Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Como o assunto surge vez por outra nas redes sociais e como alguns escritores procuraram o Aliteração levantando a questão eu resolvi trazê-lo à baila de uma maneira mais aberta. Então, será que realmente existem regras para escrever?

Essa pergunta me lembra da primeira palestra que assisti sobre como publicar, há mais de uma década. Eu me recordo de que, quando ouvi pela primeira vez que o escritor deveria, antes mesmo de começar a escrever, estruturar sua história, logo pensei “FALA SÉRIO! Isso engessa a criatividade do autor”.

O interessante é que hoje em dia não consigo escrever sem antes estruturar. Sem antes ter na cabeça, e no papel, mesmo que de maneira geral, o que acontecerá na história do início ao fim. E caso você esteja se perguntando se isso não engessa minha criatividade, se não cria um bloqueio quando, ao escrever, acontecer de minha ideia original não ser adequada e uma nova surgir, a resposta é não! Pois se percebo a necessidade de mudar algo durante o processo de escrita, eu simplesmente volto à “planta” da história e a refaço, considerando a nova ideia, assim como todas as ações e reações que imagino que ela trará a história.

Compreenda. Todo escritor cria regras para ajudar sua escrita. Desde o conto, passando pela noveleta (que é uma história maior do que o conto, mas nem tão grande quanto o romance), até o romance, ele cria métodos que facilitem o trabalho dele de escrever. O que acontece é que ele eventualmente comenta a respeito com os amigos, com a mídia, ou até num livro, como o Stephen King fez há algum tempo. FALA SÉRIO! O problema é que o que muita gente, muitas vezes não diretamente ligada ao meio criativo, faz, é pegar esses conjuntos de regras e transformar num dogma.

E a situação piora quando aparecem aqueles vigaristas se dizendo “experts de publicação”, “cirurgiões de escrita”, “consultores de história” e outros nomes mais estapafúrdios dizendo que se você não fizer exatamente como eles mandam, nunca publicará sua história.

Compreenda, eu mesmo já ministrei palestras, oficinas, cursos; já fiz e faço leituras críticas e coachings literários e digo que o escritor deve procurar definir a maioria dos aspectos de sua trama, da estrutura aos personagens, da ideia base ao que acontecerá no início, meio e fim da história, de modo a ajudá-lo na hora de escrever. Mas FALA SÉRIO! Também comento que isso é muito mais um guia, uma série de dicas que você deve usar caso se sinta confortável, do que efetivamente uma lei imutável.

Tudo isso, afinal de contas, deve ajudá-lo a escrever e publicar, não atrapalhar. Porque se esse é o caso, ignore e faça o que achar certo. Ou pegue o que te ajuda e esqueça o restante. Afinal de contas, não é porque um caminho deu certo que ele é o único, o mais simples ou o melhor. E FALA SÉRIO! Não necessariamente é o SEU caminho para escrever e publicar um livro!