Eu sou fã da Diana Palmer e como ela é uma escritora que muitos ou amam ou odeiam, pedi para a queridíssima Beta do Literatura de Mulherzinha que já postou inúmeros textos sobre os livros da tia palmeirão ( para os íntimos), falasse um pouco dessa história contraditória de amor X ódio.

E Beta, você sempre me surpreende com seus textos.

Diana Palmer

 

Vamos lá:

Ciao!

Eu sou a Beta, do Literatura de Mulherzinha. Em mais uma daquelas animadas conversas no Twitter, a Rosana me pediu que escrevesse sobre o amor/ódio despertado pelos livros da Diana Palmer.

Creio que o problema todo passe pela capacidade da Diana Palmer: ela escreve muito bem. Na década de 80, criou uma trama intrincada – e que se mantém atual – envolven-do a mania dos Estados Unidos de ser o xerife do mundo, falando sobre os mercenários que estão por aí “ajudando” a manter a democracia onde ela estiver ameaçada. E entre-meando com a rotina dos fazendeiros cavalgaduras do interior do Texas e do Wyoming.

Pois bem, se ela tem essa capacidade toda, por que o ódio?

Porque ela usa a incrível capacidade dela para criar personagens que tiram qualquer ser humano sensato do sério. Quem acompanha o universo palmeriano sabe que o contraste favorito da autora é heroína-pasmaceira –virgem e herói-topeira-tapado. Ambos com traumas de arrepiar os cabelos. Às vezes, a receita rende histórias de redenção. Em ou-tros casos, provoca antipatia por causa da falta de educação e do menosprezo como as mocinhas são tratadas a partir de pré-julgamentos dos protagonistas (e a maioria delas nem protesta!), comportamentos que ficam sem punição, porque rola um arrependimen-to falsinho falsinho e um perdão remix em menos de meia página. Os casos extremos deste estilo estão nos livros Avassalador e Coragem – depois desses livros, confesso que desanimei de ler até Cartão de Natal escrito pela autora com medo de levar um coice e, pior, querer retribuir a patada com requintes de crueldade.

O que me fez manter a esperança? Os bons livros – aqueles que me deixam grudadas até a última linha e me fazem perguntar por que ela não segue nesta toada ao invés de der-rapar na contramão… Para quem ainda não conhece, recomendo os irmãos Hart (a quem carinhosamente chamo de Família Biscoito, por causa do vício dos rapazes em biscoitos caseiros): as histórias têm a receita da autora, mas nas doses adequadas para a diversão. A desconfiança separa os protagonistas, geralmente uma aproveitadora tenta promover a grande discórdia (ou o mocinho faz isso sozinho), há sofrimento e humor de sobra (até hoje me lembro da forma como Tira resolveu se livrar do rato em casa, em Sempre te Amei. Ou de Meredith resolvendo superar o medo de cobras, mas com a mais contrain-dicada das espécies de cobra presente em Jacobsville). Sem contar que, os irmãos são impagáveis como coadjuvantes nos livros um do outro (e fazem frente – e inveja – nos mais profissionais organizadores de casamentos…).

Outros livros que eu gosto muito são os que possuem o personagem Cash Grier. A his-tória dele está em Renegado, mas ele apareceu em vários livros antes (em Fora da Lei, onde ele se torna uma das pontas de um quadrado amoroso, torci por ele descaradamen-te) e depois. Diana Palmer estava em um dia muito inspirado quando criou o homem de passado misterioso, capaz de salvar o mundo enquanto carrega os fantasmas de um in-ferno pessoal. Esbanjando charme, bom humor, eficiência e simpatia, acabou adotado por Jacobsville, onde finalmente estabeleceu raízes.

E para não dizer que só vivo de Cash Grier, recomendo também o mercenário Eric Van Meer, o Dutch (Holandês). Ele é completamente diferente do que podemos presumir de um soldado da fortuna – ainda mais criado por Diana Palmer – tem uma sensibilidade fora do comum e trata a mocinha Danielle com um misto de amor, fascinação e encan-tamento que causaria protestos no Procon literário se as outras protagonistas da autora soubessem disso. Claro que a lembrança positiva, no meu caso, se torna gritante porque a edição que eu tenho é a jurássica duas histórias de 19.. E o protagonista da primeira história, Diego Laremos, é um daqueles para quem o mármore tostado do inferno não faz nem cosquinha.

Ah, e as mocinhas? De vez em quando, Diana Palmer consegue escrever algo além das virgens mais desinformadas, traumatizadas e azaradas da galáxia. E então, você se rende à esperteza, inteligência e simpatia delas. Um exemplo: Meredith, de Dura Vingança. Usada, pisada, humilhada e expulsa da cidade pelo “amado” e a família dele, teve a sor-te de encontrar um protetor que a acolheu, cuidou dela e a preparou para ser uma mulher atuante, nunca mais uma vítima. Até que ela retornou para se vingar, sendo mais lobo em pele de cordeiro que a sua vítima, o “ex-possível-futuro amado” que se achava o último bote confortável do Titanic. Claro que eu torci muito por ela e a história se tor-nou uma das minhas favoritas (Escorpianos, como eu, se tornam sensíveis aos persona-gens injustiçados que querem acertar contas com o passado).

No entanto, nada se compara à única e incomparável Gretchen Brennon, a protagonista arrasa-quarteirão de Lorde do Deserto. Sabe pessoa que não fica parada, esperando o que vai acontecer? É Gretchen! Ela só tem o azar de se apaixonar por um sheik Phillipe Sabon que não sabe se recupera o país, se chora a paixão platônica ou se compra uma bicicleta. Ao lado deste indeciso (com e sem razão) protagonista, Gretchen diva, mas diva muito. Não vou falar mais porque acho que vale a pena que vocês leiam, mas ela é tão diva, mas tão diva que consegue ser mais eficiente que um bando de mercenários. O livro dela é leitura obrigatória, gente!

Bem, este texto traz apenas algumas considerações pessoais sobre minha experiência com este universo criado pela autora. Às vezes, alguns livros dela parecem casos perdi-dos. Mas se a gente insistir e prosseguir, vai encontrar histórias que vão ganhar cadeira cativa no nosso coração.

 

Bacci!!!

 

Beta

 

 

Beta  –  Literatura de Mulherzinha