Will & Will era uma questão de necessidade pra sobrevivência na minha vida. John Green é um dos meus autores preferidos, então eu adoro ler todos os livros que puder dele (considerando que ele tem só cinco livros – e um conto – publicados, fica fácil). E eu sempre ouvi falar muito bem de David Levithan, mas nunca tinha lido nenhum livro dele. Quando a Rosana disse que ia me enviar o livro, eu quase morri de alegria! Só que, com Bienal e troca de faculdade, eu acabei empurrando a leitura desse livro… E consegui ler Todo Dia, do David Levithan, antes desse. Olha, a melhor coisa que eu fiz na vida. O livro é lindo, e Levithan virou amor na minha vida. <3

E foi desse jeito, apaixonada pela poesia que Levithan e Green fazem toda vez que transformam pensamentos em palavras escritas, que eu comecei essa história linda sobre os dois Will’s mais improváveis do mundo. Um Will do Green, outro do Levithan. É fácil descobrir qual Will é de qual autor: o de Levithan tem uma marca especial, que é a narrativa completamente feita em letras minúsculas. Toda a narrativa. Nenhuma letra maiúscula. NENHUMA. Meu coração de revisora sofreu por umas duas páginas, até aceitar isso.

Mas as diferenças não param por aí. O Will de John Green tem a cara dele: é nerd, tem algumas ideias fora do comum e um melhor amigo pra compartilhar o que quiser. O Will do David Levithan é depressivo, não tem amigos e está apaixonado por alguém que só conhece virtualmente. Os dois, pelo menos no início da história, só tem uma coisa em comum: nome e sobrenome. Will Grayson e Will Grayson.

 

“- Sei que é uma merda, mas, num certo sentido, é bom. […] O amor e a verdade ligados um ao outro, quero dizer. Eles tornam um ao outro possível, sabe?”

 

O Will-do-Green está em em uma fase tensa na vida dele. É o fim da vida escolar, tem que decidir o que quer fazer do futuro, não sabe direito o que sente sobre uma menina específica e ainda por cima tem que aturar seu melhor amigo, Tiny – que por um acaso é enorme, tendo devaneios sobre um musical baseado na vida dele. Tiny diz que nasceu para brilhar, e que suas decepções amorosas, que são muitas, tem que servir como um exemplo para os outros. Will acha que seu amigo se apaixona tão fácil quanto troca de roupa.

O Will-do-Levithan é o extremo oposto. Deprimido, não vê muita razão para levantar da cama todos os dias, uma vez que nada no mundo fora de seu quarto pareça atraente para ele, em qualquer sentido. Ele tem uma paixão virtual que em breve se tornará real, e essa parece ser a única coisa que o deixa feliz na sua vida. E é no dia em que uma grande decepção acaba por tomar conta da sua vida que ele conhece Will-do-Green.

Isso não acontece de imediato na história, mas quando esse encontro – completamente inesperado e na situação mais. improvável. do. mundo. acontece, parece que o destino dos dois acaba se entrelaçando bem firmemente. Só tem um pequeno porém: eles dois são os personagens principais mas, na verdade, o foco é todo sobre Tiny, o melhor amigo grandalhão e gay do Will Grayson de John. Pense numa pessoa extrovertida, que assume quem é e que se ama de verdade. Esse é Tiny. Não me lembro de ver um personagem tão seguro e inseguro de si ao mesmo tempo quanto Tiny, juro. isso é típico de um adolescente. Mas Tiny sabe o que quer, e é por isso que ele corre atrás. A narrativa dos dois Will’s acabam, de alguma forma, nos levando até Tiny. Ele nasceu mesmo para ser uma estrela e ser parte importante de tudo o que participa.

 

” – Estar em um relacionamento, isso é algo que você escolhe. Ser amigo, isso é simplesmente algo que você é.”

 

Eu acho que a ideia dos autores era a de mostrar dois personagens bem diferentes um do outro, mas que mesmo assim tem algo em comum. É normal, no dia-a-dia, que achemos que uma pessoa não tem nada a ver conosco só porque ela é diferente de nós. Levithan e Green meio que tentaram mostrar que, mesmo assim, dá pra encontrar laços que nos unam a essas pessoas tão distintas de quem somos. Por isso é tão bom ver dois Will’s tão diferentes sendo colocados lado a lado. Outra questão que eu achei sensacional na história foi a forma como os autores lidaram com a questão da homossexualidade. Esse assunto ainda é um tabu, então imagina como a mente de pessoas da idade dos personagens, na faixa de 17 anos, se sentem! É bom ver o contraste que Tiny dá quando comparado a Will-do-Levithan, sabe? Ver como eles se ajudam faz tudo ficar ainda melhor. Além de tudo, esse é mais um daqueles livros que te faz perceber que amigos são, afinal, a âncora que nos mantêm sãos. Amigos de verdade, tá? É sempre bom lembrar que, independente da nossa idade, amigos são aqueles que nos ajudam a passar por tudo. John Green e David encontraram um equilíbrio genial nesse livro. Imperdível para quem for fã de um, ou dos dois autores. Uma boa opção pra quem ainda não tiver lido nenhum livro deles, e que aceita manter a mente aberta para as questões dos outros. No final, it’s all about love.

 

“- Só acho que, se você não diz a coisa mais sincera, às vezes, essa coisa nunca se torna realidade…”

capa, ficha técnica e sinopse

 

WILL & WILL – UM NOME, UM DESTINO

Will Grayson, Will Grayson

John Green e David Levithan
ISBN: 9788501093882
Editora: Record
Número de páginas: 352
Encadernação: Brochura
Formato: 14 X 21 cm
Ano Edição: 2013

Sinopse

Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra… Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo nome. E, aparentemente, apenas isso os une. Mas mesmo circulando em ambientes completamente diferentes, os dois estão prestes a embarcar em um aventura de épicas proporções. O mais fabuloso musical a jamais ser apresentado nos palcos politicamente corretos do ensino médio.

Leia a resenha feita pela Valery – aqui

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