BASTIDORES LITERÁRIOS – O EDITOR / O AGENTE LITERÁRIO / O LEITOR CRÍTICO


Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

A ideia deste artigo veio de uma conversa que tive com outro profissional da área literário/editorial após terminar de ler um livro nacional. Eu comentei a respeito dos pontos fortes e fracos do mesmo e ele respondeu “você nunca vai saber realmente o quanto disso é efetivamente do autor se não tiver em mãos o original”.

FALA SÉRIO! Isso não só é verdade, como também me lembrou de uma conversa que tive com um editor durante a Bienal do Livro do ano passado a respeito de outra obra nacional, na qual ele disse haver ajudado muito a autora durante o processo de criação, algo bastante raro aqui no Brasil.

Na realidade não é função do editor, ou da editora, fazer leitura crítica e devolver a obra comentada ao escritor. Tanto isso é verdade que no site de algumas editoras que estão aceitando originais existem explicações como a editora “mantém uma pequena equipe para avaliar os originais a ela submetidos”, “a editora não emite parecer do material recebido” ou “as obras recusadas não serão comentadas, e a justificativa da recusa será sucinta”.

Isso, pois no mundo todo quem faz isso é o Agente Literário, que como eu já comentei aqui mais de uma vez, tem como função fazer a ponte do escritor com a editora.

Na falta deste, outro profissional que tem como objetivo analisar e encaminhar o escritor sobre os pontos fracos e fortes de sua obra é o Leitor Crítico, que só se diferencia do Agente por não fazer a ligação do escritor com a editora, só ajudando o mesmo com seu original.

Eu me recordo de quando estava me preparando meu primeiro original, uma noveleta da coleção Necrópole, publicada há mais de uma década, que cada um dos escritores serviu de leitor critico, lendo e relendo todos os textos de modo a deixar cada um deles o melhor possível.

Eu mesmo tive uma ideia em relação a um deles de começar a noveleta do final, mostrando uma cena que deixasse o leitor curioso, para só então começar a história. FALA SÉRIO! Esse é um exemplo interessante, pois não era o caso do texto estar fraco, mas simplesmente que, começando do fim, sem explicá-lo, isso chamaria mais a atenção do leitor para o que havia acontecido na história antes.

Do mesmo modo, outro escritor que fez uma leitura crítica do meu texto percebeu que apesar de ter uma ideia durante o processo de criação, eu esqueci-me de colocá-la no papel, de modo que originalmente o texto tinha um erro de continuidade. Percebendo isso eu acrescentei um simples parágrafo e resolvi a questão.

É exatamente devido a colocações como estas que eu resolvi comentar a respeito do assunto. Porque existem casos em que o texto original tem qualidade e o Leitor Crítico só ajuda polindo as arestas (ou dando ideias que o autor, por estar muito focado em como a obra está, não consegue ver), assim como tem casos em que o texto é praticamente reescrito, fazendo do analista quase um Ghost Writer (FALA SÉRIO! Existem “lendas urbanas” que afirmam que alguns dos best-sellers nacionais de gênero mais recentes na verdade são obras de Ghost Writers e não de seus autores).

Evidente que nossa ideia é que o Leitor Crítico somente ajude o escritor a deixar o original pronto para o mercado, ajudando nos detalhes que chamarão a atenção do editor, assim como do público. Então, pense nisso antes de enviar seu original para avaliação por uma editora.

Como eu já coloquei em artigos anteriores, praticamente todos os escritores lá fora, mesmo os já famosos, possuem leitores críticos profissionais e agentes literários que analisam seus originais e o ajudam a prepará-lo antes que o mesmo seja enviado a suas editoras.

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