingredientes para que o escritor “se torne um best-seller” (FALA SÉRIO! Como se eles mesmos efetivamente fossem donos da verdade), coisa que comentei a respeito em meu texto da semana passada “Será Que Realmente Existem Regras Para Se Escrever?”, este texto termina sendo quase uma continuação.

Se você for procurar na internet, há inúmeros profissionais que, apesar de não viverem de literatura (porque se vivessem não estariam dando aulas) se utilizam de argumentos como a quantidade de originais enviados diariamente às editoras, de questões como se você sabe se o seu original atende as exigências do mercado ou se você tem a capacidade de interessar um editor, para vender cursos que na verdade não passam de receitinhas de bolo para você seguir. O que convenhamos é ótimo, para eles, tendo em vista que se você fizer o curso e não conseguir ser publicado, eles sempre poderão botar a culpa em você, que “não entendeu o que eles estavam apresentando”.

E efetivamente o que cada uma destas perguntas de marketing significa? E ainda, será que eles mesmos têm toda essa sabedoria que alegam? E mais, será que existe realmente somente uma fórmula mágica que garante a publicação?

Porque FALA SÉRIO! Para mim isso está parecendo aquele comercial de O Segredo (alguém lembra?), que prometia a pedra filosofal da felicidade e do bem estar econômico. Como se isso efetivamente existisse. Ou fosse uma receitinha igual para qualquer pessoa (aqui no caso escritor).

Mas mesmo assim a questão se mantém: o que um escritor deve ler e fazer para ajudar em seu desenvolvimento?

Há algum tempo o escritor Milton Hatoum comentou numa palestra que “quem só lê best-seller não pode ser bom escritor”. Muita gente pode comentar que como ele é um acadêmico, tem certa ojeriza ao comercial. Mesmo assim tenho que concordar. E FALA SÉRIO! Vou mais longe. Creio que as leituras de um escritor devam seguir tanto em seu gênero de escolha como fora dele.

Em seu gênero, buscando não só se aprofundar tanto nas origens do mesmo (de onde ele surgiu e por que), mas também no que está acontecendo com o mesmo na atualidade (para que você saiba o que está acontecendo no mercado). Fora dele, pois ao se expandir além, você tenha acesso a novas ideias, novos conceitos, criando deste modo um frescor em sua criação, que estará longe de ser só “mais do mesmo”.

Quanto ao fazer, aqui tem duas dicas. A primeira e mais óbvia é “escreva sempre”. Só assim você irá não só se desenvolver como escritor, como também descobrir e melhorar seu estilo, dois aspectos essenciais a alguém que busca se profissionalizar.

A outra é relativa à leitura. Creio que não é necessário repetir aqui que ler é algo essencial ao escritor. FALA SÉRIO! Ele no mínimo deve acreditar no produto que quer vender. E mais do que isso. Como já disse em palestras e cursos, é ler para aprender. E ai que está o segredo. Não leia simplesmente, mas faça-o procurando os aspectos que lhe agradam e desagradam no texto (para depois usá-los ou evitá-los ao escrever); verificando como o autor criou os diálogos; como ele desenvolveu a trama; como trabalhou os cortes e continuação (sequencias) de cena; a estruturação da história; a apresentação e desenvolvimento dos personagens.

Em resumo: leia analisando cada aspecto do livro, pois assim cada leitura ajudará em seu aprendizado e desenvolvimento como escritor. Depois é só usar o que descobriu em seu próprio texto.