[Bastidores Literários] Estamos vivendo ou não o fim do livro impresso?


Uma coisa que eu acho interessante a respeito do mercado editorial é como os assuntos, por um motivo ou por outro, voltam à baila. E eu digo isso, pois não só um colega do meio me mandou um artigo falando exatamente a respeito disso, chamado “O Fim dos Livros e Como Você Pode Sobreviver a Isto”, como recentemente saiu uma publicação comentando que a venda de e-books caiu ano passado nos EUA.

O interessante é que não só eu falei a respeito já faz muito tempo, comentando que o medo que trouxe o ressurgimento dos e-books, que para quem não lembra surgiram originalmente no início do milênio, quando apareceu também os e-book readers, como não faz muito tempo eu li um artigo chamado “O fim do fim do livro” contradizendo exatamente essa teoria

E olha que me recordo, voltando ao surgimento dos e-book readers, de que não só haver lido, como também ouvido o testemunho de pessoas que chegaram a ver livrarias fechando nos EUA devido a isso. Mesmo assim o tempo passou e, como aconteceu com o jornal quando surgiu o rádio, e com o rádio quando surgiu a TV, que os dois continuaram a conviver de maneira pacifica. FALA SÉRIO! Se tomarmos o exemplo do jornal, o rádio não acabou com ele, mas a internet conseguiu reduzir drasticamente a produção de jornais impressos. Isso, entretanto, não acabou com os produtores de conteúdo, ou ao menos não com todos eles, pois a maioria simplesmente migrou para o formato digital.

Com o livro físico eu acredito que acontecerá o mesmo. Não creio, como o autor do primeiro artigo, que importe o tempo em que o livro físico exista neste formato, mas sim das pessoas que se acostumaram com ler desta maneira. Quer dizer, o ponto aqui são os chamados millenials, também conhecidos como Geração Y ou Geração da Internet. Como eles já nasceram acostumados á ler na tela, é provável que quando a primeira ou segunda geração (e cada geração representa aproximadamente vinte anos) após a deles amadurecer (pelos meus cálculos isso se dará entre 2060 e 2080) o costume de ler o livro físico já tenha diminuído muito. E se considerarmos como ponto de comparação o que aconteceu com as viagens de navio, que há 70 anos eram o mais comum e atualmente são a exceção (na verdade o mesmo pode se dizer do disco de vinil), os livros físicos não desaparecerão, mas deixarão de se tornar o foco das editoras.

Sim, editoras! Isso, pois essa diminuição na produção do livro físico não necessariamente significará o final das editoras. FALA SÉRIO! Isso foi algo que eu já comentei. Atualmente existe um movimento pequeno de leitores que seguem editoras ou selos editoriais. A meu ver se as editoras quiserem sobreviver a esses tempos de autopublicação, o que elas deverão fazer é fortalecer suas marcas e determiná-las em relação a um gênero, assim como à qualidade, de modo que seus nomes se tornarão marcas que os leitores procurarão neste mar de publicações que, sem a presença de profissionais do meio editorial, poderão não ter a mesma qualidade ou apelo que as lançadas por eles.

E aí estão meus dois centavos sobre o assunto.

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