Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

FALA SÉRIO! Mais uma vez voltarei a esse assunto, porque uma vez mais volta a bater na minha porta (ou ao menos no meu email). Uma vez mais essa semana, após haver fechado a editora em 2013 (anos atrás), recebo um email pedindo a análise de um original.

Veja bem. Não é que isso nunca aconteça. Normalmente recebo um ou dois por mês e compreendo, porque provavelmente o endereço da editora continue em blogs literários e o autor (ou o blog) não toma o devido cuidado de verificar se a editora continua em funcionamento.

Se bem que é estranho se considerarmos que, ao ignorar que a editora deixou de existir, o escritor enviou sem saber se esta ainda recebe originais e provavelmente se realmente publica obras como a dele.

Na realidade o que me incomodou mais uma vez não foi o fato do original haver sido enviado a uma editora que não mais existe, mas novamente o que havia na mensagem e como foi enviada.

Começando do final, ela foi enviada para treze editoras, nove de pequeno e médio porte e quatro de grande, com cópia aberta. Ou seja, todos que abrirem o email irão ver para quais outras empresas o original foi enviado.

Acho engraçado que o escritor reclame quando as editoras o tratem como um qualquer, retornando a análise de seu original com uma carta padrão, quando ele mesmo trata a editora como uma qualquer. FALA SÉRIO! É do seu original que estamos falando! Se você não quer enviar treze mensagens diferentes, pelo menos tenha a decência de enviar a mensagem com cópia oculta, para que o profissional que recebe os emails da editora tenha a ilusão de que o material foi enviado só para ele. Isso porque tem editoras grandes que exigem exclusividade em suas análises.

Para piorar ao invés de algum modelo padrão, apresentação do autor, descrição ou resumo da obra, indicação de gênero literário ou público alvo, o escritor envia uma linha que diz que a obra em questão “fantástica”, “analisa grandes segredos” e “fará um imenso sucesso”. Só isso!

FALA SÉRIO! É como comentei recentemente em relação ao excesso de ego ou troca do profissionalismo por ele. Porque tenha dó!

Inclusive, aproveitando o assunto, vou falar um pouco a respeito do Book Proposal, o novo modelo de apresentação que as editoras internacionais (e algumas nacionais) estão utilizando.

Recentemente vi reclamações a respeito da imposição deste novo formato. Vou ter de ser sincero e dizer que não verifiquei efetivamente quem estava reclamando, porque acredito que não se trate de um profissional ou de alguém que saiba o que vem a ser o modelo. Já ouvi muito a respeito (e como editor eu sei) da quantidade de originais que uma editora recebe mensalmente. Dependendo do tamanho esse número pode variar de trinta a trezentos originais, às vezes até mais. E FALA SÉRIO! Não há equipe o bastante, seja numa pequena seja numa grande, capaz de analisar essa quantidade de obras.

Em seu nível mais básico o Book Proposal é um documento de vendas. Um veículo pelo qual escritores, em especial os iniciantes, vendem seus livros para os editores.

FALA SÉRIO! O meio editorial é, antes de qualquer coisa, um negócio. É improvável que um editor com quem você ainda não tem um relacionamento vai perder tempo lendo um manuscrito inteiro. Por isso existe o Book Proposal. Ele é uma proposta que tem como objetivo convencê-los de que eles terão retorno com o livro. Por isso ele deve convencer os editores, e outros tomadores de decisão, no processo de aquisição livro, de que você conhece não só o tema sobre o qual está escrevendo, mas também seu mercado, seu público. E como já disse: o que seu livro tem que nenhum mais tem.

Mas como é o Book Proposal?

Em quatro ou cinco páginas, deve ter um sumario com o tema, o gênero e o público alvo; uma descrição que possui desde o resumo da obra em uma frase; uma sinopse para o leitor (no estilo do que se vê em qualquer quarta capa de livro) e o tamanho do texto com número de páginas, de palavras, de toques com espaço; um resumo com começo, meio e fim da história descrevendo cada capítulo em no máximo um parágrafo; quaisquer informações adicionais sobre o projeto, como fotos, mapas, etc; e finalmente suas credenciais.

Não sei você, mas pessoalmente considero qualquer ferramenta que ajude a vender uma ideia uma boa coisa.