Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Estava conversando com alguns autores que estão trabalhando conosco e um dos tópicos mais comentados, para não dizer críticos, foi o das Editoras Sob Demanda. Em sua maioria as colocações eram de como elas, fazendo o trabalho de uma gráfica ao invés de uma editora, se aproveitavam do autor e publicavam um produto de baixa qualidade, inclusive queimando o mercado.

FALA SÉRIO! Para analisarmos essa questão de uma maneira correta dois aspectos são importantes: uma visão ampla da situação e conhecer a história da publicação sob demanda. Porque pessoalmente eu creio que é impossível fazermos uma crítica justa sem estes dois parâmetros.

A publicação sob demanda surgiu em meados da década de 1980 no meio escolar. Isso, pois professores perceberam que, dando aulas em cinco ou seis classes em três ou quatro escolas/universidades, se eles ao invés de usar como base para suas aulas o livro de outro profissional escrevessem os deles, teriam um publico médio de quase 600 clientes todo ano sem necessidade de marketing nenhum. Eles então produziam os livros, compravam com desconto e vendiam nas papelarias das escolas ou nos CAs das faculdades, cabendo às editoras simplesmente confeccionar o livro, o que seria revisão, diagramação e ISBN, assim como colocar o livro nos sistemas das grandes livrarias para alguém que não quisesse comprar por conta própria.

Ou seja, FALA SÉRIO! Exatamente a mesma coisa que fazem ainda hoje.

Com a década de 1990 os computadores pessoais começaram a se multiplicar, e escrever, algo praticamente impensável, se tornou algo viável, até agradável, passando a ser um hobby para muitos. Na primeira metade dos anos 2000 então, houve boom da internet e as pessoas começaram a conversar via email e em listas de discussão. E estes ‘novos autores’ começaram a buscar editoras com o material que eles haviam escrito, e nenhum profissional havia analisado, e começaram a receber as infames cartas de recusa.

Vejam bem, sou formado em administração, então uma coisa que conheço desde a época da faculdade são essas cartas. No caso sempre eram algo como “seu currículo é muito bom, mas…” e “vamos guardá-lo para futuras vagas”, e incrivelmente nunca fui chamado uma segunda vez por uma empresa onde não houvesse passado numa primeira entrevista.

FALA SÉRIO! Logo entendi que aquele “mas” queria dizer que eles haviam encontrado um profissional que consideravam mais qualificado, e o resto (“guardá-lo”) era uma mentira, ou ainda o currículo terminava numa pasta esquecida no que era quase um ‘arquivo morto’. Com a maturidade a gente aprende a compreender isso, apesar de não ainda concordar com a mentira, e entende que, para nos tornarmos mais atraentes precisamos melhorar nosso currículo, nossa apresentação, alguma coisa…

Assim, quando seu original recebe uma carta de recusa da editora, o que você deve pensar? Que algo deve estar errado em sua apresentação, em seu texto, no tema escolhido… Ou seja, está na hora de buscar profissionais de Serviços Literários (Leitura Crítica & Análise de Primeiro Capítulo, Coaching ou Aconselhamento Literário, Ghost Writing, Copidesque, Assessoria de Mídia e Direção Literária), para verificar o que há de errado.

O que o autor faz? Ao invés de achar que o editor, como profissional que é, tem razão, convenientemente considera que ele está errado (e isso pode acontecer: JK Rowling recebeu diversas recusas até encontrar uma editora, assim como o Charles Schulz, que precisou de nove anos até emplacar a Turma do Snoopy). E faz o que depois disso?  Busca outra editora, então mais uma, e outra ainda. A após diversas cartas de recusa, ao invés de achar que algo está errado com seu original (e tentar descobrir o que contratando alguém que faça Serviços Editoriais), apela para o mais simples, buscar uma editora sob demanda, que publicará a obra exatamente como ele pediu, porque se achasse que algo no original estava errado ou poderia ser melhorado, não buscaria uma editora sob demanda, algum profissional de Serviços Editoriais.

E qual a reclamação do meio em relação à maioria das editoras sob demanda? FALA SÉRIO! Elas fazem o trabalho de uma gráfica ao invés de uma editora e vendem exatamente o que o autor quer. Até posso dizer que poderiam comentar a respeito da importância de uma capa, de um texto de contracapa, dos textos de orelha na venda do livro; ou ainda informar o autor que não conseguiria colocar seu livro nas grandes redes se não tivesse nota fiscal ou uma distribuidora; ou também que um desconhecido não conseguiria bater de frente contra best sellers com um produto mais caro, com acabamento pior e uma capa não chamativa (porque boas capas custam dinheiro).

Então concordo que as editoras sob demanda (e algumas que oferecem coedição e obrigam o autor a comprar às vezes mil exemplares e preço de mercado) estão sim abusando do autor, e tem sua culpa queimando o nome do autor nacional de qualidade, mas ela não é a única, pois o autor também deveria entender isso e buscar Serviços Profissionais para aumentar suas chances de publicar numa editora convencional.

Por que eu estou falando isso? No Aliteração nossa ideia é profissionalizar o mercado, é tentar aumentar a qualidade do livro E do autor nacional, para que possa competir com o Best Seller que chega aqui. Pois não é como já ouvi, que o escritor nacional não se compara ao internacional, mas porque o que chega aqui é só a nata da nata, o Best Seller que inclusive já vem com marketing pronto. Como um autor nacional poderia competir com uma série de TV ou uma de cinema que podem ser usados como marketing? Não é impossível, mas é muito difícil e bastante complicado, exigindo extrema excelência em todos os aspectos de seu trabalho, produto e mesmo dele mesmo como profissional.

Comentei com um escritor: “Você pode até reclamar do que o Paulo Coelho escreve, mas têm de aceitar que mesmo já com nome, faz o marketing pessoal ao ficar por vezes sete horas assinando seus livros e tirando fotos com fãs”.