BASTIDORES LITERÁRIOS – AINDA MAIS A RESPEITO DO TRABALHO DO EDITOR


Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Há algumas semanas eu escrevi a respeito de dois artigos publicados no Publishnews a respeito de como é, ou ao menos deveria ser o trabalho do editor. Para minha surpresa, recentemente verifiquei que não só o autor do primeiro artigo ‘A CABEÇA DO EDITOR DO SÉCULO 21: CADÊ O GLAMOUR?’ havia continuado a escrever e respeito, mas também que, modéstia a parte, a impressão que dava era que o novo artigo era uma resposta ao que foi escrito aqui no Aliteração, no artigo UM POUCO A RESPEITO DO TRABALHO DO EDITOR.

Como sempre, mesmo o analisando, caso você queira ler, o link para o novo artigo, ‘A CABEÇA DO EDITOR DO SÉCULO 21: A ANGÚSTIA DO JOGADOR’, CLIQUE AQUI.

Veja bem, eu mesmo já trabalhei como editor e tenho que concordar que o profissional tem de ‘deixar o gosto pessoal de lado para publicar o que as pessoas querem ler’. FALA SÉRIO! Falar isso é chover no molhado! É como dizer que o escritor deve pensar no leitor. É uma colocação tão evidente que nem precisaria ser feita.

A questão a respeito deste artigo não é que ele não fale a verdade, mas que compara o editor nacional com o internacional considerando-os num mesmo nível. Quer dizer eu entendo, como editor de uma pequena editora que fui, o que é antes de sequer pensar numa antologia, ou analisar um original ter de considerar o mercado nacional, o internacional, o público leitor, algum evento para chamar atenção para o livro, especo nas livrarias e redes sociais, e tudo isso sabendo que raramente o livro será um best-seller. Agora o autor do artigo vem falar de ‘sorte’? De reuniões corporativas anuais de editores internacionais? Da “angustiante busca pelo best-seller”? E ainda vem dizer que “o editor é um jogador” e que “editar é apostar”? FALA SÉRIO!

Eu não vou dizer que editar não é combinar sim uma visão racional do mercado e do produto com uma intuição mercadológica. Não vou contestar que a não só as grandes, mas a maioria das “editoras se mantêm com um número que varia de 10% a 20% dos títulos que publicam”, tendo que manter não só a empresa, como bancar os fracassos que encalham nos estoques da mesma. Agora, dizer que a busca por títulos com potencial para se tornarem best-sellers é tortuosa e cheia de blefes é uma mentira! É real para aqueles que lançam o original do zero e que batalham fazendo marketing para transformar um livro desconhecido num hit, não para quem só vai comprar esse hit só para traduzi-lo. Quer dizer, o editor internacional tem sim que acompanhar as tendências mundiais, ir às feiras e conversar com colegas, devorar os relatórios, ficar de olho na imprensa, na televisão, nas redes sociais, mas FALA SÉRIO!, ao grande editor nacional basta abrir o jornal internacional na parte de best-sellers, ou quem sabe buscar os livros que estão virando filmes ou séries e depois procurar a agencia ou editora que tem o direito de publicação do livro em questão para comprá-lo.

Foi interessante ler a respeito da “clássica história das várias recusas dos editores que puderam ler os originais do primeiro Harry Potter” quando eu mesmo perguntei a respeito em meu artigo, mas a questão continua: será que algum editor das grandes nacionais apostaria na “história do bruxinho” antes dela se tornar um hit? Antes de ter ido para o cinema? É lindo vê-lo discorrer a respeito da “série Cinquenta tons de cinza e de como o próprio agente da obra disse para ele que não sabia que possuía um best-seller daquele tamanho nas mãos”, mas uma vez mais a pergunta se mantém: será que algum editor das grandes nacionais apostaria na E.L. James antes dela se tornar o que se tornou? Ou simplesmente dispensariam o original como fazem com inúmeros que chegam às editoras todos os meses?

Porque FALA SÉRIO! Atualmente temos escritores nacionais escrevendo em sites, blogs e plataformas como o Wattpad e sendo descobertos por editoras internacionais antes mesmo das nacionais saberem que eles existem, como foi o caso de Lilian Carmine, pseudônimo de Bruna Brito e seu The Lost Boys, que foi descoberta pela Random House inglesa e publicada no exterior antes de no Brasil. Aí ficam as perguntas:

  1. Será mesmo que ela seria publicada no Brasil se não houvesse sido publicada antes no exterior?
  2. E como a maioria de nós já sabe a resposta dessa pergunta, será que o “grande editor nacional” é mesmo um “editor jogador” como muitos gostam de se chamar, ou será que não passam de meros compradores de direitos, que só sabem comprar best-sellers, importar em modinhas como livros de desenho ou “apostar” em youtubers cujos milhares de fãs garantirão a venda de seus livros?
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