Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Nas últimas três semanas tenho apresentado alguns estudos de casos sobre não só como está o mercado editorial brasileiro, mas também para onde irá se continuar desta maneira. Que existe preconceito em relação a autores nacionais (FALA SÉRIO! É o famoso Complexo de Vira-lata), isso ninguém pode negar.

Não apenas me recordo de críticos comentando, como eu mesmo já retruquei com exemplos, afirmações de que brasileiros não poderiam escrever sobre Fantasia Medieval porque não tivemos Idade Média no Brasil ou que não poderiam criar ficções a respeito de vampiro, pois a figura não pertence ao nosso folclore. Só para lembrar, ou para rir, os Estados Unidos também não tiveram Idade Média, assim como não tem vampiros em seu folclore, e muitos best-sellers sobre os dois temas são de autores norte-americanos, como Anne Rice e George R. R. Martin, ou seja…

O que não pode acontecer também é cairmos no oposto: o narcisismo nacionalista que alguns blogueiros relataram quando criticaram livros nacionais. Segundo eles, não só o autor, como também seu círculo social é intolerante demais às críticas, muitas vezes levadas para o lado pessoal.

FALA SÉRIO! É evidente que não se deve ter preconceito para com a produção literária nacional, mas também não se pode não aceitar críticas. Este não somente é o modo amador de se agir, como também é o caminho mais curto para se acabar com a carreira que você teoricamente está tentando começar. Especialmente quando se leva as críticas para o lado pessoal, e baixa o nível nas respostas.

“Será que a culpa por esse preconceito é só dos leitores e das editoras?”, foi uma pergunta que recebemos no texto, e eu tenho que dizer que não é!

FALA SÉRIO! Lidar com literatura (como qualquer meio onde existe criação) é lidar com egos. E se isso já é ruim com grandes nomes do mercado, quando acontece do escritor amador achar que o que ele escreveu é a oitava maravilha da literatura, que se tornará um best-seller instantâneo e que ele será o novo Dan Brown ou J.K. Rowling da literatura nacional (que é o que mais acontece), é péssimo!

Isso, sem contar que, como foi apresentado nas analises anteriores, com a falta de empreendedorismo das editoras e livrarias nacionais para com os escritores, a chance de um livro nacional estourar é mínima. E se tal fato é real com os bons livros nacionais, quando o autor não busca serviços ou profissionais editoriais para trabalhar seu texto e adequá-lo ao mercado, nem o livro nem o escritor irá a lugar nenhum!

FALA SÉRIO! Já comentei mais de uma vez a respeito de uma pesquisa feita com editoras que responderam que aproximadamente 95% dos originais recebidos por eles não estão prontos para publicação.