Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Cá estamos na quarta parte de Como Escrever e Publicar e FALA SÉRIO! Efetivamente nem chegamos a falar sobre escrever, pois estamos ainda trabalhando os blocos estruturais por trás da história.

Antes de continuarmos, vamos repassar o que foi comentado anteriormente: primeiro você deve ler de maneira consciente, anotando aspectos que tenha ou não gostado na história de modo usar ou evitar quando escrever; deve considerar seu projeto de uma maneira profissional, ou seja, pensar num público alvo e se focar nos gostos dele; deve criar personagens cativantes e que ganhem a empatia, a identificação dos leitores; e antes de começar a escrever deve desenvolver um esqueleto da história, do inicio ao final, lembrando que ter a trama determinada, mesmo que de uma maneira genérica, te ajudará no caso do infame “bloqueio de escritor”.

Agora, uma das coisas que vivo comentando, em especial quando se fala de literatura fantástica, mas que também é muito importante em outros gêneros literários, é a respeito da definição do universo no qual a história acontece. E digo que isso é importante em fantasia porque este é um gênero em que boa parte da criação do universo é feita praticamente toda pelo escritor e na maioria das vezes este termina mais como uma caricatura malfeita do nosso do que efetivamente como algo completo, como deveria ser.

Quer dizer, você sai de São Paulo e vai para outros estados e as pessoas têm costumes, estilos de vida, até um sotaque diferente. FALA SÉRIO! É só ir pra Santos, a menos de uma hora da capital e as pessoas tem um modo de falar diferente.

Não é assim? “Caiçara”, “caipira”… O “redneck” dos Estados Unidos (apelido que existe porque, como as pessoas trabalham no campo, os pescoços ficam queimados de sol, daí “red”, vermelho, e “neck”, pescoço), e ai você pega pra ler uma história de fantasia medieval em que os protagonistas andam por diferentes vilas, cidades, até reinos e nada muda…

Isso sem contar que existem raças totalmente diferentes, como elfos ou anões, algumas que raramente se misturam e ninguém tem preconceito. Ou seja, a verossimilhança desaparece logo no início. Seria como contar uma história nos anos 1990, no início da Internet, e falar que tinha Facebook. Totalmente falso! E olhe que este é um detalhe superficial. Existem inúmeros outros que se eu fosse discutir daria um livro só para os cuidados que se deve ter ao escrever fantasia medieval.

Traduzindo toda essa informação acima, e FALA SÉRIO! é incrível que isso esteja acontecendo em plena “Era da Informação”, em que qualquer dado pode ser achado simplesmente teclando no computador. Modo de vida, aspectos culturais, dados sobre o funcionamento do governo. Tudo isso deve ser considerado para que sua história fique verossímil, independente do gênero que você escreva PESQUISA é essencial!

Porque se você não fizer o leitor acreditar no que escreveu, ele não comprará outros livros seus. Se o editor não acreditar, o livro nem será publicado!