Casagrande – Travessia #resenha @globolivros


Trilogia: a palavra da moda no entretenimento. Filmes, livros e agora até séries com três temporadas. A última trinca a que tive acesso foi a sequência de três livros escritos pelo jornalista Gilvan Ribeiro contando a vida do ex-jogador Walter Casagrande Júnior; o Casão, que há 20 anos, pouco mais, sai da linha global e coloca um pouco de pimenta nos debates e narrações esportivas. Pimenta, aliás, não falta na vida desse cidadão; goleador, politizado, roqueiro, envolvido com drogas, e que teve sua história contada lá em 2013, no primeiro livro, Casagrande e seus Demônios. Aí, em 2016, Casão e Gilvan acharam por bem celebrar em livro a amizade do protagonista com Sócrates, um dos maiores jogadores da história do futebol e principal nome da Democracia Corintiana. Pois eis que ao me deparar com Travessia, o último volume dessa repartida biografia, lançado este ano pela Editora Globo, confesso não ter entendido o que ainda poderia haver pra contar. Mas havia.

O meu erro, e acredito que o de muita gente, foi acreditar que após a internação involuntária do ex-jogador em 2007, sua vida mudou completamente; acabaram-se as drogas e iniciou-se ali uma rotina total e absolutamente focada na família e nos eventos esportivos narrados pela Rede Globo. Longe disso. O grande acerto de Gilvan e Casão foi reiterar – às vezes de forma até cansativa – que a internação foi um passo importante, mas, de forma alguma, definitivo. Houve recaídas, sim; houve truques para driblar as psicólogas que o acompanharam, houve truques para enganar a si próprio, e houve, claro, a redenção! Casa redescobriu o amor, as artes, os filhos, os amigos e foi capaz de utilizar sua experiência para ajudar jovens que começavam a trilhar caminhos semelhantes ao seu.

Falando em caminhos semelhantes ao seu, aliás, o livro é permeado por depoimentos de pessoas com histórias similares; em particular, no mundo do rock que Casão tanto ama: Nando Reis, Branco Mello, Paulo Miklos, Kiko Zambianchi e Nasi. Além deles, falam, dentre outros, a deputada Tabata Amaral – que não viveu diretamente a questão das drogas, mas viu o drama através de seu pai – as psicólogas que o acompanharam na reabilitação, o Maestro João Carlos Martins, o ex-comentarista Arnaldo Cesar Coelho, Baby Consuelo, musa da juventude e ex-namorada; e o ator José Loreto, que viverá o ex-jogador no cinema. Críticas? A exemplo do que ocorreu na biografia do cantor Nasi, os entrevistados pareciam muito preocupados em elogiar o biografado. Gente, relaxa. Eu tô lendo o livro dele, já simpatizo com a figura, não há nenhuma necessidade de lhe passar a mão na cabeça.

De mais a mais, um livro bem-escrito, agradável, com temas que talvez não interessem a todos – eu mesmo não me identifico com várias passagens – mas que cumpre seu papel: encerrar a trilogia que conta a história de um jogador, no mínimo, peculiar do nosso futebol, e de um ser-humano que é, acima de tudo, um vencedor. O choro na final da Copa da Rússia, celebrando a sobriedade e expondo-se diante de um país que ainda acha que dependência química é piada é mais do que uma vitória; é uma prova de coragem e, por que não dizer, o gol mais lindo da vida de Walter Casagrande Júnior.

Capa, ficha técnica, sinopse

Travessia

Walter Casagrande Jr. e Gilvan Ribeiro

ISBN: 9786555670066
Editora: Globo livros
Número de páginas: 314
Encadernação: Brochura
Formato: 16 x 23 cm
Edição: 2020

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