Avaliação

O livro dispõe de uma narrativa que leva o leitor a compartilhar as muitas reflexões, incertezas e ponderações a respeito da esquizofrenia e os limites que permeiam o real e o imaginário.

9
Nota

Olá!

Confira a resenha  do livro Arco de virar réu do autor Antonio Cestaro

O romance Arco de Virar Réu, escrito em 1ª pessoa, nos permite acompanhar a metamorfose  que ocorre no  mundo particular do narrador personagem , na tentativa de lidar com a esquizofrenia do irmão até embarcar nas próprias alucinações.

O narrador é um historiador interessado no campo da Antropologia, especificamente nos rituais dos índios tupinambás.

Apresenta uma família emocionalmente desequilibrada: o pai se fora de casa,  a mãe, dona Tereza, começa a se alcoolizar, o irmão Pedro  diagnosticado como  esquizofrênico desde a adolescência e Clara, a irmã saudável. Além disso, o primo muito próximo o Juca Bala,  era viciado em droga.

Pedro, quando menino ganhara um joguinho com um exército, mapas e estratégias de guerra. Era um mundo de fantasias para o qual ele se mudaria para sempre.  Esses personagens ganharam vida nas intermináveis frentes de batalha empreendidas por Pedro,  em seu mundo paralelo.

Em uma das visitas que o narrador faz ao irmão  hospitalizado, em companhia do primo Juca, este propõe fazer um “trabalho cinematográfico” com as falas desconexas de Pedro.

“O primo parecia entender e falar a linguagem do Pedro, e o fazia mostrando  o melhor do seu bem dosado entusiasmo.”

Com a deterioração do estado de Pedro, pelo avanço da doença, o narrador embarca em alucinações sem entender direito o que se passa ao redor.

“… preferi não revelar ao Juca que já era dotado de um punhado razoável de juízos desordenados. Eu não estava em meus melhores dias e pensava como um idiota…”

Em seu estado alterado de consciência adentra o mundo paralelo com pesadelos povoados de rituais indígenas. Ele escreve suas memórias e promete –as ao Juca  para o trabalho cinematográfico “ com foco na paranoia criativa….. “ Juca o considera um “psicótico funcional”, ao que o narrador reage questionando a definição de normalidade.

Ele narra ao Juca um de seus pesadelos em que o planeta,  tendo exaurido seus recursos, implementa o canibalismo para  alimentar a superpopulação.

Por um lado, o tratamento;  por outro, as incertezas, os pesadelos, as alucinações o levam à uma espiral  de questionamentos pondo em dúvida a sua  existência como pessoa.

“Sinto falta de um bom espelho….ver meu corpo inteiro dando provas de que eu sou eu mesmo, agora doente…..juntei aos meus vícios a fixação por espelhos e pelo poder do espelho quando produz em mim a certeza na identificação de quem realmente  se abriga na imagem refletida e enquadrada nas molduras que com suas peças de madeira, insinuam limites e algum poder de controle.”  (pág. 97)

Confesso que não foi fácil escrever a resenha do livro. Ele dispõe de uma narrativa que leva o leitor a compartilhar as muitas reflexões, incertezas e ponderações a respeito da esquizofrenia e os limites que permeiam o real e o imaginário. Recomendo.

Recebi o livro no encontro que a editora Tordesilhas promoveu. Conheci a linha editorial e o cuidado com a escolha e preparação dos livros.

Capa, ficha técnica, sinopse

arco de virar reu

Arco de virar réu

Antonio Cestaro

ISBN: 9788584190355
Editora: Tordesilhas
Número de páginas: 152
Encadernação: Brochura
Formato: 14 X 21 cm
Ano Edição: 2016

Sinopse

Narrativa labiríntica escrita em primeira pessoa, Arco de virar réu descreve os eventos que marcam a deterioração física e mental do narrador-protagonista. Historiador social com forte inclinação para o estudo antropológico, ele é obcecado pelos rituais e pelos costumes dos índios tupinambás. A história começa com o surgimento dos primeiros sintomas de esquizofrenia em seu irmão, nos anos 1970, segue pela adolescência, quando, inspirado em rituais indígenas, o narrador passa a se dedicar à ocultação de cadáveres, e termina com a dolorosa percepção da própria loucura. Digressões delirantes misturam-se a fragmentos de memória e a pesadelos que, aos poucos, colocam em dúvida a própria existência.

Boa leitura

See ya!

Rosana Gutierrez