Avaliação

O livro nos dá uma aula de geografia e história sob duas rodas, acerca da cultura rica de influências, ao lado da coexistência de religiões em meio aos rituais do povo africano. Um livro incrível, escrito por um compositor e baterista sensacional e bem culto!

9.5
Nota

 

Olá!

Confira a resenha do livro O ciclista mascarado, do escritor e compositor Neil Peart. Publicado pela editora Belas-Letras. Recebi o livro pela parceria .

 

Quem acompanha o blog ou me conhece pessoalmente, sabe que amo Rock ‘n Roll. Por que estou falando isso? Simples. Neil Peart é um dos maiores e mais conhecidos bateristas do mundo. Ele é baterista da banda canadense Rush.

 

Ah, mas você não conhece o Rush? Então, vou te fazer uma pergunta: Você já ouviu falar do McGyver? Na década de 80, o seriado McGyver passava na TV e eles usavam nas chamadas, aqui no Brasil, uma música do Rush, a Tom Sawyer e assim ficou bem conhecida aqui, apesar de não ser a música oficial das chamadas ou da abertura.

E Tom Sawyer é um personagem dos livros de Mark Twain 😀

 

Neil Peart introduz o livro contando que as pessoas vão para a África Oriental pelos animais e à África Ocidental pelas pessoas. Ele foi para a Oriental e se encantou com a vida selvagem, o Serengeti e seus lagos com pássaros. Retornou um ano depois para a África ocidental para saber sobre o modus-vivendi das pessoas, sua cultura, suas crenças, sua magia…

“Andar de bicicleta é um bom modo de viajar em qualquer lugar, mas principalmente na África, onde você se torna independente e móvel, e assim viaja na velocidade das pessoas – rápido o bastante para se deslocar até a próxima cidade nas horas mais frescas da manhã, mas devagar o suficiente para conhecer as pessoas…. As boas vindas incondicionais dos viajantes cansados são parte do charme, mas também são algo essencialmente africano:  os vilarejos e mercados, o modo como as pessoas vivem e trabalham, a aceitação alegre da adversidade … e sua rica cultura: a música, a magia, as esculturas – as máscaras da África.”

Neil parte para uma longa e desafiadora viagem, num ambiente estranho de condições rudimentares de sobrevivência e clima fustigante. Não seria fácil vencer as barreiras, mas o esforço valeria a pena.

“A melhor parte da viagem de aventura, na minha opinião, é ficar pensando nela. Um motivo para encarar a jornada é vivenciar o mistério de lugares desconhecidos.”

O livro se compõe de três partes: a primeira Homem branco, para onde você está indo?

No início da jornada, ele se junta a David, nativo de Camarões e líder da excursão, Leonard, um ciclista dos EEUU,de “temperamento sereno”, Annie, “de bom coração” e Elza a integrante mais velha da equipe.

O grupo passa pelos vilarejos de costumes próprios, diferentes uns dos outros, cujos modus-vivendi era determinado pelas influências “colonial ou mesmo assistencialista.”

Acompanhamos o protagonista na descrição das pessoas e os contrastes culturais, das estradas fustigantes de terra batida, das paisagens, e até dos sentimentos particulares dos excursionistas diante das surpresas no meio do caminho.

Na segunda parte , em Epifanias e Apostasias, é o momento em que o grupo de ciclistas percebe a questão da religião. Ali o povo é influenciado pela cultura cristã. Os missionários, vistos como pessoas que deveriam trazer ajuda real aos necessitados, ao chegarem constroem  igrejas. Eles precisam, na verdade é de água potável e alimento.  Não só a África mas os países de terceiro mundo carecem de água limpa.  Primeiro deveria ser salvar vidas, depois a alma.

“Mas os missionários não chegam a um vilarejo e cavam um poço; eles chegam e constroem uma igreja.”  Sua missão é espalhar a palavra de Deus.” Não alfabetizam.

Na terceira parte em “ Homem branco, o que você está fazendo?”, os ciclistas passam por privações de água, alimento, energia elétrica e local de repouso. Eram chamados de “Homem branco”.

Tiveram problemas com policiais, principalmente os brancos estrangeiros. Mais ao norte, enfrentaram o problema do  suborno (prática comum  do lugar)atrasando viagens e atrapalhando a vida de muita gente.

“Às vezes, eu até mesmo vi nosso motorista pegando algumas cédulas antes de sair de seu banco. O suborno era rotina para os motoristas de ônibus e de táxi na África. Era pagar ou ficar.”

O livro nos dá uma aula de geografia e história sob duas rodas, acerca da cultura rica de influências, ao lado da coexistência de religiões em meio aos rituais do povo africano.

Um livro incrível, escrito por um compositor e baterista sensacional e bem culto!

Capa muito legal, diagramação agradável à leitura. Recomendo

CAPA, FICHA TÉCNICA, SINOPSE

 

ciclista mascarado

O ciclista mascarado

The Masked Rider

Neil Peart

ISBN:9788581741659
Editora: Belas-Letras
Número de páginas: 336
Encadernação: Brochura
Formato: 16 X 23 cm
Ano Edição: 2016
Tradução: Candice Soldatelli

 

SINOPSE

 

Pedale com o roqueiro Neil Peart em uma extraordinária jornada de bicicleta por estradas de chão batido, encontros com milícias armadas e crises estomacais na África Ocidental dos anos 1990. Graças a esse meio de transporte – rápido para ir de uma cidade a outra em apenas uma manhã e lento o bastante para perceber a alegria das pessoas humildes pelo caminho – a longa jornada proporciona surpresas, choques culturais, momentos de fome, sede e conflitos internos. Este é o livro de estreia de Neil Peart, compositor do Rush, a lendária banda de rock canadense, publicado originalmente em 1996 e só agora traduzido no Brasil. O clássico indispensável para quem está disposto a viver, como o ciclista mascarado, uma emocionante e desafiadora aventura sobre duas rodas.

Boa leitura

See ya!

Rosana Gutierrez

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