Pantera Negra: o adeus a Chadwick Boseman


pantera negra

O filme do Pantera Negra chegou aos cinemas no início de 2018, alguns meses antes deste que vos fala passar a escrever para este veículo; por isso, e obviamente, devido à partida precoce do ator Chadwick Boseman, decidi fazer uma resenha póstuma do filme e do personagem, valendo-me também do distanciamento temporal que muitas vezes nos permite ter uma visão melhor e mais ponderada sobre as coisas.

Pois bem. De cara, adianto que continuo vendo em Pantera Negra todas as qualidades que vi há pouco mais de dois anos. Para quem não assistiu, a história se passa após os acontecimentos de Capitão América: Guerra Civil. De volta à Wakanda para assumir o trono que pertencera a seu pai – e posto do Pantera Negra – o príncipe T’Challa se vê às voltas com os conflitos entre as tradições tribais de seu país e as infindáveis riquezas e tecnologias que poderiam ajudar o resto do mundo, mas permaneciam escondidas devido ao medo de que uma abertura política estragasse aquele paraíso escondido no meio da África. Entretanto, um crime escondido no passado de seu pai vem à tona, ameaçando não apenas a vida de T’Challa, mas o futuro de Wakanda.

Impecável do ponto de vista técnico e com uma história convincente, Pantera Negra contou ainda com a direção precisa de Ryan Coogler e um elenco carismático, que, além do protagonista Chadwick, teve como destaques o antagonista Michael B. Jordan e as estrelas LupitaNyong’o e Angela Bassett. O resultado? Mais de um bilhão de dólares em bilheteria – a 5ª maior da história dos filmes de super-herói, ficando atrás apenas dos quatro Vingadores – três estatuetas no Oscar, além de uma indicação de Melhor Filme (a primeira e até hoje única do gênero), mas principalmente: uma geração inteira que conheceu um grande protagonista negro no racista mundo dos super-heróis.

Muitos vão dizer, e é verdade, que já havia os três filmes do Blade. Fato, mas vale observar que na época da trilogia com Wesley Snipes o gênero ainda não estava na moda, não tinha tanto alcance e nem uma produção tão requintada. Talvez alguns digam ainda que mesmo no recente Universo Marvel há os também negros Falcão e Máquina de Combate, mas não. Nas brincadeiras entre crianças, ninguém quer ser o ajudante do Capitão América ou do Homem de Ferro, bem como ninguém quer ser o Robin. Boseman deu vida a um herói dos grandes: forte, emblemático, carismático, com mitologia própria e uniforme imponente. Sabe aquele papo de representatividade? É Isso, e o rosto desse marco é o de Chadwick Boseman, que possui outros grandes trabalhos no currículo, como 42, Get On Up – em que teve elogiada atuação como o lendário cantor James Brown – e o recente Da 5 Bloods.

Saber que muitos de seus filmes – incluindo os dois últimos Vingadores e o próprio Pantera – foram gravados em meio a sessões de quimioterapia é, não apenas um choque, mas também uma lição. O heroísmo de seu personagem mais famoso não é maior do que a força demonstrada na vida real, e a importância de seu trabalho no combate ao racismo não pode e nem deve ser esquecida. Para muitos, apenas um filme de super-heróis. Para milhões de negros que amam o gênero e se sentiram finalmente representados, um momento histórico.

Adeus e obrigado!

#wakandaforever

Fotos: divulgação ( marvel/netflix)

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