Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Dizer que a crise chegou ao mercado editorial, como estão fazendo, é chover no molhado. FALA SÉRIO!  Num país em que mais de 60% da população, segundo dados do IBOPE, é analfabeta funcional (incapaz de compreender um texto simples), na verdade esse mercado na realidade sequer saiu da crise! Não é a toa que ele é semelhante ao mercado editorial argentino, sendo que nossa população é praticamente cinco vezes menor que a deles.

O que está acontecendo aqui é que as poucas pessoas que têm o hábito da leitura estão sim sendo atingidas pela crise, de modo que o mercado editorial brasileiro está sim diminuindo. Grandes redes estão fechando lojas, grandes grupos editoriais, como a Leya mais recentemente, mas antes a Saraiva e antes ainda a Saída de Emergência, que recentemente haviam começado a investir aqui, venderam ou estão procurando vender suas operações aqui no Brasil.

E FALA SÉRIO! Dizer que em meio a essa crise alguém teve lucro, que foi como anunciaram da Saraiva, que fechou 2015 com um lucro de R$ 329 milhões, é absurdo. O lucro em questão foi devido à venda dos seus ativos editoriais. Seria como dizer que uma pessoa que, apesar de ganhar R$ 1.500,00 reais por mês, no mês passado ganhou R$ 8.000,00, mas só porque vendeu seu carro. E no caso é pior, porque são os ativos editoriais que geram o lucro real da editora.

E quem pensa que com o dólar alto as editoras apostarão mais no mercado nacional, como elas mesmas já me disseram, também pode tirar o cavalinho da chuva. Se nem quando o mercado estava melhor as editoras efetivamente faziam a propaganda e o marketing dos escritores nacionais que publicavam (FALA SÉRIO! Essa é uma reclamação que eu ouço muito), não será agora que elas apostarão em literatura, preferindo livros de moda, como os de youtubers, que já vem com uma quantidade de fãs que garantirá as vendas.

O triste aqui é que nem as editoras pensam nisso como uma carreira e nem os vlogueiros, que ganham dinheiro postando seus vídeos na internet, o que deixa aqueles que buscam ser profissionais da literatura sem ter o que fazer.

“Mas então não tem jeito?”, você vai perguntar.

Um jeito simples, não!

FALA SÉRIO! Como já coloquei acima simples nunca foi! Mesmo quando a economia estava melhor, ou quando víamos os famosos “boons” de literatura de gênero, a maioria do que efetivamente vendia era importado.

Na verdade existem projetos para prestar serviços a escolas ou lançar projetos que incentivam a leitura, mas isso é para grandes editoras, não para escritores. A não ser que estes, que já possuem livros publicados, busquem suas editoras para se prontificar a ajudarem nas vendas de seus livros.

Ao escritor sozinho resta, se publicado usar a internet e as redes sociais com mais afinco e de modo mais focado, buscando com isso se apresentar e a sua obra a um possível público leitor; ou tentar publicar e-books ou em ferramentas como o Wattpad, buscando achar seu nicho de mercado.

Mas tenho de reforçar: FALA SÉRIO! Todas estas ações sejam elas conjuntas com as editoras ou solitárias, pós ou pré-publicação, demandarão um trabalho hercúleo, especialmente agora que a economia está em crise.