[Bastidores Literários] Oficinas literárias são mesmo interessantes para o escritor?r


Para provar que, como eu mesmo já comentei a respeito de inúmeros temas que volta e meia voltam à baila, agora o assunto da vez são as Oficinas Literárias. E eu creio que posso discorrer um pouco a respeito do assunto tendo em vista que não só já cometei aqui a respeito de livros e cursos de escrita, e já ministrei ambos, assim como já ministrei uma oficina. Na realidade esse artigo, como diversos que já apresentei aqui, é resultado de discussões com outros profissionais de mercado cujo tema eu achei interessante para o quem está do outro lado da “equação”, ou seja, o escritor, em especial aquele que está começando.

No caso o que estávamos discutindo era não somente o surgimento de oficinas literárias, mas também algumas críticas que surgiram a respeito do assunto. Na verdade é normal, todo assunto novo termina se tornando alvo de discussão e nem sempre todas as opiniões são a favor. Na realidade é até interessante que existam os opositores, pois são eles que mostrarão a existência do joio e do trigo, que também sempre existe, em especial em mercados que estão começando e em que indivíduos com pouca ética se utilizam do pouco conhecimento do mercado para ganhar dinheiro com isso.

De qualquer modo, antes de discorrer a respeito dos pontos positivos e negativos das Oficinas Literárias, eu gostaria de explicar um pouco sobre a diferença técnica de uma oficina e de um curso. Apesar de atualmente os termos serem praticamente semelhantes, pois diversos cursos propõem interação da classe e trabalhos práticos, a diferença básica de um curso e uma oficina, ou workshop, como também pode ser chamada, é que ao contrário do curso, na oficina existe uma maior interação da classe, dando a mesma um aspecto mais prático, enquanto o curso é mais teórico. Existem outras definições, que colocam o curso como mais extenso, enquanto a oficina ou workshop é mais curto e temático. De qualquer modo, essas são as diferenças básicas de curso e oficina.

Voltando ao assunto em pauta, com a popularização dos meios de publicação gratuita, assim como de ferramentas que facilitaram a escrita antes disso, como o computador pessoal, por exemplo, diversas pessoas resolveram colocar suas ideias no papel, ou em arquivo, e até publicá-las. Com isso surgiu a necessidade de aperfeiçoamento por parte de alguns escritores, surgindo assim os livros, cursos e oficinas literárias e os detratores das mesmas.

As críticas são praticamente as mesmas, ou uma variação a respeito de um mesmo tema: O mais normal de se ouvir é que “é uma moda criada para escritores de fachada, pois seria impossível ensinar alguém a escrever”, “que partem de regras pré-estabelecidas e que, portanto, os escritores de oficina escrevem sempre igual, normalmente histórias artificiais” e finalmente que “escritores talentosos não precisam de oficina. Sendo as mesmas para amadores”.

Vamos analisar as colocações uma a uma:

– A respeito de ser “uma moda criada para escritores de fachada” e que “seria impossível ensinar alguém a escrever”. Eu já comentei a respeito em artigos anteriores FALA SÉRIO! Se você precisou de um curso, ou de livros para aprender a escrever, assim como precisou deles para aprender a fazer uma redação – assunto que é considerado tão importante nos vestibulares que os cursinhos têm aulas especiais para redação, além das aulas de português – por que não poderia usar a mesma ajuda na hora de se tornar num profissional da escrita? De escrever um livro? Como eu mesmo gosto de comparar: ESCREVER É TÃO DIFERENTE DE ESCREVER PROFISSIONALMENTE QUANTO DIRIGIR UM CARRO É DE PILOTAR UM FORMULA 1! E se existem cursos para pilotos profissionais, por que não para escritores profissionais?

– A colocação de que elas “partem de regras pré-estabelecidas e que, portanto, os escritores de oficina escrevem sempre igual, normalmente histórias artificiais”, é outra besteira. Como estudiosos comentam, existem regras determinadas desde a Grécia antiga, quando Aristóteles escreveu análises da mimese, do drama e da poesia. O que um bom livro, curso ou oficina apresentam são elementos que ajudarão o escritor que está começando a se desenvolver com maior facilidade. Eu considero estas regras como os blocos dados às crianças. Eles são sempre os mesmos, mas cada criança os usará de acordo com sua criatividade de modo a montar algo só seu.

– Finalmente, sobre a colocação de que “escritores talentosos não precisam de oficina. Sendo as mesmas para amadores”, e eu deixei esta por último, pois até certo ponto concordo com ela, oficinas, como cursos e livros técnicos são necessários? Não! Mas eles apresentarão material de uma maneira didática que, de outro modo, o escritor demora mais tempo para aprender. Sobre o talento.haverão aqueles com mais talento para escrever, assim como os que têm mais talento para desenhar. Mesmo assim as oficinas, como eu já coloquei, são como atalhos, que ensinarão o escritor o que, sozinho, talvez ele demore muito para aprender. Inclusive, é exatamente por isso que no exterior já existem até cursos de graduação de escrita. O que, inclusive, explica a diferença entre o profissionalismo do autor internacional para o nacional. FALA SÉRIO! Se considerarmos isso veremos que é exatamente o inverso de colocações que ouvi de que os escritores nacionais não se comparam aos internacionais por fazerem cursos ou oficinas.

Como eu já coloquei acima é evidente que existem tratantes que tentarão enganar apresentando alguma fórmula mágica, dizendo que só eles sabem como fazer e que a receita deles é a única com garantia de sucesso. FALA SÉRIO! Mesmo assim não é por isso que se deve generalizar. Cabe ao escritor buscar ferramentas, e nestes dias de internet e redes sociais isso se tornou cada vez mais simples, para analisar a qualidade de cada livro, curso ou oficina e escolher o que melhor se adéqua ao que você está buscando para se desenvolver como escritor, pois no fim é isso que interessa.

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