Por Gianpaolo Celli, consultor do Aliteração Serviços Editoriais

Semana passada, em cima de uma seção de Coaching Literário, comecei a discorrer a respeito de Bloqueio Criativo. Essa semana falarei mais um pouco a respeito deste assunto que assombra tantos escritores. E se na primeira parte falei a respeito de algumas técnicas que você já pode ter ouvido falar, como criar uma rotina e ter disciplina, ou ter um esqueleto ou estrutura da história podem ajudá-lo a se guiar por uma crise de bloqueio, esta semana, como prometi, falarei outros bloqueios e como trabalhá-los.

Então você compreendeu que, ao contrário do que algumas pessoas dizem, estruturar a história não engessa sua criatividade, e dentro do possível você tenta guardar um período diário para escrever, mas mesmo assim tem algumas cenas que simplesmente travam.

A resposta de alguns profissionais para essa situação é: “deixe-a para trás e continue a escrever. Depois você pensa nela”. Se isso funciona com você, perfeito! Fica a dica.

Para aqueles que travam na cena e não conseguem seguir em frente a dica é: construa a cena em sua mente. Faça isso como se estivesse imaginando, ou lembrando-se de um filme. Ou FALA SÉRIO! Como se você criasse um storyboard de um filme ou história em quadrinhos. Para quem não sabe, storyboard é um rascunho de como será a cena, com apresentação de ângulo de “câmera”, ponto de vista, possível sequência (ou sequela, como apresentam alguma traduções ruins) de ação.

E digo isso não só como prestador de serviços literários, pois tenho passado para muitos escritores que procuraram o Aliteração com problemas de bloqueio, mas também como escritor, porque é como faço quando travo numa cena. E vou mais longe, pois isso de usar artifícios ligados ao cinema já é uma técnica bastante manjada lá fora. Imagine a cena como se você fosse o protagonista que a está vivenciando. Vá além do que está sendo apresentado visualmente. Considere o que ele está sentido. E FALA SÉRIO! Tanto em sensações, calor, frio, etc., como em sentimentos, medo, alegria, ressentimento…

Assim você conseguirá não só uma maneira de transpor o bloqueio criativo, como também conseguirá elementos que enriquecerão a mesma, facilitando com isso o processo de identificação do leitor para com o personagem, essencial na literatura.

Além destas situações já apresentadas, uma das que pode gerar bloqueio e que se é desconhecida dos iniciantes, não é de quem já escreve há algum tempo é o desanimo. Isso porque escrever um romance não é algo simples, e se na primeira metade da história você está tomado pela empolgação, com cenas e personagens pululando em sua mente, na segunda metade a coisa já não é tão simples assim. Sem o impulso inicial, o que antes parecia um prazer agora pode ser um estorvo, que se não dominado pode levar a desistência. Normalmente não de escrever de uma maneira geral, mas daquela história em particular.

FALA SÉRIO! Se isso não fosse real, não existiriam tantos escritores (principalmente amadores) com tantos romances iniciados e tão poucos (para não dizer nenhum) acabados.

É exatamente quando se está naquela segunda parte da história, quando os personagens parecem aqueles velhos amigos que só contam piadas antigas,e já não se tem a empolgação do novo, que você vê que a coisa não é tão simples assim. É quando começam a surgir as famosas “novas ideias”. Personagens estranhos… cenas bizarras… mundos desconhecidos a serem explorados… Assim que você terminar o projeto que já começou.

E as desculpas normalmente são as mesmas: “mas a ideia é tão boa que eu não posso deixar passar.” Ou “se eu deixar pra colocar no papel só quando terminar o que estou escrevendo, a ideia pode desaparecer.” E FALA SÉRIO! A minha favorita “eu vou só começar a escrever. Afinal, sempre posso voltar ao outro projeto depois”. Como fazer para que isso não aconteça?

Não vou dizer para você não colocar a nova ideia no papel. Faça isso! Mas lembre-se de que não só a história que agora lhe parece enfadonha já foi uma “ideia tão boa que você não pôde deixar passar”, como também que do mesmo jeito que agora você está deixando este projeto “para depois”, se você não aprender a terminar o que começa, quando se cansar de sua nova ideia, ela também se tornará um “livro inacabado”. Até porque depois de um tempo você já terá mudado e, como alterar tudo que você já escreveu é mais complicado, vai terminar desistindo da empreitada. Então mãos à obra (literalmente falando), do início ao fim!

E apesar de não querer fazer ninguém desistir antes do tempo, eu gostaria de falar a respeito de mais um bloqueio: o do desalento. Pior do que o desanimo, o desalento surge quando você já terminou seu livro e, mesmo querendo começar outro, considera que é melhor não fazer antes de ter seu primeiro original aceito por uma editora. Aí você envia seu original e nada acontece. O tempo passa e você não recebe nenhuma resposta. E quando ela aparecem são negativas padrão, daquelas que dizem que “seu livro é bom, mas…”, que acabam com o humor de qualquer um. Até porque depois de duas, três mensagens você começa a se perguntar: “FALA SÉRIO! Para que escrever, se ninguém se interessa em publicar?”

A este bloqueio eu digo: relaxa! Eu sei que não ajuda, mas você não é o primeiro pensar isso, e nem será o último!

O que fazer? Procure ler mais, se aperfeiçoar mais, buscar profissionais do meio para leituras críticas de modo a melhorar seu trabalho e conversar a respeito do mercado. Talento, afinal de contas, é saber escrever bem, com prazer, sobre algo que não só você, mas os leitores também estejam interessados.