Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Há algum tempo saiu um artigo na Folha de São Paulo citando o que Tomás Pereira, um dos editores e donos da editora Sextante falou numa palestra que fez na feira de Frankfurt cujo título era “OS MELHORES AUTORES DO PAÍS ESTÃO ESCREVENDO NOVELA, DIZ EDITOR

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Com essa colocação ele respondeu a uma agente literária a respeito da baixa disseminação da ficção comercial no Brasil, mercado atualmente dominado por autores estrangeiros, colocando que o mesmo acontece, pois “os melhores autores brasileiros estão escrevendo novela“, colocando também que “o mercado leitor brasileiro não está tão maduro como na Europa”.

A Folha ainda procurou o editor que comentou que “o Brasil não consolidou um mercado de livros de massa e que as editoras não conseguem competir com o mercado de TV pelos autores com habilidade para serem best-sellers”.

Entendo que nosso mercado editorial é fraco e que o brasileiro médio não tem o hábito da leitura, mesmo assim é interessante que não somente os best-sellers internacionais vendam bem aqui, como também o mercado de não ficção seja dominado por escritores nacionais.

FALA SÉRIO! É interessante que ele mesmo respondeu a questão por trás de toda a colocação quando disse que: “como somos grandes exportadores de novelas, criou-se uma indústria. A TV Globo faz oficinas de roteiristas“.

O único erro que cometeu, talvez de propósito para tirar a responsabilidade dos ombros das editoras, foi inverter os fatores da colocação. Se fizermos isso teremos que ‘somos grandes exportadores de novelas, pois criou-se uma indústria e a TV Globo faz oficinas de roteiristas’, o que resumidamente seria: A Rede Globo INVESTE nos escritores, se tornando com isso uma exportadora de novelas’

FALA SÉRIO! Isso nada mais é do que a versão atualizada de um ditado antigo bastante conhecido: “SE A GRAMA DO VIZINHO PARECE MAIS VERDE, TALVEZ VOCÊ ESTEJA OLHANDO DEMAIS PARA A DELE E SE ESQUECENDO DE REGAR A SUA”. Porque dizer que é difícil para um escritor se sustentar só com o dinheiro de seus livros, o que não acontece com o mercado audiovisual é fácil. Quero ver pagar o escritor como as redes de TV pagam seus roteiristas.

Uma vez mais isso é algo que eu venho comentando já faz um tempo: Todo problema tem mais um lado. Neste caso temos pelo menos três: Escritores, Editoras e Público Leitor.

O brasileiro lê pouco? Sim! Existe um preconceito dos leitores em relação ao escritor nacional? Também! Mas a culpa disso não cabe só aos leitores ou aos escritores, quando não é feito o devido marketing ou divulgação dos escritores nacionais.

E se, como disse o presidente do Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) o Brasil não tem um corpo de agentes literários, profissionais que costumam trabalhar com os originais de modo a deixar as obras mais comerciais, como os EUA, deveria também ser função do editor descobrir não só o que o mercado está buscando, como achar as joias brutas e lapidá-las, como acontece lá fora.

Porque FALA SÉRIO! Não é necessária nenhuma especialidade ou know-how para comprar um produto que já é um best-seller, nem divulgação ou marketing para vendê-lo quando o mesmo já está sendo adaptado para o cinema. Quero ver acreditar num escritor desconhecido e fazer dele um best-seller.

Finalmente, em relação ao escritor nacional: Não ache que você sabe tudo e que sua obra é perfeita! Apesar de raros, já existem profissionais sérios no meio editorial (como nós do Aliteração) que fazem Leituras Críticas e Preparação de Texto, de modo a não só deixar seu texto pronto para o mercado, como também ajudá-lo a se desenvolver profissionalmente.

Afinal de contas o desenvolvimento de estilo, como o aprendizado, é uma estrada que não acaba nunca.