[Bastidores Literários] Todos os lados da crítica literária


Todo escritor, ao publicar, deve estar pronto a receber críticas a respeito de seu trabalho. É evidente que sempre esperamos que a crítica seja positiva. E FALA SÉRIO! Positiva não somente no sentido de ser um elogio, mas no caso uma que analise objetiva não só dos pontos negativos, mas também os positivos da obra, pois com isso não só o leitor será beneficiado, como também o escritor, que poderá usar essa crítica para descobrir os pontos fracos e fortes de sua história, podendo com isso melhorar no futuro.

Mas mesmo que se receba uma crítica destrutiva, daquelas que nada agrega, simplesmente crítica, ela deveria ser feita por um leitor ou por um crítico, nunca por outro escritor, especialmente se ele tiver uma história na mesma editora, ou pior, na mesma obra, no caso, por exemplo, de uma coletânea. Estou comentando a respeito, pois recentemente foi exatamente o que eu vi acontecer e resolvi, por achar o tópico interessante e instrutivo, trazer o assunto aqui num artigo do Aliteração.

FALA SÉRIO! Quando se crítica uma obra, não se está criticando somente seu autor, mas também toda uma série de profissionais que fazem parte do processo de publicação, inclusive o editor que aceitou publicá-la (apesar de que, como eu já coloquei em artigos anteriores, muitos editores se eximam desta responsabilidade quando um livro não vende). Quando no caso a crítica vai a um livro que também tem uma história da pessoa, na realidade se está criticando o profissional que também escolheu sua obra para participar, criticando assim, mesmo que indiretamente sua própria história. Afinal de contas, todo autor publicado considera sua obra digna. Afinal, se não fosse assim ela não teria considerado a mesma como pronta para publicação.

Como eu comentei na época, uma situação semelhante acontece em jornais e revistas que possuem pessoas de renome como colunistas. Como é dada liberdade ao profissional para escrever o que desejar no espaço, a coluna vem sempre acompanhada de uma nota indicando que, por tratar-se de um colunista independente, o veículo em questão não só não se responsabiliza pelo conteúdo da coluna, como não necessariamente concorda com o direcionamento do mesmo, que pode ser um ponto de vista pessoal de quem o escreveu. Isso, inclusive, não quer dizer que este periódico não possa deixar de perder leitores se mantiver um profissional com posições extremistas.

Mesmo assim eu quero deixar uma coisa muito clara aqui: dizer que um escritor não pode criticar outra história não quer dizer absolutamente que ele seja obrigado a gostar de todas as histórias de um livro de sua editora ou que ele mesmo esteja participando. Como editor e leitor crítico que sou, assim como nas palestras e cursos que ministrei durante mais de uma década no mercado eu já comentei que existem inúmeros elementos que podem fazer com que uma pessoa não goste de uma história e mesmo assim estes não necessariamente estão ligados à qualidade da obra. Fatores como gênero, estilo de escrita, falta de empatia com os personagens podem ser elementos que levam alguém a não gostar de um livro, que mesmo assim pode ser extremamente bem escrito. Um leitor que goste de tramas adultas não necessariamente gostará de um livro com temática infanto-juvenil, assim como um leitor que goste de terror não necessariamente gostará de fantasia ou ficção científica, mesmo assim isso não faz daquela história ruim. Ele só não é o público alvo do livro, de modo que poderá não se identificar com o protagonista, assim como com a trama apresentada. E olha que eu nem preciso comentar a respeito de opiniões pessoais, desde que, evidentemente, as mesmas sejam dadas (e FALA SÉRIO!, aqui eu creio que a colocações seja válida para praticamente todos os aspectos da vida) com o devido respeito.

Finalmente, não é certo que um escritor faça críticas destrutivas em relação à história de um companheiro, em especial de um mesmo livro ou antologia, pois além de isto ser uma descortesia profissional, ao criticar os demais contos, dizendo que, como eu já vi acontecer, só o dele é bom, ele estará ‘queimando o próprio filme’, pois estará mostrando ao mercado que poderá fazer a mesma coisa ao publicar em outras coletâneas ou editoras, ou seja…

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