Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

COMO ESCREVER & COMO PUBLICAR – parte 5 de 6

Você desenvolveu a ideia, criou os personagens, determinou o universo, criou a trama do início ao fim da história, e agora tem de começar a escrever.  E FALA SÉRIO! Uma vez mais deve pensar no leitor. Como fazer isso?

Começando de um ponto interessante em que esteja acontecendo algo, ou com uma promessa de ação, para que o leitor fique curioso sobre o que acontecerá em seguida. A pior coisa que muitos amadores fazem é achar que eles precisam ambientar o leitor e explicar o que está acontecendo com longas e desnecessárias descrições.

FALA SÉRIO! Como editor eu já ouvi inúmeras vezes o escritor explicar quando digo que comecei a ler e a história está chata, que ela “melhora na página 10, 30, 50…”. Sabe o que eu respondo? “Então começa a história da página 10, 30, 50! Porque se você demorar para começar a história, terminará por perder o leitor”.

E olha que eu já vi o escritor virar e me perguntar “mas como eu faço para explicar depois?”

Depois você diminui o ritmo para uma explicação mais detalhada, faz um feedback para explicar como o protagonista chegou ali, sei lá! Mas você tem de jogar ele na tormenta, chamar sua atenção, fazer a promessa antes de dar as explicações.

Um exemplo clássico disso pode ser visto em dois detalhes do primeiro filme de Star Wars, Episódio IV – Uma Nova Esperança. Além do filme começar com uma nave sendo bordada por outra enorme, que chama a atenção do público e deixa todo mundo curioso, a história em questão começa no Episódio IV. Na metade da trama. Inclusive, quando questionaram George Lucas a respeito, ele respondeu que começou do IV episódio, pois era a parte que tinha mais ação.

A maioria dos Best-sellers segue uma regra, que é no primeiro terço da história apresentar o protagonista, a premissa e a ambientação. FALA SÉRIO! São três perguntas básicas: Quem? O quê? E onde? Na verdade eu pessoalmente considero que o protagonista, ‘Quem’ deve ser apresentado logo na primeira cena.

Eu já comentei a respeito deste assunto diversas vezes, e apresentei uma poesia do escritor Rudyard Kipling (1865-1936) que serve perfeitamente na literatura, em especial nesta parte da criação de histórias. A poesia se chama ‘My Six Servantes’, ou ‘Meus Seis Serviçais’. Ela é assim:

My Six Servants

I keep six honest serving-men

They taught me all I knew;

Their names are What and Why  and When

And How and Where and Who.

 

A tradução seria a seguinte:

Meus Seis Serviçais

Eu tomei o serviço de seis honestos empregados

Eles me ensinaram tudo que sei;

Seus nomes são ‘O quê’ e ‘Por quê’ e ‘Quando’

E ‘Como’, ‘Onde’ e ‘Quem’.

 

Ou seja, no primeiro terço da história você explica Quem? O quê? E onde?

Depois, no segundo terço da história, quando trabalha a trama e normalmente após a primeira reviravolta, explica o restante, Por quê? Quando? E Como?

E na terceira parte, após normalmente uma segunda reviravolta, você fecha as pontas soltas da história, concluindo a trama e finalizando o livro.

Simples, não? FALA SÉRIO! Não! Porque atrás dessa estrutura existem outras, bases onde ela se apoia e sem as quais ela não funciona. Mas isso é assunto para a última parte deste artigo.