Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS LITERÁRIOS

Recentemente eu recebi uma proposta para ajudar na criação de uma editora e, como atualmente estou, com o Aliteração, organizando uma coleção de e-books, assim como prestando serviços editoriais de Leitura Crítica, Preparação de Texto e Tradução, terminei por declinar da oferta. Mesmo assim gostaria de comentar um pouco a respeito e não só deste caso, mas de muitos pelos quais passei nestes mais de dez anos, desde que publiquei minha primeira noveleta ainda em 2005.

Quando eu comecei a pensar em escrever profissionalmente, em 2004, a primeira coisa que me veio à cabeça foi: eu preciso fazer networking. FALA SÉRIO! Pode parecer inusitado nos dias de hoje, mas o mais próximo às redes sociais na época (quem houve isso pode pensar que estamos falando de meados do século XX, mas só faz 12 anos) eram as Listas de Discussão.

Eu escolhi um tema, entrei em três ou quatro, achei outros escritores efetivamente interessados em publicar e começamos um projeto, que mais tarde se tornou a série Necrópole, com três livros publicados: Histórias de Vampiro (2005), de Fantasmas (2006) e de Bruxaria (2007).

Nesta época a rede social já era o Orkut e uma vez mais se fazia necessário participar de comunidades temáticas de modo a fazer seu networking. E numa delas aconteceu um fato interessante que tem a ver com este convite. Numa das comunidades o responsável começou um movimento para a criação de uma coletânea com contos dos participantes.

Como eu já havia não só participado, mas criado uma coletânea, resolvi conversar a respeito do que eu havia aprendido com isso, de modo a ajudá-lo, porque apesar de parecer, fazer uma coletânea profissional não é algo simples, demandando não só saber escrever, ler criticamente, como também agir como um editor e ver qual é a melhor história para começar, terminar e que histórias podem ou não podem ficar próximas.

FALA SÉRIO! A resposta foi a mais inusitada! Ele não só foi contra todos meus comentários, como também apagou todas as minhas postagens e me expulsou da comunidade de modo que mesmo na época eu brincava que era impossível eu sequer provar que aquilo havia acontecido.

O que? Se a coletânea saiu? Não faço ideia. Mas pela falta de informações posteriores de outros participantes da comunidade com que mantive contato, parece que não.

De qualquer modo, após lançar o segundo volume da série Necrópole, outro participante me chamou e nós resolvemos abrir uma editora, a Tarja Editorial, especializada em Literatura Fantástica, que durou de 2008 a 2014.
A primeira coisa que pensamos ao criar a editora foi o que lançar. Porque não é porque ele e eu somos escritores que nós simplesmente vamos lançar uma editora para publicar nossos livros!

FALA SÉRIO! Pode parecer simples, mas não é! Para que uma editora cresça ela precisa lançar títulos regularmente, fazer um catálogo, contar com escritores “da casa”… E isso é só o começo!

É preciso entrar em contato com livrarias, com distribuidoras, fazer e participar de eventos e principalmente buscar conhecer o mercado, nacional e internacional, de modo a buscar saber o que do mercado está precisando, o que está saturado, como o mercado reage a este ou a aquele tema.

No caso da Tarja nós conseguimos lançar a primeira coletânea de Steampunk nacional, um gênero cujo mercado que existia e estava, para não dizer está crescendo e que não tinha NENHUMA publicação em português; o primeiro Mash-up nacional; os primeiros livros de New Weid Fiction em português; e o primeiro livro DO MUNDO de Retrofuturismo com todas as grandes vertentes do gênero punk, do Stonepunk na Idade da Pedra ao Cyberpunk, passando pelo Bronzepunk, Middlepunk, Clockpunk, Steampunk, Dieselpunk, Nazipunk, Atomicpunk e Transistorpunk…

Desde então, tivemos o surgimento, a queda e o retorno dos e-books, assim como o surgimento de ferramentas de autopublicação, como a Amazon e o Wattpad, que podem trazer bem mais leitores do que uma simples antologia publicada no papel. Assim como o marketing digital pode ser bem mais efetivo do que aqueles primeiros capítulos distribuídos em eventos e livrarias…

FALA SÉRIO! Não que estes não funcionem, mas o mercado é uma entidade viva, que muda de acordo com a sociedade, e se não mudarmos e nos adaptarmos a eles, as dificuldades para publicação serão cada vez maiores. Então fique de olho no mercado, e lembre-se: continue escrevendo sempre!