Em Chamas foi, sem dúvida, a melhor adaptação cinematográfica de um livro que eu já assisti. A produção foi simplesmente im-pe-cá-vel. Se Jogos Vorazes foi uma surpresa para os fãs por ser um filme tão fiel quanto podia ao filme, Em Chamas é, com certeza, a surpresa mais agradável que um fã poderia ter. Duvido que alguém tenha saído da sala de cinema sem desejar intensamente poder assistir à continuação. E, se tem uma palavra que pode definir esse filme é exatamente essa: intenso. Cuidado, a resenha pode conter SPOILERS!

Depois de sobreviverem à arena, Katniss e Peeta voltam a suas vidas normais no distrito doze. Só que Katniss acabou se tornando um simbolo de revolução, uma vez que ela foi a primeira a desafiar a capital e suas escolhas. Nada satisfeito com o rumo das demonstrações de rebeldia dos distritos perante a capital, o presidente Snow decide usar o romance de Peeta e Katniss como fachada para os atos de rebeldia da garota na arena, e obriga Katniss a agir como se o amor verdadeiro que supostamente sente por Peeta fosse o combústivel que a fizera agir daquela maneira nos jogos. Isso acaba fazendo com que as pessoas vejam Katniss de uma maneira diferente do símbolo que eles esperavam ter para guiar uma revolução, o que era exatamente o que Snow queria. Mas mesmo assim as rebeliões não diminuem tanto assim, então o presidente decide estabelecer para os Jogos daquele ano que os jogadores seriam vencedores de outras disputas. Dessa forma, Peeta e Katniss caem de novo na arena. A diferença é que agora os seus competidores são todos vencedores e sabem muito bem o que fazer na arena, sem contar que não são todos crianças. E outra diferença é que a arena dessa edição foi programada para acabar com as chances de sobrevivência deles dois.

Não dá pra comparar as histórias de Jogos Vorazes e de Em Chamas, porque os dois são bem diferentes. Enquanto em Jogos Vorazes tudo que os personagens queriam era sobreviver à arena, em Em Chamas eles tem mais motivos para serem os melhores. Existe um pano de fundo muito mais profundo do que o do primeiro filme: dessa vez, existe uma revolução, onde as pessoas, depois de anos vivendo sob o regime da capital, começam a questionar as escolhas de seus governantes. Deixa de ser uma questão de sobrevivência de cada um e passa a ser uma questão de pensar no quadro geral. E é por isso que Em Chamas se destaca tanto. As cenas de ação estão mais presentes, e a tensão é vista em cada cena. É como se fossemos colocados em um estado de ansiedade crônica, aproveitando a cena que está passando ao mesmo tempo que tentando adivinhar o que virá em seguida.

A parte visual do filme também é um dos pontos mais impressionantes do longa, que tem 2h30min de duração. Os cenários foram perfeitamente construídos, de modo que correspondessem ao que o fã dos livros esperava e, ao mesmo tempo, fosse claro o bastante para aqueles que fossem assistir ao filme sem ter lido as histórias criadas por Suzanne Collins. Destaque para as cenas na floresta que cercam o distrito 12 e para as cenas da arena, que se superou em todos os sentidos. Outro ponto forte da franquia se deve à escolha de elenco. Além dos já queridos personagens que se mantém do primeiro filme, temos novidades acrescentadas com maestria ao elenco.

Effie continua a mesma pessoa preocupada com a imagem de seus tributos, mas dessa vez ela parece bem menos iludida com a versão da capital para os fatos. Tudo que ela quer é que Peeta e Katniss se mantenham a salvo. Haymitch também está muito mais afiado que no primeiro filme. Dessa vez ele já está apegado a seus tributos, então ele faz e tudo para que os dois sobrevivam.

Sam Claffin vive nas telonas Finnick Odair, um dos personagens mais queridos da trilogia de Suzanne Collins, mesmo que este só apareça a partir do segundo livro. Ele soube encarnar a atmosfera despreocupada que Finnick se esforça em aparentar enquanto em terra firme, mas também soube passar a ideia de lealdade e de bons conceitos quando estava a arena. Jena Malone ficou sensacional interpretando Johanna, a atrevida vencedora do distrito 7.

Só resta esperar que os produtores e diretor do longa saiba adaptar o último volume da trilogia. Dividido em duas partes, o filme de A Esperança tem data de lançamento para a parte 1 marcada para 2014. Se mantiverem a mesma linha de trabalho que fizeram com Em Chamas, os fãs podem esperar que Jogos Vorazes seja a franquia de adaptções literárias para o cinema mais bem feita da história.

Se você ainda não assistiu ao filme, corre que ainda dá tempo de pegar uma sessão no cinema mais próximo de você.