Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Engraçado como as coisas acontecem em ciclos. Na literatura isso acontece em diversos níveis: sejam gêneros que entram e saem de moda: como Anjos, Vampiros, ou Zumbis, Distopia e Erotismo; seja a tendência de livros impressos ou e-book, que vai e volta; sejam nos amadores que, mal chegados ao mercado, por saberem um pouco mais do que o básico, já se consideram “especialistas de mercado” e que. FALA SÉRIO!, de tempos em tempos surgem achando que são “o grão trigo em meio ao joio”.

Em relação a estes últimos, me recordo de algum tempo atrás, quando surgiram livreiros achando que, exatamente por venderem livros, eram especialistas em todos os aspectos do mercado editorial. Eles até tem uma visão bastante interessante que autores e editores também deveriam compartilhar, mas nem por isso conhecem o mercado por inteiro. Agora, uma vez mais, são escritores (não autores, lembram-se da diferença?), que acham que, porque leram, ou ao menos alegam, meia dúzia de clássicos, e mais meia dúzia de livrinhos de “autoajuda” para aprender a escrever, são a ultima batata do saquinho.

E o hilário, para não dizer trágico, é que a conversa é sempre a mesma: “eu li muito… eu sou crítico”, Mas FALA SÉRIO! Ler sem assimilar em seu próprio trabalho e ‘nada’ é a mesma coisa; assim como é nulo o resultado da crítica se não aplicada ao próprio profissional e a seu trabalho! E olha que estes escritores, normalmente fracos em pesquisa, em desenvolvimento de trama, FALA SÉRIO!, em praticamente todos os aspectos da história de uma maneira geral, são tão “verdes” que não entendem nem que ‘criar’ e ‘desenvolver’ são coisas diferentes; que ‘ter uma boa ideia’ não quer dizer naturalmente ‘fazer dela uma boa história’. Razão pela qual, e eu não me canso de repetir isso, praticamente 95% dos originais é recusado pelas editoras. Pois os textos podem até ter potencial, mas lhes falta essência, maturidade… Fazendo com que eles não estejam efetivamente prontos para o mercado. Chega a ser triste ver estes amadores acharem, do alto de seu ego inflado, que suas obras serão algum divisor de águas na literatura mundial.

Isso sem contar que uma das razões para a pessoa não escrever bem muitas vezes é porque ela não consegue nem pensar com clareza, e sem isso… Inclusive, FALA SÉRIO! Este é um assunto que já vem martelando em minha cabeça há algum tempo. Sobre processos criativos. É a famosa besteira da “escrita criativa”, que ignora o perfil da pessoa e diz que “quando você está travado, deve se dar um tempo de escrita livre, para liberar as ideias”.

Em teoria é lindo, mas se a pessoa tem um processo de criação visual, por exemplo, antes de escrever ela tem de visualizar a cena em sua mente, para só depois começar a descrevê-la, colocando-a em palavras. Para quem trabalha assim, “deixar a mente se perder” não vai ajudar nada no processo. O que a pessoa tem de fazer é achar um modo de visualizar a cena corretamente, pois ai conseguirá fazer a escrita fluir.

Mas estou diversificando. Deve ser um pouco de “escrita livre” antes de voltar ao texto.

De qualquer modo, não adianta vir dizer que “o mercado está errado, está fraco”, ou qualquer outra desculpa para tentar galgar uma posição sem efetivamente estar pronto para a mesma. FALA SÉRIO! Na realidade é exatamente porque pessoas pensaram desta maneira que o mercado está como está, e quem pensa assim só não percebe isso, pois como eu coloquei acima, culpar os outros é mais fácil do que fazer uma autocrítica.