Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Há algum tempo atrás assisti novamente ao filme Ender’s Game (adaptação do livro O Jogo do Exterminador, do autor norte-americano Orson Scott Card) e, como já havia lido o livro já há algum tempo, resolvi que uma releitura seria interessante. Já na introdução achei algumas pérolas a respeito de criação literária e resolvi trabalhá-las aqui, pois elas podem ajudar muito autores iniciantes.

Em sua primeira colocação o autor coloca que uma grande diferença da Ficção Científica em relação a outros gêneros é que:

Em outros gêneros, esse desejo (de criação literária) geralmente é expresso pela produção de novas versões mal disfarçadas da grande obra: por exemplo, os discípulos de Tolkien com uma frequência exagerada simplesmente reescrevem Tolkien. No entanto, na ficção científica o grande objetivo é que as ideias sejam novas, espantosas e intrigantes; você imita os grandes, não reescrevendo as estórias deles, mas sim criando estórias que sejam tanto espantosas como novas.

Não vou discutir o aspecto de um subgênero em relação a outro, mas sim trabalhar um ponto que eu mesmo venho comentando a respeito que é exatamente da questão da originalidade da obra. Desde a ideia, passando pela estruturação, criação de personagens, de cenas, de diálogos até a apresentação às editoras. Ou seja, FALA SÉRIO! Como já coloquei em postagens anteriores, o que a mesma tem para mostrar ao leitor que nenhuma outra tem!

Eu sei! Eu sei! Você vai comentar que não só quando surge um best-seller as editoras pedem “copias” a diversos autores, como tecnicamente, tendo em vista que toda grande história segue o padrão estrutural da Jornada do Herói, elas são, ao menos neste aspecto, semelhantes…

Em relação à primeira colocação, e tenho que concordar que ela está certa, editoras pedem sim “cópias” de grandes sucessos para “pegar” carona na onda… Mas pedem essas cópias para autores que confiam e não aceitam material de quem elas não conhecem, então…

Quanto à segunda, sobre a Jornada do Herói, usarei o invés de fazer uma referencia a cores, que seria o mais óbvio, comentarei a respeito de gastronomia (pois além de escritor sou também um chef): por muito tempo a ciência considerou que nosso paladar era capaz de reconhecer quatro sabores básicos, o amargo, o ácido, o salgado, o doce. Atualmente a estes um quinto foi aceito, o umami. Como acontece com as cores, que das básicas surgem uma infinidade, destes cinco paladares básicos surgem incontáveis receitas com os sabores mais diversos. Da mesma forma, da formula básica da Jornada do Herói, se bem trabalhada, com uma criação de trama, de universo, de personagens, de gênero e subgênero, pode surgir a história mais inédita e original.

Como? Estudando com livros técnicos, cursos e palestras; lendo; pesquisando… Em suma, ficando a par do que está acontecendo na literatura… Conhecendo o mercado. Que na verdade é o que qualquer profissional, de qualquer área, deve fazer, se manter atualizado. E FALA SÉRIO! No meio literário/editorial isso não é diferente!