Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS LITERÁRIOS

Analisando o estudo de caso apresentado semana passada percebi que outra grande dualidade além da ‘escritor e editora’ é a ‘livraria e leitor’. FALA SÉRIO! Mais do que outros “lados da moeda”, ‘escritor’, ‘editora’, ‘livraria’ e ‘leitor’ são na realidade incógnitas da equação que é o  mercado editorial.

Na semana passada comentei a respeito de uma situação de mercado usando um estudo de caso como base. O foco era produção, publicação e marketing. Desta vez analisarei a questão de outro ângulo, falando de vendas e leitura, e trabalharei outro exemplo mostrando como o mercado editorial pode ser complexo, para não dizer escorregadio.

Porque FALA SÉRIO! Se falarmos da falta de profissionalização do escritor brasileiro, também temos de considerar que compará-lo ao autor internacional traduzido não é justo. Como já comentado anteriormente, as editoras nacionais raramente empreendem, dando clara preferência a best-sellers ou livros que vendam sem que publicidade ou marketing sejam necessários. Ou seja, o que chega aqui é só o que de melhor em vendas. Livros que muitas vezes já estão para virar série ou filme. E convenhamos, assim é fácil vender!

E FALA SÉRIO! A questão não para ai. Porque se editoras não investem em autores nacionais, tampouco o fazem as livrarias, cujas seções dedicadas à literatura nacional normalmente são ínfimas. E é aqui que chegamos ao estudo de caso (na verdade deveria dizer casos, tendo em vista que aconteceu mais de uma vez).

Na verdade só nestes últimos trinta dias foram duas vezes pelo menos se comentou no Facebook que depois de enviados às livrarias, livros de autores nacionais começaram a vender extremamente bem. Após alguns pedidos, tanto editoras como escritores tiveram a ideia de questionar se as livrarias não gostariam de marcar algum evento com o autor. Foi quando estas perceberam que, devido aos nomes dos escritores, por engano as obras haviam sido colocadas na seção errada, de literatura estrangeira. Corrigido o engano, o que aconteceu? As obras encalharam! Por quê?

FALA SÉRIO! Porque não só a editora e a livraria, mas também o leitor brasileiro é preconceituoso!

Inclusive, essa não é a primeira nem a segunda vez que comento a respeito, pelo menos no blog de nosso site próprio. Nos dias 08 de março, 05 de abril e 03 de maio deste ano escrevi respectivamente Preconceito Literário, A Dificuldade De Se Fazer Sucesso No Brasil e Preconceito Literário (parte 2) já falando a respeito dessa ideia equivocada de que “todo escritor nacional é ruim”. Convido os interessados a acessar o blog do Aliteração (o link está ao lado de meu nome no crédito deste artigo) e conferir as informações extras que postei lá.

Para mudar essa situação já existem campanhas de escritores, blogs literários, da grande mídia até, tentando acabar com esse preconceito. Além disso, o que se pode fazer é você, escritor, profissionalizar-se. E para isso você deve procurar livros e cursos que o ajudem a melhorar seu estilo, fazer muita pesquisa antes de durante o processo de criação do livro, buscar profissionais do meio editorial para fazerem leituras críticas de sua obra antes de considerá-la pronta para publicação. Porque se cada um de nós tentarmos mudar, os leitores, livrarias e editoras terminaram mudando também.

E mesmo assim algumas campanhas são mal dirigidas, como a que promovia a Semana do Livro Nacional, que apresentou para o público presente a capa de uma série estrangeira que uma das editoras apoiadoras estava para lançar. Afinal, se é a semana do livro nacional e o enfoque é o autor daqui, por que usar o público para falar de um produto importado, por mais que seja chamativo?